7 on 7 – Quem sou eu

7 on 7 –  Quem sou eu

A Karine, do blog Coffe, rock & beer me convidou para participar de mais um projeto fotográfico. Dessa vez integrando um time de 7 blogueiras! 
Nós iremos postar sete fotos sobre um determinado assunto do nosso mundinho no dia sete de cada mês. 

O lado bom de participar de um projeto como esse é que ele me tira da minha zona de conforto. Me impulsiona a produzir mais conteúdo pro blog. Me dá oportunidade de explorar a minha criatividade, me faz ter vontade de sair com minha câmera para fotografar. Eu não o encaro como uma obrigação mensal, mas sim como uma tarefa que me dá satisfação de executar.

Como post de abertura, nada melhor do que falar um pouco sobre cada uma de nós. Então aqui estão alguns fatos sobre mim que vocês talvez ainda não saibam.

  • Eu sou Ana, moro na Alemanha desde 2013, mas já morei aqui no ano de 2010. O que me trouxe pra cá foi o meu doutorado em química. Conheci o meu esposo Kilian (que também é químico) no instituto onde trabalhamos. Casamos em 2013 e em 2017 tivemos a graça de ter o nosso primeiro filho. Mais sobre como nos conhecemos aqui neste post. Vivemos numa cidade reativamente pequena, ao lado de Nuremberg, na Baviera. Eu gosto da tranquilidade de Fürth e não trocaria a vida pacata que temos pela vida agitada de nenhuma cidade grande. No momento cuido do Thomas e trabalho como fotógrafa. 
  • Eu sou de Fortaleza, falo arrastado e um monte de gírias cearenses. Sou a típica cearense que gosta de comer tapioca, cuscuz, baião de dois. Morro de saudades da família, mas não tenho saudade nenhuma de morar em Fortaleza. Vou duas vezes ao ano pra lá e aproveito muito o mar, as comidas, os meus sobrinhos que tanto amo.
  • As montanhas são my happy place! Foi amor à primeira vista! Conheci as montanhas pela primeira vez no inverno de 2010 quando visitei o castelo de Neuschwanstein. E de lá pra cá eu sempre procuro planejar as nossas viagens para alguma região montanhosa. Sou fã dos alpes alemães, mas o lugar que mais me marcou até hoje foram as Dolomitas Italianas
  • Eu sonho em comprar um motorhome! E Kilian também. Talvez esse seja um projeto para a nossa velhice. Mas como ainda falta bastante tempo pra gente chegar lá, vamos planejando as nossas viagens com um motorhome alugado. Depois da experiência incrível que foi viajar pela Islândia por duas semanas, nós iremos repetir a dose – dessa vez com Thomas, obviamente – na Escócia. A viagem está programada para maio do ano que vem. No ano seguinte queremos subir até a Noruega ou Suécia. Sempre the way up north
  • Aprendi com o meu marido a gostar de hiking. Ele aprendeu com os pais e pratica desde bem pequeno. Eu ainda estou bem longe de chegar ao nível dele, mas aos poucos tenho melhorado a minha condição física e superado alguns dos meus limites. 
  • Eu adoro fotografar eles dois. Ainda mais quando estamos na natureza e Thomas pendurado nas costas do pai. Desde bem pequeno ele é acostumado a ambientes naturais como floresta, montanhas. Ele adora caminhar, é uma criança bem ativa e um bom parceiro de viagem. A gente sempre diz aqui em casa que a nossa tarefa é passar pra ele as coisas que mais gostamos de fazer. Eu fico encarregada da parte criativa e fotográfica e ele com a parte geográfica (Kilian é um verdadeiro nerd da Geografia). E juntos passamos pra ele a nossa paixão por estar fora de casa explorando a natureza.
  • Eu nasci e me criei na favela. Eu e meus irmãos tivemos uma infância muito pobre e sem privilégios. Vivíamos do básico do básico. Mas sempre gostamos de estudar e trabalhar (tenho irmã doutora em matemática e meus outros irmãos são formados/concursados). Estudei em colégio público a minha vida toda e na base de muito esforço consegui ingressar em uma universidade federal no meu primeiro vestibular. Isso é uma das coisas que mais tenho orgulho na vida. Durante a gradução eu dei aulas particulares, fui aluna de iniciação científica e assim conseguia pagar o transporte e a minha alimentação na faculdade. Vivi de moedinhas contadas por um longo período da minha vida. Fui uma ótima aluna, graduei no tempo certo e logo em seguida ingressei no mestrado. Fui professora de escola pública por um tempo, mas eu queria mais. Eu queria ser professora de universidade. Resolvi ir além e fui fazer doutorado. E foi durante esse período que tive a chance de vir estudar na Alemanha. Não consegui me tornar professora de universidade, pois o destino me trouxe de vez pra cá, pra esse país de língua difícil. Mas até isso eu consegui aprender. Larguei mão da minha carreira no Brasil pra recomeçar do zero aqui na Alemanha. A minha bagagem é grande! São anos vividos em função de um único objetivo: o de aprender mais. Falo três línguas, sou uma pessoa super criativa e aqui desenvolvi o meu lado fotográfico que eu sequer imaginava que tinha. Bom, isso é só um resuminho e a minha intenção não era passar pra ninguém nenhum mimimi. Resolvi contar esse meu lado mais pessoal aqui, porque na verdade eu nunca falei sobre as minhas origens e achei essa uma ótima oportunidade. Elas são duras, sofridas, mas ricas. Foi pelo simples fato de eu nunca ter esquecido quem eu realmente sou e de onde venho (e também nunca ter tido vergonha!) que hoje estou aqui. Essa sou eu de verdade. Muito prazer!

Quer saber um pouco mais sobre as outras blogueiras? É só clicar nos links abaixo:

Tais – Nyr Dagur | Karine – Coffe, rock & beer| Stéfhanie – Nosso relicário | Katarina – Outro blog | Cíntia – Love Geek and Travel | Gi – Caos arrumado

Instagram do blog @thisgermanlife

Islândia – paradas obrigatórias entre Vík e Jökulsárlón

Islândia – paradas obrigatórias entre Vík e Jökulsárlón

Campos de lava Eldhraun

Eldhraun é um campo de lava coberto por musgos que se vê ao dirigir pela costa sul da Islândia, antes de chegar à aldeia de Kirkjubaejarklaustur. Esse campo de lava é o mais extenso do mundo. São mais de 500 quilômetros quadrados de lava pedrificada decorrente de um longo período de erupção no final dos anos 1700.  Este foi um evento davastador, não só para a Islândia, mas também para toda a Europa. No país as consequências foram enormes, levando à destruição de campos, fracassado da colheita e à fome. 

Hoje é um local de grande visitação. Ao dirigir em direção ao parque nacional Vatnajökull, você percorre vários quilômetros tendo como única paisagem esses campos de lava. Eu achei fenomenal caminhar por ele. Parecia que estava caminhando em outro planeta. Totalmente surreal!

Local típico onde passávamos a noite!


Canyon Fjaðrárgljúfur 

O nome esquesito pode até assustar, mas esse lugar é impressionante! Esse desfilladeiro tem 2 km de extensão e o rio Fjaðra com suas águas cristalinas vindas das gelerias passa por ele. O lugar é acessível por uma pequena estrada ligada à Ring Road, é só seguir as placas de sinalização. Entrada e estacionamento são gratuitos. Você pode caminhar este percurso por uma trilha linda e fácil. Pertinho do estacionamento tem uma área que dá acesso a “entrar” no cânion. Neste dia o nível da água estava bem baixo e nos possibilitou fazer as umas fotos bem legais lá de dentro. 

Fotos no meio da Ring Road?

Tá, essa paradinha aqui eu nem deveria estar aconselhando fazer. Tem gente que julga perigoso. Mas voltar pra casa e não ter uma foto no meio da estrada é tipo imperdoável! Basta olhar com muita atenção as duas direções e agir rápido, oxe! Foi no caminho para Jökulsárlón que nós resolvemos nos aventurar. Olha só essa estrada completamente livre! Estava pedindo mesmo pra gente parar o carro e fotografar :). Também fizemos fotos assim no norte do país, mas eu ainda vou chegar lá!

Cachoeira Svartifoss

Ela fica no parque nacional de Skaftafell. A trilha para se chegar até ela é muito bem sinalizada e dura apenas uns 30 minutos. Essa foi uma das trilhas mais bonitas que fizemos na Islândia.

Svartifoss é uma cachoeira incrível, mas ela não se destaca pela altura da queda d’água e nem por seu volume (principalmente se comparada com as cachoeiras que já vimos até agora) mas sim por sua beleza geológica. O cenário é composto por tubos hexagonais resultado de sua formação vulcânica (exatamente como os da praia deReynisfjara). 

Geleira Vatnajökull

Um grande arrependimento que tenho de ter passado por esse parque nacional é não ter visitado a Vatnajökull, a maior geleira da Europa. Meu sonho da vida era fazer a caminhada sobre a geleira com um guia, mas acabamos não tendo a felicidade de realizar. Acabou não dando pra incluir no nosso roteiro. É também um passeio super caro, cerca de 150 euros por pessoa. Na verdade eu nem sei se algum dia ainda irei realizar esse sonho. Mas enfim, tivemos a oportunidade de pelo menos ver um pouco dela de cima. Depois que saímos da Svartifoss, seguimos uma trilha que tinha vista para uma pequena parte da geleira. Foi de lá que vivenciamos um fim de tarde espetacular e criamos ainda mais expectativas para o próximo destino dessa jornada: Jökulsárlón, a lagoa dos icebergs. O lugar que literalmente me arrancou lágrimas dos olhos.

to be continued…

Explorando Oberstdorf

Explorando Oberstdorf

Já virou tradição aqui em casa: todo ano na época do outono nós fazemos as malas e vamos para as montanhas. Há três anos atrás, nessa mesma época do ano visitamos Berchtesgarden, a minha região favorita na Alemanha, e fizemos trilhas sensacionais. A ideia de ter um bebê já estava nos nossos corações. Há dois anos atrás, estávamos nas Dolomitas Italianas realizando um sonho meu antigo de visitar essa parte magnífica do planeta. Thomas já estava no forninho com apenas 19 semanas. Durante a mesma viagem nós acampamos num lago na Áustria. Há um ano atrás nós resolvemos explorar uma região diferente e fomos para o parque nacional da suiça saxônica. Essa foi a primeira vez que fizemos trilha com o pequeno. A ida às montanhas ficou para o inverno e uma viagem meio que mal programada acabou se tornando uma das melhores viagens que já fizemos.

Esse ano nós decidimos ir conhecer os alpes do Allgäu, mais especificamente, a região de Oberstdorf. Infelizmente, na nossa semana por lá nós tivemos dois dias de chuva que nos limitou a ficar em casa. Nós nos hospedamos num Ferienwohnung, que é tipo um apartamento de férias todo equipado, com vista pras montanhas e super aconchegante.

Os dias de sol foram aproveitados fora, obviamente. Saíamos logo após o café da manhã e voltávamos pra casa na hora de preparar a janta.

O primeiro lugar que visitamos foi o pico da montanha Nebelhorn, que fica a 2224 metros de altitude. Calma, nós não subimos tudo isso a pé não! Foi um teleférico que nos levou até lá em cima. Uma vez no topo, nós escolhemos fazer a trilha que nos levaria até o lago alpino Seealpsee. A previsão do tempo dizia que havia caído neve a noite toda e isso só nos deixou ainda mais animados para subir. Uma forte neblina tomava de conta da paisagem e a gente saiu andando sem ver sequer para onde estávamos indo. Mas a neblina foi aos poucos se dissipando e o céu azul aos poucos aparecendo. Parecia coisa do outro mundo! Aquelas nuvens imensas passando entre os picos das montanhas e a gente andando por essa imensidão branca. Que sorte a gente teve!

Outro lugar lindo que visitamos é o lago Freibergsee. A trilha até lá é fácil, mas cansativa por ser bastante íngrime. O dia estava nublado, exatamente como gosto. Dias nublados proporcionam a melhor luz para fotografar, quem concorda? Demos a volta ao redor do lago, que não demorou mais do que 1 hora e meia.

No mesmo dia à tarde visitamos o Breitachklam, um desfiladeiro de 2,5 km criado pelo rio Breitach, formado há mais de 10.000 mil anos atrás. Os paredões de pedra tem mais de 150 metros de altura e o caminho é todo rodeado por eles, numa trilha linda margeando o rio. Esse é um passeio super fácil e bem família.

No dia seguinte subimos de teleférico até o pico da montanha Fellhorn a 2039 metros de altitude e fizemos mais uma trilha espetacular por um caminho bem estreito, exatamente na fronteira com a Áustria. A trilha do pico do Fellhorn até o lago Schlappoldsee tem cerca de 6 km e nós percorremos esse trajeto em menos de 3 horas. A trilha tem dificuldade média em certos trechos e cabos de aço dão suporte a quem caminha. A vista para o vale e montanhas ao redor são de cair o queixo. Eu pedi tanto por um dia nublado pra essa trilha (sim, eu sou a louca do combo montanhas + moody weather), mas o que tivemos foi um dia de sol e céu totalmente livre de nuvens. Esse dia foi bem cansativo por causa do calor. Saímos de manhã cedo e o tempo ainda estava muito frio e com o passar das horas o tempo foi esquentando e tivemos que ir tirando todas as camadas de roupas que tínhamos e ir socando na mochila que já não tinha mais espaço. Apesar do céu sem nunvens, o dia foi lindo e a trilha deixou gosto de quero mais. Aliás, voltaremos algum dia, sem dúvida! Essa montanha é famosa por suas flores alpinas durante o verão (Alpenrosen) e esse espetáculo (imaginem um mar de flores vermelhas espalhadas por essas montanhas!) eu preciso ver de perto.

Meus garotos lá em cima!

Uma das coisas que mais amo na vida é ver o dia amanhecer nas montanhas. Quem já esteve numa região montanhosa deve ter uma ideia do que estou falando. É um verdadeiro privilégio ver o sol surgindo entre os picos das montanhas, a grama ainda molhada pelo orvalho, a neblina que vai se dissipando aos poucos e cedendo vista para a paisagem que eu mais adoro contemplar. É simplesmente fantástico caminhar por esses vales!

Neste dia fomos conhecer o pequeno porém fantástico lago Christlessee (foto de abertura do post). Ele é tão pequeno que no mapa parece mais um poço de água. Kilian não queria perder tempo indo lá, mas eu já tinha visto algumas fotos dele no instagram enquanto fazia a programação da viagem e tive que insistir pra gente ir lá. Ele não se arrependeu, obviamente. O acesso até o lago é somente de ônibus local ou a pé. A trilha é fácil e tem uns 7 km (ida e volta) e o caminho é todo feito por um vale lindíssimo.

No último dia da nossa viagem nós saímos da região do Allgäu e fomos até o Tirol na Áustria. Nós adoramos visitar lagos alpinos e o Vilsalpsee já estava nos nossos planos há um tempo. De lá iniciamos uma trilha bem confortável de 7 quilômetros através do vale Tannheimer que nos levaria até uma cachoeira.

Fizemos piquenique à beira do lago, Thomas se divertiu muito jogando pedrinhas na água e nós fechamos com chave de ouro a nossa semana nas montanhas. As fotos que seguem são as mais lindas dessa viagem. Uma pena que não temos registros de nós três juntos. Nem selfie nós tiramos. Mas enfim, foi maravilhoso carregar o nosso Thomas nas costas todos esses dias e apesar de alguns protestos pra entrar no carregador, ele gostou sim de observar o mundo por esse ângulo.

Eu postei várias outras fotos nos stories do meu instagram @ana_schuller e deixei lá nos destaques. Quem tiver interesse clica lá pra ver!

E finalmente eu criei uma conta só para fotos que posto aqui no blog. Os posts passados e outros lugares que visitamos vão ficando aqui esquecidos e por isso resolvi criar um lugar para relembrar as nossas viagens. A conta tem o mesmo nome do blog. Acompanha lá: @thisgermanlife.

Desculpa o post longo e cheio de fotos, mas as oportunidades de vir aqui estão no momento bem limitadas. Então quando dá eu aproveito! Até a próxima ❤

Islândia – Dyrhólaey, Vík e Reynisfjara

Islândia – Dyrhólaey, Vík e Reynisfjara

press play!

Continuando o nosso terceiro dia no sul da Islândia…

Saímos da praia de Sólheimasandur e seguimos em direção ao vilarejo de Vík. No caminho uma parada obrigatória em Dyrhólaey: uma subidinha até o topo de um penhasco que oferece uma vista majestosa da enorme extensão da praia de lava negra.

Dyrhólaey

Lá de cima se vê o penhasco que dá nome ao local. Dyrhólaey se traduz como: colina com porta, devido à essa grande abertura no penhasco. Eu já vi várias fotos no instagram de pessoas sendo fotografadas neste penhasco e inclusive nesse dia tinha gente lá na beirinha. Porém, a ida até lá é terminantemente proibida. Há placas e sinalizações durante todo o trajeto e até um arame para evitar a passagem. Acho muito triste que muitos turistas/fotógrafos desrespeitem as regras locais a fim de obter a foto perfeita. Enfim…

No caminho de volta pro carro nós descemos até a praia, que já estava com a maré mais baixa. Foi uma experiência única caminhar nessa areia! Não tinha como não dar pulos de felicidade!

A apenas alguns minutos de estrada, chegamos na praia de Reynisfjara. A particularidade dessa praia são as formações balsáticas curiosamente formadas de erupções vulcânicas, mas que de tão perfeitas, parecem ter sido esculpidas à mão. Quando chegamos lá levamos um susto ao ver a quantidade de pessoas na praia. A comodidade de ter vivido sobre quatro rodas, é que a gente podia parar e aproveitar bem um determinado ponto turístico sem a pressa de tirar fotos e sair correndo para o próximo. Ficamos bastante tempo por lá, até que toda a multidão fosse embora. Montamos o tripé, fizemos várias fotos nossas e curtimos muito a força que aquele lugar, aquele mar revolto possui.

Meu sonho mesmo era ter visto essa parte da Islândia com chuva, céu fechado (sim, me chamem de louca!). Mas é que o cenário é tão surreal, com uma natureza tão avassaladoura que eu acho que combina muito com aquele tempo hostil super moody, entende? A praia é também conhecida por suas ondas gigantes e conta-se que mesmo com o mar calmo, ondas gigantes podem ser formadas repentinamente após uma sequência de ondas menores. A advertência local é não chegar perto do mar para não correr o risco de ser arrastado pela chamada sneaker wave (já houve acidente fatal neste mesmo lugar).

Tem alguns lugares que eu gostaria de visitar novamente na próxima vez que eu for na Islândia (sim, eu quero muito uma segunda vez!) e essa praia está entre elas. Sem dúvidas, uma das paisagens mais lindas da Islândia.

Eu e as belas colunas de basalto

A praia de Vík fica logo à frente. Eu lembro que chegamos lá derrotados e em nenhum lugar no vilarejo era permitido passar a noite. As únicas fotos que tiramos foram a da igrejinha (logo acima) e esta foto abaixo. Chegamos em “casa” com muitas fotos e lembranças incríveis desse dia. Em único dia vimos a cachoeira Skógafoss, andamos quilômetros até o avião DC-3 wreck e exploramos tudo isso acima! Ah, Islândia, que saudade de tudo!

Kilian e seu momento de solitude

to be continued…

 

6 anos do This German Life

6 anos do This German Life

Quando eu decidi escrever esse blog eu nunca imaginei que após 6 anos eu ainda estaria por aqui. O objetivo inicial era colocar pra fora toda a euforia de estar mudando de vez pra Alemanha, os meus medos, inseguranças, falar sobre amor. Com o tempo a adapção foi ficando mais fácil, o coração foi se acalmando e a saudade do Brasil já não me arrancava tantas lágrimas de madrugada. O foco do blog foi mudando aos poucos também, pois eu sentia que já não precisava mais falar sobre minhas angústias. Comecei a escrever sobre nossas viagens, sobre fotogafia, sobre o quanto passei a amar morar neste lugar. A vida no país que nunca sonhei em morar estava mudando aos poucos para melhor. Eu passei a admirar o estilo de vida dos alemães, aprendi (e continuo aprendendo) a falar a língua deles, aprendi a não mais olhar pra trás em busca de uma vida com Kilian no Brasil.

Esse blog me ajudou a amadurecer, aguçou um talento que eu nem mesma sabia que tinha e me incentivou a aperfeiçoar o meu olhar para as coisas mais simples e significantes ao meu redor. Me apresentou pessoas maravilhosas. Me deu amigos que sairam do mundo virtual para a vida real. Este blog não tem muitos acessos, eu não faço divulgação dele (a não ser no meu instagram), mas ele tem uma coisa muito importante: uma mão cheia de leitores fiéis. Pessoas que me seguem desde o início. Não é, nunca foi sobre números ou popularidade. Eu escrevo aqui com o coração, mesmo que não faça isso com a frequência que gostaria. Eu acredito que num mundo de pessoas tão ávidas por atenção e popularidade, eu sou uma exceção. Eu realmente não me importo com estatísticas, com quantos comentários ou com quantas visualizações um post meu tem. Pra mim, este espaço é para compartilhar experiências e acreditem, a troca é muito grande e recompensadora!

Até quando eu vou escrever aqui? Eu realmente não sei. As vezes não me imagino escrevendo aqui aos 40 anos, e olha, pra chegar lá não tá faltando muito tempo. Mas por enquanto o que mais me faz ter vontade de voltar aqui pra escrever são as coisas maravilhosas que vivemos com Thomas. Ele é luz nas nossas vidas e tudo o que fazemos juntos hoje em dia tem um novo significado.

No último domingo visitamos uma fazenda aqui pertinho de casa com plantações de mirtilos, amoras e framboesas. Lá pode-se colher as frutas por conta própria e comer à vontade enquanto colhe. Os alemães adoram essas atividades e esse tipo de passeio passou a fazer parte do nosso estilo de vida. É maravilhoso poder criar Thomas assim. Mostrando pra ele o valor das coisas simples, que são elas que importam, do quão importante é passar tempo fora de casa. É lindo ver como ele se interessa, como interage com a natureza, como adora estar no chão explorando. Eu realmente não lembro de ter vivido um verão tão lindo quanto esse agora!

Eu simplesmente tinha que voltar aqui no dia do aniversário do blog só pra compartilhar um pouco deste dia!

Parabéns meu blog! Eu só tenho motivos para agradecer por esses nossos 6 anos juntos!

 

Tempo da colheita de morangos

Tempo da colheita de morangos

Todos os anos, em meados de junho, é a época ideal para se colher morangos aqui na Alemanha. Quem me acompanha sabe que todos os anos nós vamos colher os nossos moranguinhos e deve até se lembrar de alguns posts passados.

Quem colhe pode comer o quanto quiser durante a colheita. No final você só paga o que colocou na cestinha! Thomas amou correr pelo campo e até ajudou o papai a encher a cestinha. Comeu, sentou no chão e obviamente se sujou todo. A mamãe aqui ficou responsável por registrar esse momento. Incrível como o tempo voa. Acho que depois que virei mãe essa é a frase que mais falo. Mas é a mais pura verdade. Pisquei e o meu bebê, que no ano passado era apenas um tiquinho de gente no meio desse campo imenso, hoje já é um menininho.

É por este motivo que eu amo registrar os nossos momentos juntos!

Como é bom fazer as coisas que gosto com ele do lado. Se tem uma coisa que queremos muito é que ele cresça aproveitando e dando valor as coisas mais simples da vida. Elas sim é que realmente tem o poder de nos trazer felicidade!

blowing dandelions

blowing dandelions

Pode até parecer um absurdo, mas a primeira vez que eu soprei um dente-de-leão na vida foi aos 27 anos, quando me mudei pra Alemanha. A minha primeira primavera aqui, em 2010, foi uma das épocas mais lindas e felizes da minha vida. Eu nunca tinha visto tantas flores e uma grama tão verde na vida.

Me apaixonei pelas cerejeiras, pelas magnólias, pelas margaridas e por todas as flores amarelas que ficam espalhadas na grama nessa época do ano. Talvez por uma certa ignorância, eu sequer sabia que aquelas flores de cor amarelo vibrante mais tarde se transformariam em sementes secas e poderiam ser sopradas no ar como minúsculos helicópteros.

Não há como negar que é lindo demais ver as sementes branquinhas brilhando no ar! Thomas tem adorado “soprar” os dentes-de-leão que encontramos pelo nosso caminho. Ele ri, se diverte, cria um brilho nos olhos admirável e é totalmente mágico ver ele tentando soprar as sementes.

Mágico também é saber da consequência de ter gente como eu, ele e papai soprando dentes-de-leão por aí. Cada sementinha que voa pelo o ar eventualmente vai cair em algum lugar, onde provavelmente formará um novo dente-de-leão. Este é o processo com o qual os dentes-de-leão se procriam. Sem suas flores amarelinhas se transformando em sementes e Thomas com todo o seu esforço soprando as sementinhas através da brisa para novos locais, elas nunca sobreviveriam!

Ah se ele pelo menos soubesse que podemos também fazer um pedido ao soprá-los, na esperança de que o nosso desejo se torne realidade! Talvez na próxima primavera ele entenda o quão especial tudo isso pode ser. Enquanto isso, eu sopro e faço os meus pedidos para que ele cresça cheio de imaginação e esperanças.

 

em busca do avião perdido na praia de Sólheimasandur

em busca do avião perdido na praia de Sólheimasandur

O avião Dakota da marinha americana fez no dia 24 de Novembro de 1973 um pouso de emergência na praia de Sólheimasandur, no sul da Islândia. Boa notícia, toda a tripulação sobreviveu! Outra boa notícia, a fuselagem ficou lá abandonada e o lugar se tornou um dos cenários mais místicos e fantásticos para se fotografar no país.

Saímos da Skógafoss e seguimos na direção à aldeia de Vík. A praia fica logo no caminho, a uns 20 minutos de Vík. Perdidos num deserto de areia preta, andamos por uns 4 quilômetros (de ida!) nos orientando apenas nas poucas pessoas que regressavam. O acesso de carro ao local é proibido. A única forma de chegar lá é realmente tendo boa disposição de andar todos esses quilômetros.

Tivemos a sorte de ter um dia ensolarado. Mas esse céu azul não quer dizer muita coisa. O dia estava frio e fazendo um vento de querer desistir da longa caminhada. Mas como que a gente poderia desistir né? A vontade de conhecer esse lugar era mais forte que o vento que soprava gelado nas nossas fuças. Obviamente, não nos arrependemos quando finalmente avistamos de longe os destroços do avião. Parecia coisa de outro mundo!

Ou melhor, parecia que tínhamos sobrevivido ao apocalipse e estávamos lá, nós e outras pouquíssimas pessoas. Simplesmente surreal!

Eu e Kilian nos divertimos muito fotografando. Esta pequena “expedição” foi sem dúvida uma das mais marcantes durante as nossas duas semanas na Islândia!

to be continued…

Seljalandsfoss e Skógafoss – duas cachoeiras imperdíveis no sul da Islândia

Seljalandsfoss e Skógafoss – duas cachoeiras imperdíveis no sul da Islândia

Dá pra acreditar que essa viagem já está fazendo dois anos? Ainda rola falar sobre ela aqui no blog?

O nosso segundo dia na Islândia começou com uma visita à fonte termal Hrunalaug (post que coincidentemente também foi escrito no dia 1 de maio do ano passado) já a caminho da cachoeira Seljalandsfoss, no sul do país.

Seljalandsfoss

Sem dúvida a cachoeira Seljalandsfoss é a mais fotografada e famosa da Islândia. E o motivo? Ela é simplesmente a mais instagrâmica. É aquela que dá pra andar por detrás e que é cenário de muitas fotos lindas nos perfis dos fotógrafos mais populares do insta. Essa cachoeira era a que eu mais esperava ver pessoalmente. Chegamos cedo e conseguimos evitar a multidão de turistas e tivemos a cachoeira exclusiva pra nós por um tempinho. O que a gente não esperava era o tempo louco que estava fazendo. Chuva, sol, tempestade, ventania e arco-íris tudo acontecendo na mesma hora. A gente também não estava esperando que fosse ser tão difícil fazer boas fotos lá. A força da queda d’água deixou a minha câmera muito molhada. Mesmo assim fiz os meus cliques aqui pro blog, guardei a câmera e me conformei, afinal eu não sou fotográfa de paisagens e o mais importante pra mim era simplesmente estar lá! Caminhar por dentro da caverna é uma aventura e é garantia de sair molhado mas com fotos de ângulos bem legais.

Kilian estava vestido com roupa impermeável e se aventurou a tomar um banho!

Ainda pertinho de lá existe uma cachoeria secreta, a Gljúfrafoss, que é nada mais nada menos que um brinde extra para quem está visitando a Seljalandsfoss. O acesso à cachoeira é por uma fenda e entrar lá é também ter certeza de que vai se molhar! Foi a minha vez de entrar debaixo d’água. De impermeável eu só tinha os sapatos (os meus queridos Saloman) e a jaqueta. Fiquei encharcada, mas foi demais! Simplesmente uma experiência inesquecível!

Skógafoss

O segundo dia terminou visitando a piscina Seljavallalaug, sobre a qual também escrevi neste post aqui. Seguimos em direção à Skógafoss, que também fica na rota turística da Ring Road. Dirigimos até achar um local pra estacionar e passar a noite. A gente já estava bem pertinho da próxima cachoeira e o nosso terceiro dia começou ensolarado e de frente para a Skógafoss.

Ela também é fantástica e imperdível para quem está na Ring Road. O acesso é super fácil e logo a pouco mais de 100 metros dela fica o estacionamento.

Dela eu realmente queria ter tirado fotos melhores. Infelizmente tivemos que passar por ela logo cedo e o sol estava muito forte. Uma parte dela estava na sombra e a outra super iluminada pelo sol. Foi difícil! Mas mais uma vez eu deixei ânsia de ficar frustrada de lado e aproveitei a nossa passagem por lá. Na verdade não tem como não morrer de amor por cada lugar desse país. Eu não cansava de repetir pro Kilian: que lugar privilegiado, que natureza sem igual! Como que pode ter tanta coisa linda assim tudo junto num só lugar? E a gente só estava começando o terceiro dia. Mal sabíamos que ainda tinha muita coisa incrível pela frente pra ver. Uma coisa é certa, eu ainda vou voltar lá com o nosso pequeno explorador e visitar todos os lugares que mais me deixaram sem fôlego e a Skógafoss não vai ficar de fora. Quem sabe da próxima vez vou ter a sorte de fazer uns cliques mais legais…

Quem adivinha pra onde a gente foi depois que saímos de lá?

Fomos para a praia de Sólheimasandur, um dos cenários mais exóticos da Islândia, procurar o tal avião caído. O post já está no rascunho, falta só clicar em publicar!

debaixo das cerejeiras nós brincamos e fomos felizes

debaixo das cerejeiras nós brincamos e fomos felizes

noc, noc…tem alguém aí?

Já se passaram quase quatro meses desde a última vez que estive por aqui.

4. crazy. meses!

Há um ano atrás nós estávamos neste mesmo lugar, vivendo a nossa primeira primavera como uma família de três. O último ano passou rápido como um cometa e aqui estamos nós vivenciando mais uma primavera com o nosso bebê que já sabe correr e adora estar fora de casa. O inverno foi tão frio e longo, que me fez ficar muito ansiosa por estes dias longos e de temperaturas amenas. Estava literalmente necessitada de dias claros para a minha felicidade e bom humor do bebê. Nenê fica nervoso quando não tem passeios! E como todo ano, a época em que as cerejeiras florescem aqui na região da Fränkische Schweiz é muito esperada e especial. Elas ficam esplêndidas assim por por período muito curto. Mas não precisa de sorte para vê-las dessa forma. Existe aqui na região um barômetro (Blütenbarometer) que indica exatamente o estágio em que as árvores se encontram. Nós sempre esperamos até o momento em que as flores estão totalmente abertas para visitar o local.

Nós passamos uma tarde inteira passeando entre as cerejeiras e Thomas não conseguia conter a felicidade de estar lá. Corria de um lado pro outro. Coisa mais linda de se ver! Que privilégio é morar perto deste lugar e poder mostrar essa beleza infinita pra ele. Minha mãe também esteve conosco e mal conseguia acreditar que aquele cenário era de verdade. Até eu que vou todos os anos desde que me mudei pra cá ainda não acredito que ele existe!

Da próxima vez que a gente for até lá, em meados de julho, será a época de colheita das cerejas! Já posso até visualizar Thomas sentado na grama comendo as cerejas caídas das árvores… ❤