Diário do bebê: 0-2 meses

Meu filho tem me inspirado muito a escrever e a fotografar mais ultimamente. Esse blog conta minha história com a Alemanha desde o começo, os vexames que já passei e também as minhas grandes realizações nesse país: o meu casamento e a descoberta dele. Eu adoro ler os meus posts antigos, ver como a minha vida mudou, como eu me desenvolvi fotograficamente. Então escrever mais sobre ele vai me fazer no futuro gostar ainda mais desse canto. Eu queria muito ter escrito o diário do primeiro mês, mas ele não foi nada fácil. O primeiro mês foi na verdade MUITO difícil. Por isso escrevo hoje (na correria) um resumo dos dois primeiros meses!

1. mês e tamanho do bebê

O Thomas nasceu com 3470 g e 49 cm e saiu da maternidade com 3200 g. Na consulta de 1 mês ele já estava pesando 4700 g e medindo 54 cm. A consulta de 2 meses ainda será em uma semana, mas de acordo com a última pesagem da minha Hebamme há uma semana atrás, ele já estava com 5800 g. Fico super feliz que ele já engordou bastante desde a saída da maternidade, já que o começo da amamentação foi uma fase tão complicada. Escrevo mais sobre isso no ítem dificuldades. Ele já perdeu várias roupinhas e já veste algumas peças de número 62!

baby Thomas 1 mês

baby Thomas 2 meses

2. evolução do bebê

O primeiro mês do bebê é um tanto langweilig. O bebê praticamente só dorme, come, suja fralda e chora. A interação com os pais é pouca. Ele pode dar uns sorrisos, que são nada mais que reflexos e enxerga muito pouco, mas o suficiente para ver a mãe enquanto é amamentado. Mas a partir do comecinho do segundo mês as coisas começam a ficar muito mais interessantes. O Thomas já sorri assim que acorda e faz também uns barulhinhos muito gostosos <3. Ele já acompanha objetos com os olhos e se interessa por coisas coloridas. Já consegue levantar um pouco a cabeça quando está deitado de barriga e ri quando falamos com ele.

3. rotina do bebê

No primeiro mês foi difícil seguir uma rotina porque todo começo é meio caótico mesmo. Eu tentava levar ele pra cama as 19 horas, mas como ele mamava de hora em hora eu nunca contava com isso como o horário de dormir. Falando em dormir, ele praticamente não dormia a noite. Passava o dia dormindo e a noite só tirava cochilos e queria ser amamentado de hora em hora. Também não dormia no berço do lado da nossa cama. Só dormia em cima de mim. Mas hoje as coisas já estão bem melhores! Eu levo ele pro berço as 20 horas e ele dorme até as 23 ou 24 horas e depois acorda de três em três horas (na maioria das vezes dá tudo errado e tem muito chororô!!!). Porém as 6 da manhã ele já está ligadão e não me deixa mais dormir. Ele adora tomar banho. ADORA! Nunca chorou e sempre fica muito relaxado. As Hebammes (veja que criei um plural em português para Hebamme haha) aqui aconselham um ou no máximo 2 banhos por semana. Mas como ele é brasileiro também, toma 3, o que eu ainda acho pouco! Dizem que tem a ver com a água daqui que é pesada e prejudica a pele do bebê. Ele toma banho só com água, leite e umas gotinhas de azeite de oliva. As vezes eu passo um pouco de shampoo de bebê só pra dar um cheirinho a mais. Nossa rotina agora está mais regrada. Ele acorda as 6 e uma hora depois já tira o primeiro cochilo sozinho. Ao longo do dia ele só dorme se for junto de mim no sling. As vezes dá certo tirar e colocar ele na cama. Mas normalmente ele acorda :). Todos os dias eu brinco um pouco com ele no baby gym (feito por nós), mostro brinquedos com musiquinhas e fazemos um pouco de tummy time pra fortalecer o pescoço!

4. produtos favoritos

  • Pomada Lansinoh: eu nem sei o que teria feito sem ela! Infelizmente a amamentação não funcionou bem no começo. O Thomas não nasceu um mamador profissional e eu já saí da maternidade com um dos mamilos em carne viva e sangrando. A hora de amamentar era a hora do terror pra mim. Era ele mamando e eu chorando. Nós demoramos pra ajustar a pega de um lado e eu sofri muito com um mamilo fissurado até algumas semanas atrás. Fiz uso do bico de silicone por alguns dias até cicatrizar. Embora o uso do bico intermediário seja muito discriminado eu devo dizer que ele me ajudou muito. Mas mesmo assim eu não recomendo o uso. É totalmente chato ficar lavando após o uso e se o peito estiver com lanolina o bico fica deslizando. Não é nada prático. Eu aconselho as mamães-to-be ajustarem a pega ainda na maternidade. Mas enfim, a pomada é uma maravilha pra cicatrizar as fissuras. Hoje eu já vivo sem ela e amamento sem dor.
  • Sling: eu demorei a usar o sling diariamente por conta da minha cirurgia. Quando fui liberada comprei um da marca alemã Didymos e foi o melhor investimento que fiz até agora. Como escrevi acima, a maneira mais rápida de colocar ele pra dormir é no sling. Ele dorme e eu tenho as mãos livres pra fazer minhas coisas em casa!
  • Fraldinhas de pano e cueiros: eu tenho muitos e eles ainda não são suficientes! Fui sorteada com um Spuckkind. Um bebê golfador! Levamos ele no médico pra saber se era refluxo e felizmente não é. Pelo que ele já engordou o médico descartou a hipótese e disse que ele é apenas um comilão e golfador feliz. Aqui na Alemanha tem um ditado que diz: Speikinder sind Gedeihkinder, ou seja, bebês que regurgitam são bebês que engordam muito bem. Fico feliz que não é nada grave, mas a mamãe aqui sofre diiiimais com as golfadas!!! Eu tenho algumas fraldas de pano baratinhas e outras mais chiquetosas da Aden & Anais, Lässig e Fabelab que além de lindas são também de ótima qualidade. Cueiros são panos maiores (120 cm x 120 cm) e são ótimos para enrolar o bebê tipo um burrito. Criam um clima de aconchego como no útero e o bebê fica bem calminho.

5. dificuldades

  • Amamentação: a maior dificuldade que tive foi sem dúvida aprender a amamentar. Deveria ser a coisa mais simples e natural do mundo o bebê sair do útero e ir direto pro peito mamar direitinho. Mas não é. Bom, eu falo por mim. Tem mulheres que nunca sentiram dor. Apesar de toda a assistência que tive na maternidade, eu não conseguia aprender a tal da “pega correta”. Thomas me machucou muito, mas eu queria muito continuar e nunca cogitei desistir. Por isso lutei pra que desse certo. A dor não foi o único problema. Os meus seios aumentaram MUITO durante a gravidez e ainda mais depois que ele nasceu. Os primeiros dias com os peitos cheios de leite foram uma sofrência só. Eles pareciam um corpo estranho no meu corpo. Meu baby blues foi lá mesmo na maternidade. Por causa da cesariana o meu leite demorou dias pra descer. Na verdade só desceu mesmo quando voltei pra casa, depois de 5 dias. Eu queria muito amamentar, só que eu não tinha leite. Eu só tinha mamilos fissurados. Como tava muito difícil colocar ele pra mamar, eu usava a bomba pra estimular a produção de leite e isso doía mais ainda. Tirava míseros 2 mL de leite de transição (o que vem após o colostro) e dava pra ele na seringa. Eu chorava muito porque não queria dar fórmula pra ele. Mesmo assim tivemos que dar umas três vezes porque ele chorava de fome. Ele chorava de fome de um lado e eu do outro me sentindo super melancólica. No penúltimo dia na maternidade eu já conseguia tirar 20 mL dos dois peitos e ligava pro Kilian dizendo: caracas hoje eu tirei muuuito leite (hahaha). O leite foi aos poucos descendo e a minha tristeza foi passando! Hoje eu comemoro orgulhosa dois meses de amamentação em livre demanda e digo de peito aberto: eu amo amamentar! Não há nada melhor que eu possa fazer pelo meu filho!
  • Recuperação da cesariana: já escrevi um pouco aqui neste post, mas volto a repetir: a recuperação foi rápida mas muito dolorosa. Pra ser bem sincera, eu ainda senti dor até umas duas semanas atrás. Hoje posso dizer que já estou bem recuperada e livre de dor!
  • Falta de tempo e privação de sono: eu mordi a própria língua quando disse que a minha casa não iria ficar uma zona como a de fulana depois que o bebê nascesse. Hoje eu retiro o que disse e me compadeço das mães que reclamam da falta de tempo e do cansaço. Ainda não aconteceu de eu passar um dia sem tomar banho, mas já passei dias sem conseguir lavar o cabelo. O bebê bem novinho demanda muito do nosso tempo. Ele precisa de muito contato e apesar do cansaço aqui comigo é assim: peito a todo momento e muito colo. Os primeiros dias eu parecia um zumbi de tão cansada. E olha que tive a sorte de ter meu marido por um mês em casa. Só que mesmo com a baita ajuda que ele deu foi bem difícil viver com um bebezinho pendurado nos peitos doídos o dia todo e a noite toda. Muitas noites eu dizia com os olhos ardendo de sono: hoje eu não consigo, não tenho mais forças. Mas a verdade é: a gente acha! Não sei de onde tiramos força, mas conseguimos. Eu não tenho tempo pra cuidar da casa como gostaria, não tenho tempo pra cuidar de mim como gostaria, não tenho tempo pra fazer as coisas que gosto, como ler blogs, comentar, responder os comentários aqui no blog, fazer as unhas e etc. Mas eu sei que é apenas uma fase e que ela vai passar.
  • Palpites e comentários indesejados: não é bem uma dificuldade, mas sim chateações que tenho que lidar. Eu já passei a minha gravidez inteira ouvindo comentários chatos (alguns bem infelizes) e sabia que não seria diferente depois que ele nascesse. Ouvir que o meu filho já está mal acostumado me dá nos nervos! Mandam eu dar mamadeira pra ele dormir a noite toda. Dizem que o sling e dar peito toda hora vão deixar ele mimado e fazer ele rejeitar outras pessoas. Dizem que devo deixar o meu filho chorando só um pouquinho pra ele aprender a se acalmar. NÃO! NUNCA! Um bebê recém-nascido não tem o poder de manipular um adulto. Ele não sai do útero, o único lugar seguro que ele conhecia, com pensamentos de querer nos manipular. Se um bebê chora é porque algo o está incomodando, seja a fralda que está suja, fome ou simplesmente a necessidade de colo. Eu vou contra todos os que seguem essa ideia. É comprovado cientificamente que um bebê que é deixado chorando tem maiores chances de se tornar uma criança estressada. É também comprovado que o colo e a criação com apego ajudam o bebê a se tornar uma criança mais feliz e independente. Por isso eu dou muito peito e colo e se reclamarem eu dou mais peito, peito, peito e colo!

6. melhores momentos

Como nem tudo é só sofrência, os dias com ele são também recheados de momentos felizes! É lindo quando eu beijo a barriga dele e ele sorri durante a troca de fralda. É maravilhoso quando eu digo “bom dia gordinho” e ele me responde com um sorriso. É lindo como ele fica relaxado quando eu canto as “músicas da barriga” e faz parecer que ele se lembra delas. É lindo quando ele está calminho e sorri dormindo. É lindo quando ele entra em coma de leite e fica numa vibe muuuito maneira! É maravilhoso o cheirinho dele! Isso e outras coisas novas que acontecem todos os dias fazem as noites mal dormidas serem facilmente esquecidas. Quando me sinto perdida e desesperada sem saber o que fazer, basta apenas ele sorrir e aí fica tudo bem :)!

primavera a três

Eu passei a minha gravidez inteira literalmente sonhando com momentos como esse. Sonhando como seria caminhar entre árvores floridas com ele, tê-lo como principal motivo nas minhas fotografias, amamentá-lo da forma mais natural possível como na foto acima. Aos poucos muito do que eu idealizei tem se tornado realidade. Esse pequeno ser está conosco somente há dois meses, mas eu sinto que nós já fizemos tantas coisas juntos. Dizer que está sendo maravilhoso ser mãe dele parece muito óbvio. Mas é isso mesmo. É maravilhoso ser mãe desse bebê! É maravilhoso ver que todos os dias ele acorda um bocadinho diferente e com novas habilidades. É maravilhoso sorrir e já receber o sorriso dele de volta. É maravilhoso poder viver o que tanto sonhei. E é maravilhoso saber que temos uma vida inteira pela frente, várias primaveras como essa para vivenciar. Eu só queria era que o tempo fosse mais generoso e passasse um pouco mais devagar!

Felicidade nos define. Parece até que só agora é que a vida começou realmente a fazer sentido!

Mais fotos no meu perfil pessoal: @anaundkruemel

 

Oh Boy!

 

O tempo não perdoa. Passa rápido demais! Ele já vai completar 2 meses de vida e já não é mais esse bebê recém-nascido que praticamente só dormia o dia todo. A vida com ele está ficando cada dia mais interessante. Cada dia é uma nova descoberta, um novo milestone. Sorrisos, barulhinhos novos, olhares atentos de quem realmente já me conhece como mãe. Olho essas fotos e já sinto uma saudade imensa dos primeiros dias com ele aqui em casa. Uma saudade de fazer chorar!

“I’ll hold you for as long as you like
I’ll love you for the rest of my life”

[Calico Skies – Paul McCartney]

 

O dia dele – relato do meu parto cesárea

Dia 23 de fevereiro de 2017.

Acordei as 7 da manhã e já de cara não pude conter a loucura de sentimentos em que eu estava envolvida. A ideia de ter dormido com ele na barriga e acordar sabendo que em poucas horas ele seria retirado de dentro de mim ainda era difícil de aceitar. Tomei banho, chorei enquanto passava a mão na barriga pela última vez debaixo do chuveiro. Estava me sentindo estranha, difícil de descrever. Não era tristeza. Era uma espécie de inquietação, medo. Uma vontade de que tudo passasse muito rápido. Inevitavelmente um monte de pensamento negativo começou a me torturar. E se alguma coisa der errado? E se eu nunca mais voltar pra casa? E se ele não tiver pronto pra sair e tiver algum problema? E se, e se, e se…

Saí do banho, enxuguei as lágrimas, respirei fundo e disse pra mim mesma: calma, vai dar tudo certo! Comecei a expulsar da minha cabeça aqueles pensamentos horríveis afirmando que aquele era o DIA dele. Era o dia pelo qual eu tanto havia esperado e eu deveria me alegrar por isso. Que se dane se não vai ser como eu sonhei. Que se dane o meu egoísmo de achar que o jeito que eu queria era o jeito certo. Que se dane o corte na barriga. De uma vez por todas eu entendi que era pra ser daquele jeito. A ficha tinha caido. Eu estava a caminho da maternidade ter o meu filho.

Eu deveria chegar lá as 9 da manhã. Ela fica aqui do lado de casa. Literalmente 4 minutos de carro, então não me apressei. Era uma quinta, dia que eu completava semana de gravidez. Neste dia eu fazia 39 semanas e pra completar a evolução fotográfica da minha barriga, eu ainda tirei a última foto dela.

O parto

Chegando na maternidade recebi logo uma roupa e uma meia anti trombose. Me troquei e esperei na minha cama até as 12 horas, quando vierem me bucar e me levaram para a sala pré-parto. Lá fizeram controle de batimentos cardíacos e contrações. Minha cirurgia estava marcada para as 12:30, mas foi adiada por 1 hora por causa de uma cesariana de emergência. A moça da emergência teve bebê e voltou para o quarto sem ele. Em pouco tempo chega o médico pra dizer que o bebê estava com dificuldade de respirar e por isso teria que ser levado para a unidade intensiva por alguns dias. Ouvir essa moça chorar partiu o meu coração. Eu já estava até mais calma, mas essa notícia veio como uma bomba em cima de mim. Chorei por essa pessoa que nem o rosto eu tinha visto. Meu Deus, e se isso acontece comigo? Perguntei pro Kilian. Infelizmente nada está garantido, nada.

Poucos minutos depois chega uma médica com um aparelho de ultrassom. Eu pergunto pra ela: vocês estão fazendo tudo isso e se meu bebê tiver virado? Tem uns dias que ando sentindo movimentos lá embaixo. Ela responde: aí a gente cancela tudo e você vai pra casa esperar por mais contrações. Daí apalpa minha barriga, bem na área onde a cabeça dele sempre esteve e diz: mas eu garanto que ele não virou e me mostra na tela do computador. Que boba que eu sou! Ainda tive esperanças até o último momento!

Logo em seguida chega a anestesista e se apresenta. Eu senti uma paz imensa de conhecer aquela mulher! A enfermeira vem e coloca o cateter na bexiga (achei que seria uma dor horrível, mas não foi!) e me leva pra sala de cirurgia. Neste momento o Kilian teve que ficar do lado de fora. Era tanta gente naquela sala. Os médicos se apresentaram super simpáticos, perguntaram meu nome, o sexo do bebê e o nome dele e eu respondia tudo com os lábios tremendo de medo. Tremendo de medo da anestesia, de tudo. Uma enfermeira fica de frente pra mim e enquanto segurava forte as minhas mãos dizia que tava tudo bem, que logo tudo ia acabar e eu ia conhecer o meu filho. A anestesista foi explicando tudo o que fazia lá atrás. Primeiramente levei uma anestesia local e depois a espinhal. Não senti dor alguma! Que alívio! Em poucos segundos o bumbum começou a ficar dormente e assim também as pernas. Me deitaram e foram chamar o Kilian. Enquanto ele vinha, já levantaram aquele pano e eu ainda senti passarem algo gelado na minha barriga. Daí olhei pra anestesista e perguntei: de agora em diante eu não vou sentir mais nada? Nenhuma dor? Você me garante isso? Ela responde: Meine Liebe, der Bauch ist schon offen! (Minha querida, a sua barriga já está é aberta!). E eu digo assustada: Was? Echt? (Sério?). Ela ainda ri e diz: ja, Zauberei ist das! (Isso é tipo feitiçaria!). Nós começamos a rir juntas e eu acho que aquele foi o momento em que realmente eu me acalmei e vi que estava em boas mãos. Aconteceu tudo muito, muito rápido. Um dos médicos dizia o que acontecia lá do outro lado: “as perninhas nasceram”, “e agora o bumbum”, “é realmente um menino, você tinha dúvida?”, “e agora nasceu a cabeça”, “Willkommen Thomas, alles Gute” (seja bem-vindo Thomas, feliz aniversário!). De repende ouvi o choro dele. Tudo assim, em questão de poucos minutos. Imediatamente trouxeram o bebê pra mim e eu o toquei, beijei, cheirei, ainda todo ensanguentado. Nós chorávamos muito de tanta felicidade!

Enquanto me costuravam, levaram o bebê pra fazer os primeiros testes e tudo não demorou nem 10 minutos. Entregaram o bebê para o Kilian e finalmente eu pude viver o momento que tanto esperei. O nosso primeiro contato de pele. A melhor sensação que eu já vivi na minha vida! Mas ainda era tudo tão surreal. Eu não conseguia acreditar que ele estava comigo e era lindo! Lindo, lindo, lindo! Thomas nasceu com 3470 g e 49 cm, super saudável e logo procurando peito. Nós ficamos abraçadinhos por um tempão e quanto mais eu olhava pra ele, mais eu me apaixonava. Analisei cada pequeno detalhe do corpo dele. Tudo tão perfeitamente desenhado. Eu não parava de agradecer por aquele momento!

Depois da anestesia

As horas após o efeito da anestesia não foram nada bonitas. Meu filho estava lá, dormindo ao meu lado e eu não conseguia fazer mais nada a não ser chorar de dor. Eu sei que cada pessoa reage a dor de forma diferente. A minha experiência foi horrível! Eu não conseguia pregar o olho, mesmo com a medicação. Por volta das 10 da noite, depois que o Kilian foi pra casa (infelizmente não conseguimos um quarto privado) o bebê começou a regurgitar muito e eu fiquei louca sem saber o que fazer, já que não conseguia me mexer direito. Chamei a enfermeira que disse ser normal, era apenas líquido ingerido no parto. Ela disse que levaria ele se eu quisesse pra que eu pudesse dormir um pouco. Assim eu fiz. Eu não ia mesmo conseguir dormir preocupada com ele. Lá pelas 3 da manhã ela volta com ele e me diz que é o momento de eu levantar! Eu penso, como assim? Eu acabei de fazer uma operação de grande porte na barriga, como assim levantar pra ir ao banheiro? Ela tira a sonda e diz: a senhora vai ter que levantar. Vai doer muito, mas a senhora precisa levantar. Depois dessa primeira vez a segunda já não vai ser mais tão ruim.

Eu chorava (sou frouxa, eu sei) e achava que ia morrer de tanta dor. Tive que levantar usando só a força das pernas e segurando a barriga, sem o apoio dos braços. Tentei uma, duas, três vezes e nada de conseguir. Daí lembrei da moça que teve o bebê antes de mim. Lembrei também de uma amiga nossa que teve a bebê com 27 semanas e levantou logo depois do efeito da anestesia. As duas tinham uma coisa em comum. Tinham um bebê na sala de tratamento intensivo e precisavam ir ficar perto deles. Não sei de onde elas buscaram força, mas conseguiram. Já eu havia dormido enquanto alguém olhava meu bebê. Enfim, eu consegui levantar, andar encurvada até o banheiro e voltar. A enfermeira me disse que estava orgulhosa do meu esforço e me garantiu que a próxima vez não seria tão doloroso. E realmente não foi. Na manhã seguinte eu já consegui dar uma volta no corredor do hospital empurrando o bercinho do Thomas. Uma coisa que poucas pessoas me disseram é que depois da cesariana a gente só consegue andar encurvada, que precisamos literalmente aprender a andar novamente. Por isso os hospitais aqui na Alemanha só liberam a mulher depois de 4 ou 5 dias. No terceiro dia eu já conseguia andar melhor e passei a tomar menos remédio. Mesmo com a dor do pós-operatório eu devo dizer que a recuperação é rápida se a gente fizer tudo direitinho. Minha cicatriz já estava bem sarada no 4 dia e eu já não tinha mais tanta dificuldade pra andar. É importante ficar bastante tempo deitada, mas super importante também é se movimentar um pouco para que os tecidos voltem a crescer na região.

Eu tive muito medo. Medo de que meu parto fosse ser um momento de frustração, de que fosse me deixar traumatizada, de que eu não fosse conseguir amamentar após a cirurgia (assunto delicado que até merece um post). Mas depois de tudo eu confesso que foi um medo tão desnecessário. A equipe do hospital me passou muita segurança. Eu não me senti em momento algum desamparada. E melhor, a minha recuperação está sendo ótima. Ainda sinto dores, a região do corte é muito sensível e tenho sempre a sensação de que meus órgãos estão soltos dentro do abdômen. Mas nada que se compare à dor do primeiro dia. Eu respeitei a decisão do meu filho e de fato, a cirurgia foi a melhor escolha pra nós dois. Com ele nasceu também uma mãe, uma nova mulher. E apesar de tudo ainda estar complicado e muito difícil nesse comecinho, essa fase de conhecer ele melhor também está sendo muito gratificante. Eu me sinto realizada e agradeço a Deus todos os dias pela vida que Ele me permitiu trazer ao mundo.

Cada vez que olho pro meu filho eu tenho mais certeza de que a forma como ele veio ao mundo não importa. O que importa mesmo é que ele está aqui e saiu de dentro de mim. E então eu tenho muito orgulho de mim mesma!

o pai do meu filho

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Nós somos químicos e fotografia é uma grande paixão. Temos o gosto musical ridiculamente parecido. Fazemos amizades com muita facilidade, somos abertos a pessoas de várias culturas e nos interessamos por elas. Gostamos especialmente de levar uma vida simples. Ele mostrou e ensinou a menina nascida e criada na praia a se apaixonar pelas montanhas, a querer explorar mais a natureza. Juntos já conhecemos lugares fantásticos, vivemos experiências que eu nunca imaginei na vida que algum dia viveria.

Essa coisa de que os opostos se atraem só é verdade na física. No nosso relacionamento o que conta mesmo são as nossas afinidades. E como elas são muitas!

Nos encontramos pela primeira vez em dezembro de 2009 durante a festa de natal no instituto onde trabalhamos. Pensar que duas simples mudanças de planos tiveram o poder de mudar completamente as nossas vidas. Manchester era o destino que eu havia escolhido pra estudar e pra onde eu iria. Já ele não tinha certeza alguma se seria aceito na vaga de doutorado. Bem, eu fui mandada de última hora pra Mainz e ele foi aceito. Dois destinos que foram traçados através das decisões dos nossos chefes! De repente eu estava na Alemanha, na minha primeira confraternização com novos colegas de trabalho, batendo o maior papo com o cara mais legal da festa. Recém-chegada na Alemanha e completamente perdida, ele foi uma das primeiras pessoas que conheci e consegui manter contato. Ele foi uma das poucas pessoas que sem esforço demonstrou ser gentil, amigável e pronto pra me ajudar a encontrar o meu espaço. Ele foi praticamente o meu primeiro amigo aqui na Alemanha. Dois meses depois, há exatamente 7 anos atrás, no dia de São Valentim, nos beijamos pela primeira vez em um baile de carnaval. Ele estava vestido de viking, com uma tinta azul no rosto. Foi realmente ali que tudo começou. Foi o dia que escolhemos mais tarde como nosso. Não posso admitir que foi amor à primeira vista. Ele também não. De fato, foi um relacionamento moldado pelo tempo e pela distância. Depois que deixei a Alemanha e voltei pro Brasil levei quase 2 anos pra terminar o meu doutorado. Acredito que esse tempo foi crucial pra que nós pudéssemos ter certeza dos nossos sentimentos. Foi um período muito difícil, com muitas idas e vindas e despedidas dolorosas. Mas um período que também nos fez bem. Com o passar dos meses vimos que não fazia sentido vivermos separados. Nós queríamos definitivamente ficar juntos.

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Há 7 anos atrás eu finalmente tive a sorte de encontrar o meu amor tranquilo e essa é uma parte da nossa história contada em poucas linhas. Ela pode não ser a mais bonita ou digna de páginas de livros de romance. Mas ela é nossa. E é única. Hoje celebramos 7 anos juntos. Em alguns dias celebraremos a chegada do nosso filho, fruto do amor que construímos juntos e pelo qual eu sou tão grata. O nosso bebê tão desejado, que já amamos tanto, tanto! Em alguns dias uma outra parte da nossa história começará a ser escrita e eu mal posso esperar por isso. Sei que vai ser tudo novo, desafiador e assustador também. Mas o fato de ter tido essa pessoa ao meu lado em todos os momentos que precisei, e especialmente agora nessa reta final que está sendo tão delicada emocionalmente pra mim, só me faz ter mais certeza no coração de que eu escolhi para o meu filho o melhor pai do mundo!

Fotos tiradas por nós dois na Penísula de Snæfellsnes, Islândia, em Maio de 2016.

6on6 #Januar

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Janeiro (lê-se Ianuar em alemão) foi um mês muito frio na Alemanha toda! Infelizmente caiu pouca neve aqui na minha cidade, mas tivemos dias com temperaturas que chegaram a -15 graus! Não me lembro de no ano passado ter chegado a isso. Ficou difícil sair de casa, mas mesmo assim continuei fazendo as minhas caminhadas diárias. Até que peguei um resfriado fortíssimo que durou duas semanas. Fiquei de cama e me tratei com muito descanso, chá e água. Ao longo do mês eu praticamente não peguei na câmera pra fotografar. O mês passou tão rápido e era tanta coisa ainda pra organizar que não me sobrou tempo pra pensar em fotos. Mas em compensação fizemos um ensaio com uma fotógrafa brasileira lá pertinho de Munique e pelo pouco que vi já fiquei super satisfeita. Tô aqui esperando ansiosa pelo resultado!

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foto 1: moody day. Nada melhor que meias quentinhas pra ficar em casa em dias de muito frio e resfriado. Uma foto de pé sem barriga? Difícil de fazer! 

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foto 2: o primeiro dia do ano. Ensolarado, frio, mas muito lindo! Mais fotos desse dia aqui nesse post.

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foto 3: nós dois e o pequeno buda. Terminei o mês no começo da semana 36 da gestação. Thomas ainda sentadinho e sem demonstrar nenhuma intenção de se virar. Aliás, hoje mesmo pela manhã tivemos que tomar uma decisão muito importante: escolher o dia do nascimento dele. Sim, do jeito que eu nunca imaginei ou sequer planejei. Coração está hoje assim oh 💔! Mas isso é assunto pra outro post.

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fotos 4, 5 e 6: o lago Brombachsee, que fica a uns 50 km daqui de casa congelou por completo. Eu nunca tinha visto um lago totalmente congelado na vida. O Kilian aproveitou pra patinar, eu só o acompanhei e fiz essas fotos e vídeos pro instastories. Não me atrevi a entrar com medo de escorregar e cair com a pança no gelo. Mas mesmo do lado de fora do lago foi uma coisa linda de se ver!

Bom, não tenho ideia de como será o 6 on 6 de fevereiro. Mas uma coisa eu já posso prometer: vai ter foto de bebê fresquinho que vai ter acabado de chegar ao mundo!

O mês de janeiro da Taís (Irlanda) | Paula (Holanda) | Alê (Ucrânia) | Lolla(Inglaterra)

Tre Cime di Lavaredo – Dolomitas italianas

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Viajar de carro pela região das Dolomitas (Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO) foi uma das experiências mais fantásticas que eu já vivi. Fazia tempo que eu admirava essa região por fotos no instagram e quando finalmente coloquei os pés lá eu quase não consegui acreditar que aquilo tudo existia de verdade. Para quem não sabe, foi lá onde nós passamos a nossa babymoon! Obviamente eu consultei o meu médico antes pra saber se realmente não tinha problema uma grávida estar acima de 2500 metros de altitude e ele me garantiu que eu poderia ir despreocupada, contanto que não fosse subir montanha nenhuma a pé. Mas isso não estava nos nossos planos! Eu estava com quase 19 semanas, o nível de ferro estava okay e eu estava me sentindo muito bem. Então não havia motivo algum para preocupação. Com o pouco tempo que tínhamos e o fato de eu não poder fazer trilhas longas e difíceis, tivemos que escolher cuidadosamente os nossos destinos. Um deles foi o Lago de Braies (ultimamente um dos posts mais visitados do blog!), o segundo foi Lavaredo (Drei Zinnen em alemão) e o terceiro a região de Val Gardena, que mostrarei no último post desta série.

Nós estávamos hospedados em Cortina d’Ampezzo e de lá levamos cerca de meia hora até chegarmos no Lago Misurina. A previsão do tempo não errou e logo cedo o céu já estava azulzinho. O dia prometia!

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Fazer trilha nos alpes é um tanto interessante. Não é só sair andando sem rumo não como muitos pensam. Existe sempre um objetivo. Seja ela o pico de uma montanha ou uma cabana (Hütte). Nós escolhemos esse percurso porque ele é em grande parte plano. A trilha começa a 2320 metros (Auronzo Hütte) e permanece praticamente nessa mesma altitude. Pra quem quer economizar forças e tempo subindo montanha acima por estes 2000 metros, existe a possibilidade de ir de carro até um estacionamento que custa 25 euros. Bastante caro né? Mas acredite, vale cada centavo!

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A trilha inteira demora no máximo 4 horas (ida e volta), mas nós planejamos passar o dia inteiro lá em cima. Levamos a nossa Vespern (normalmente o que um alemão leva dentro da mochila num dia de hiking, por exemplo: pão, fruta, tomate, água, barrinha de cereal e etc.) e caminhamos tranquilos, fizemos pausas e fotografamos sem nos preocupar com o tempo.

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Abaixo uma foto que mostra os três cumes (die Drei Zinnen) com suas respectivas altitudes. Eles são exuberantes de todos os ângulos, por isso não me assusto com o zilhão de fotos que tiramos. A imponência dessas montanhas é algo surreal. Eu quis MUITO fazer essa viagem e estar lá, carregando o meu bebê na barriga e com a minha melhor companhia foi simplesmente lindo! A realização de um sonho!

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nós três ❤

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Como se não bastasse o espetáculo que foi passar o dia rodeados por montanhas majestosas, no finalzinho da tarde quando estávamos voltando para o estacionamento nós ainda demos de cara com pôneis e cavalíneos lindos enfeitando a paisagem!

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Que dia! Nos despedimos de Lavaredo com um pôr-do-sol maravilhoso e com a certeza de que iremos voltar. E quem sabe até repetir a foto com o nosso Thomas, porque se depender do papai e da mamãe ele será tão aventureiro e apaixonado pela natureza quanto nós!

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33 semanas com meu pequeno buda

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Três semanas se passaram desde a minha ultrassom de 30 semanas. Nela a gente viu que o bebê estava na posição transversa, ou seja, a cabeça no lado direito, bundinha no lago esquerdo e os pés de alguma forma também no lado direito. Tudo bem, o médico disse que ainda era um pouco cedo pra se preocupar, mas não deixou de mencionar a tal da cesariana. Concordo que seja total ignorância minha, mas eu nem sabia que existiam tantas posições pra o bebê se acomodar dentro da barriga da mãe. Eu fiquei preocupada, obviamente. Escutar a palavra cesariana naquele dia foi como um banho de água fria. Quero deixar bem claro que não tenho nada contra o procedimento e que até entendo que ele numa situação de emergência pode salvar vidas. Só que uma cesariana nunca esteve nos meus planos.

Ontem na consulta de 33 semanas descobri que o bebê está agora sentadinho, exatamente como um pequeno buda. Super confortável! Eu na verdade já até suspeitava que ele não tivesse virado. Há dias eu podia sentir a cabeça dele pressionando as minhas costelas e uma pressão muito grande na bexiga devido aos pés dele.

Comecei loucamente a ocupar a minha cabeça com o assunto e de acordo com um artigo que li no site na maternidade de Nuremberg, cerca de 5% dos bebês não viram até a hora do parto. Isso me trouxe uma paz muito grande! Pensei: nós ainda temos uma grande chance de não fazermos parte desta percentagem! Só que vi também que entre as semanas 32 e 33 a grande maioria dos bebês já estão na posição cefálica. Infelizmente eu não vejo mais nenhum esforço dele pra tentar sair dessa posição. Desde que descobri que ele estava transverso, todos os meus esforços se voltaram para que o meu corpo pudesse ajudar esse bebê a virar de cabeça pra baixo. Comecei a nadar, fazer exercícios na bola de yoga, andar mais e dormir só do lado esquerdo. Três semanas se passaram e nada. Podem é me dizer e repetir que eu esteja exagerando, mas eu estou profundamente apreensiva. Há 8 meses tenho planejado um parto normal e até mesmo antes de engravidar, eu sempre soube que queria passar por esse momento que eu acredito ser uma verdadeira transformação física, emocional e espiritual. Me agarrei firme na ideia de que o parto natural seria um grande marco na minha vida. Estou tendo uma gravidez sem riscos e complicações e tudo caminhava para a realização desse sonho e agora a ideia de tirarem o meu filho de dentro de mim com data e hora marcada me deixa muito assustada.

Meu médico sugeriu esperar até a semana 36, repetir o exame e se for constatado que ele continua sentado, vai me encaminhar para o hospital para uma conversa com a equipe sobre o plano de parto. Tudo indica que a partir de 37 semanas fica improvável que um bebê se vire sozinho por causa do seu tamanho. Ele me sugere fazer a cesariana com 38 semanas. Eu e Kilian negamos a sugestão. Achamos 38 semanas muito cedo pra tirar ele daqui de dentro. A minha Hebamme (doula) ainda acredita que ele possa virar e me sugeriu começar a acupuntura. Ele não sugere fazer a versão cefálica externa e eu também não a faria de jeito nenhum. Li ontem também que a maternidade de Nuremberg realiza por ano uma média de 200 partos pélvicos. Eles acreditam que um bebê pélvico não é sentença para cesariana. Mas a ideia me parece um pouco absurda. De qualquer forma estou com vontade de visitar a maternidade só pra ter uma ideia de como seja isso, saber das vantagens e desvantagens em relação à cesariana.

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Bom, mas os últimos dias também tiveram o seu lado despreocupado. Eu já não sinto mais dor na lombar ao dormir e por três noites seguidas tenho dormido muito bem! Escrevo isso com uma felicidade imensa, porque as noites mal dormidas estavam me deixando muito rabugenta e desmotivada. Outra coisa é que o fato dele já estar grandão e sentado faz tudo ser muito mais real. Quando ele se estica e a cabeça sobe eu posso literalmente sentir os ossinhos dele. Passo a mão e parece que tô acariciando a cabeça dele fora da barriga. Com o bumbum é a mesma coisa. É muito louco! Pena que não consigo sentir os pezinhos dele, que estão ocupados chutando a minha bexiga.

As próximas semanas até a próxima consulta serão de espera pela tal da cambalhota e de planejamento também. Eu sei que não vou deixar de ser mais mãe se tiver que passar pela cesariana. Por isso estou tentando trabalhar a ideia internamente para que no fim (se for mesmo o nosso caso) o meu parto não seja um momento de frustração. Mas como que pode ser né? Acredito que a partir do momento em que uma mãe escuta o choro do filho, seja depois de um parto normal ou de uma cesariana, todo o resto passa a ser como se diz por aqui “völlig egal” (totalmente sem importância)!

Se alguém que acompanha o blog tiver passado pela experiência de ter um bebê pélvico ou da cesariana e quiser compartilhar comigo a sua experiência (seja boa ou ruim) eu ficarei muito grata!

No mais sigo na torcida #virathomas

 

Lago di Braies nas Dolomitas italianas

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Depois de termos visitado o Lago di Garda nós seguimos em direção as Dolomitas italianas, uma região montanhosa no norte da Itália (Südtirol) que de tão especial faz parte do Pratimônio da Humanidade pela UNESCO. Viajar de carro por essa região foi uma experiência inesquecível. É tanta coisa pra ver que fica muito difícil decidir quais destinos visitar. O Lago de Braies (em alemão Pragser Wildsee) não poderia ficar de fora do nosso roteiro. Braies é um lago alpino relativamente pequeno, mas a sua localização privilegiada no Vale di Braies em Bolzano o faz ser chamado de pérola das Dolomitas e um dos pontos turísticos mais procurados.

Chegamos lá por volta do meio dia e o sol estava ti-nin-do. Minha grande expectativa era fotografar esse lago com o reflexo das montanhas na água. Levamos tripé, filtro, tinha tudo na bolsa. Mas o vento forte não colaborou em nada. A água linda e clarinha do lago não estava calminha, tornando impossível fazer a minha foto tão idealizada. Não se engane, não é em qualquer condição que um fotógrafo faz fotos #phodas. Estar no lugar certo, na hora certa, com a luz e cenário certos te ajuda tipo 99%.

Mas isso não nos desmotivou em nada! O lugar é realmente tão fascinante que só o fato de estar lá já bastou. O tempo que tínhamos era aquele e nós o aproveitamos da melhor forma possível!

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Nós caminhamos ao redor do lago, o que levou cerca de 1 – 1,5 h, por um caminho super fácil. Não chega a ser uma trilha e sim um passeio agradável. Eu estava com quase 19 semanas e já me achando super grávida rs! Mas como se vê na foto abaixo o meu buchinho estava apenas começando a crescer.

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Desta casinha charmosa pode-se fazer passeios de barco pelo lago. É tudo muito encantador, mas não teve clima romântico algum que fizesse meu marido topar fazer o passeio comigo. O motivo foi o preço mesmo, 18 euros por hora. Eu disse que ele só serve pra fazer turismo dentro da Alemanha mesmo, onde ele acha tudo mais barato rs. Mas por um lado ele está certo. Ficamos um pouco chocados com os preços das atrações e restaurantes. Mas né, se pra tudo a gente for olhar só pro lado financeiro nem tiramos os pés de casa. Fazer turismo custa caro, ainda mais quando o lugar tem esse cenário privilegiado. Enfim, não fizemos o passeio e eu tive que me contentar em só observar quem fazia #xatiada!

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Saí de lá sem ter feito a foto que queria e sem fazer o passeio de barco. Mas mesmo assim valeu muito a pena! O dia e o tempo estavam maravilhosos. Ficamos hospedados em Cortina d’Ampezzo, não muito longe de Braies. Lá as cadeias de montanhas são ainda maiores e foi de lá que fizemos o passeio mais esperado da viagem: Tre Cime di Lavaredo. Conto como foi no próximo post!

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zweitausendsiebzehn

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Bem-vindo 2017! Eu nunca estive tão ansiosa para um ano começar quanto agora. O dia de hoje marca para mim uma contagem regressiva até o dia do nascimento do Thomas. Se ele chegar na data prevista, dia 02 de março, ficam faltando exatamente 60 dias. Como não iniciar este ano já tão feliz?

O ano de 2016 foi um ano difícil pra nós, especialmente a sua primeira metade. Mas eu não quero mais tocar neste assunto. A segunda metade foi só alegria e tudo o que foi triste ficou literalmente pra trás. Muita coisa legal aconteceu no ano passado também. Nós fizemos juntos viagens fantásticas. Estivemos na Islândia, Suíça, França e Itália. Foi o ano que mais viajamos e para a minha vergonha, o que menos publiquei aqui no blog. Eu tinha tantos planos de escrever sobre os lugares por onde estivemos, mas terminei o ano cheia de posts no rascunho e sem disposição alguma pra escrever.

Em dezembro eu fiquei mais velha e comemorei os meus 34 anos com o cabelo mais curto e com um bebê de 29 semanas na barriga. Pode até parecer clichê demais dizer que ele foi o meu melhor presente. Mas foi mesmo! E digo o mesmo para meu presente de natal, de ano novo e de todos os outros dias que tenho pela frente.

Iniciamos o mês de janeiro na semana 32 da gestação e com um dia lindo! Ontem a noite o termômetro marcou -8 graus e amanheceu tudo congelado. Mas o frio não nos intimidou. Nos vestimos quentinhos e fomos respirar o ar gelado e fazer os primeiros registros do ano.

Minhas resoluções para 2017? Viver intensamente cada dia deste ano que será sem dúvidas o melhor da minha vida. O ano do nosso filho!

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O blog tem tomado um rumo diferente com todos esses posts sobre gravidez e futuramente sobre maternidade e talvez possa deixar de ser (ou já até tenha deixado de ser) interessante para algumas pessoas. Mas eu não quero e nem pretendo me limitar a escrever só o que poderia agradar a quem passa por aqui. Afinal eu não posso esquecer que, acima de tudo, eu escrevo neste blog para mim mesma e escrever sobre essa experiência maravilhosa tem me deixado muito viva, muito feliz. Aos que ficam, eu agradeço de coração pela amizade. Foi muito bom receber o carinho de vocês no ano passado!

Desejo um ano muito feliz para quem me acompanha. Muito, muito amor e paz na vida de vocês!