O dia dele – relato do meu parto cesárea

Dia 23 de fevereiro de 2017.

Acordei as 7 da manhã e já de cara não pude conter a loucura de sentimentos em que eu estava envolvida. A ideia de ter dormido com ele na barriga e acordar sabendo que em poucas horas ele seria retirado de dentro de mim ainda era difícil de aceitar. Tomei banho, chorei enquanto passava a mão na barriga pela última vez debaixo do chuveiro. Estava me sentindo estranha, difícil de descrever. Não era tristeza. Era uma espécie de inquietação, medo. Uma vontade de que tudo passasse muito rápido. Inevitavelmente um monte de pensamento negativo começou a me torturar. E se alguma coisa der errado? E se eu nunca mais voltar pra casa? E se ele não tiver pronto pra sair e tiver algum problema? E se, e se, e se…

Saí do banho, enxuguei as lágrimas, respirei fundo e disse pra mim mesma: calma, vai dar tudo certo! Comecei a expulsar da minha cabeça aqueles pensamentos horríveis afirmando que aquele era o DIA dele. Era o dia pelo qual eu tanto havia esperado e eu deveria me alegrar por isso. Que se dane se não vai ser como eu sonhei. Que se dane o meu egoísmo de achar que o jeito que eu queria era o jeito certo. Que se dane o corte na barriga. De uma vez por todas eu entendi que era pra ser daquele jeito. A ficha tinha caido. Eu estava a caminho da maternidade ter o meu filho.

Eu deveria chegar lá as 9 da manhã. Ela fica aqui do lado de casa. Literalmente 4 minutos de carro, então não me apressei. Era uma quinta, dia que eu completava semana de gravidez. Neste dia eu fazia 39 semanas e pra completar a evolução fotográfica da minha barriga, eu ainda tirei a última foto dela.

O parto

Chegando na maternidade recebi logo uma roupa e uma meia anti trombose. Me troquei e esperei na minha cama até as 12 horas, quando vierem me bucar e me levaram para a sala pré-parto. Lá fizeram controle de batimentos cardíacos e contrações. Minha cirurgia estava marcada para as 12:30, mas foi adiada por 1 hora por causa de uma cesariana de emergência. A moça da emergência teve bebê e voltou para o quarto sem ele. Em pouco tempo chega o médico pra dizer que o bebê estava com dificuldade de respirar e por isso teria que ser levado para a unidade intensiva por alguns dias. Ouvir essa moça chorar partiu o meu coração. Eu já estava até mais calma, mas essa notícia veio como uma bomba em cima de mim. Chorei por essa pessoa que nem o rosto eu tinha visto. Meu Deus, e se isso acontece comigo? Perguntei pro Kilian. Infelizmente nada está garantido, nada.

Poucos minutos depois chega uma médica com um aparelho de ultrassom. Eu pergunto pra ela: vocês estão fazendo tudo isso e se meu bebê tiver virado? Tem uns dias que ando sentindo movimentos lá embaixo. Ela responde: aí a gente cancela tudo e você vai pra casa esperar por mais contrações. Daí apalpa minha barriga, bem na área onde a cabeça dele sempre esteve e diz: mas eu garanto que ele não virou e me mostra na tela do computador. Que boba que eu sou! Ainda tive esperanças até o último momento!

Logo em seguida chega a anestesista e se apresenta. Eu senti uma paz imensa de conhecer aquela mulher! A enfermeira vem e coloca o cateter na bexiga (achei que seria uma dor horrível, mas não foi!) e me leva pra sala de cirurgia. Neste momento o Kilian teve que ficar do lado de fora. Era tanta gente naquela sala. Os médicos se apresentaram super simpáticos, perguntaram meu nome, o sexo do bebê e o nome dele e eu respondia tudo com os lábios tremendo de medo. Tremendo de medo da anestesia, de tudo. Uma enfermeira fica de frente pra mim e enquanto segurava forte as minhas mãos dizia que tava tudo bem, que logo tudo ia acabar e eu ia conhecer o meu filho. A anestesista foi explicando tudo o que fazia lá atrás. Primeiramente levei uma anestesia local e depois a espinhal. Não senti dor alguma! Que alívio! Em poucos segundos o bumbum começou a ficar dormente e assim também as pernas. Me deitaram e foram chamar o Kilian. Enquanto ele vinha, já levantaram aquele pano e eu ainda senti passarem algo gelado na minha barriga. Daí olhei pra anestesista e perguntei: de agora em diante eu não vou sentir mais nada? Nenhuma dor? Você me garante isso? Ela responde: Meine Liebe, der Bauch ist schon offen! (Minha querida, a sua barriga já está é aberta!). E eu digo assustada: Was? Echt? (Sério?). Ela ainda ri e diz: ja, Zauberei ist das! (Isso é tipo feitiçaria!). Nós começamos a rir juntas e eu acho que aquele foi o momento em que realmente eu me acalmei e vi que estava em boas mãos. Aconteceu tudo muito, muito rápido. Um dos médicos dizia o que acontecia lá do outro lado: “as perninhas nasceram”, “e agora o bumbum”, “é realmente um menino, você tinha dúvida?”, “e agora nasceu a cabeça”, “Willkommen Thomas, alles Gute” (seja bem-vindo Thomas, feliz aniversário!). De repende ouvi o choro dele. Tudo assim, em questão de poucos minutos. Imediatamente trouxeram o bebê pra mim e eu o toquei, beijei, cheirei, ainda todo ensanguentado. Nós chorávamos muito de tanta felicidade!

Enquanto me costuravam, levaram o bebê pra fazer os primeiros testes e tudo não demorou nem 10 minutos. Entregaram o bebê para o Kilian e finalmente eu pude viver o momento que tanto esperei. O nosso primeiro contato de pele. A melhor sensação que eu já vivi na minha vida! Mas ainda era tudo tão surreal. Eu não conseguia acreditar que ele estava comigo e era lindo! Lindo, lindo, lindo! Thomas nasceu com 3470 g e 49 cm, super saudável e logo procurando peito. Nós ficamos abraçadinhos por um tempão e quanto mais eu olhava pra ele, mais eu me apaixonava. Analisei cada pequeno detalhe do corpo dele. Tudo tão perfeitamente desenhado. Eu não parava de agradecer por aquele momento!

Depois da anestesia

As horas após o efeito da anestesia não foram nada bonitas. Meu filho estava lá, dormindo ao meu lado e eu não conseguia fazer mais nada a não ser chorar de dor. Eu sei que cada pessoa reage a dor de forma diferente. A minha experiência foi horrível! Eu não conseguia pregar o olho, mesmo com a medicação. Por volta das 10 da noite, depois que o Kilian foi pra casa (infelizmente não conseguimos um quarto privado) o bebê começou a regurgitar muito e eu fiquei louca sem saber o que fazer, já que não conseguia me mexer direito. Chamei a enfermeira que disse ser normal, era apenas líquido ingerido no parto. Ela disse que levaria ele se eu quisesse pra que eu pudesse dormir um pouco. Assim eu fiz. Eu não ia mesmo conseguir dormir preocupada com ele. Lá pelas 3 da manhã ela volta com ele e me diz que é o momento de eu levantar! Eu penso, como assim? Eu acabei de fazer uma operação de grande porte na barriga, como assim levantar pra ir ao banheiro? Ela tira a sonda e diz: a senhora vai ter que levantar. Vai doer muito, mas a senhora precisa levantar. Depois dessa primeira vez a segunda já não vai ser mais tão ruim.

Eu chorava (sou frouxa, eu sei) e achava que ia morrer de tanta dor. Tive que levantar usando só a força das pernas e segurando a barriga, sem o apoio dos braços. Tentei uma, duas, três vezes e nada de conseguir. Daí lembrei da moça que teve o bebê antes de mim. Lembrei também de uma amiga nossa que teve a bebê com 27 semanas e levantou logo depois do efeito da anestesia. As duas tinham uma coisa em comum. Tinham um bebê na sala de tratamento intensivo e precisavam ir ficar perto deles. Não sei de onde elas buscaram força, mas conseguiram. Já eu havia dormido enquanto alguém olhava meu bebê. Enfim, eu consegui levantar, andar encurvada até o banheiro e voltar. A enfermeira me disse que estava orgulhosa do meu esforço e me garantiu que a próxima vez não seria tão doloroso. E realmente não foi. Na manhã seguinte eu já consegui dar uma volta no corredor do hospital empurrando o bercinho do Thomas. Uma coisa que poucas pessoas me disseram é que depois da cesariana a gente só consegue andar encurvada, que precisamos literalmente aprender a andar novamente. Por isso os hospitais aqui na Alemanha só liberam a mulher depois de 4 ou 5 dias. No terceiro dia eu já conseguia andar melhor e passei a tomar menos remédio. Mesmo com a dor do pós-operatório eu devo dizer que a recuperação é rápida se a gente fizer tudo direitinho. Minha cicatriz já estava bem sarada no 4 dia e eu já não tinha mais tanta dificuldade pra andar. É importante ficar bastante tempo deitada, mas super importante também é se movimentar um pouco para que os tecidos voltem a crescer na região.

Eu tive muito medo. Medo de que meu parto fosse ser um momento de frustração, de que fosse me deixar traumatizada, de que eu não fosse conseguir amamentar após a cirurgia (assunto delicado que até merece um post). Mas depois de tudo eu confesso que foi um medo tão desnecessário. A equipe do hospital me passou muita segurança. Eu não me senti em momento algum desamparada. E melhor, a minha recuperação está sendo ótima. Ainda sinto dores, a região do corte é muito sensível e tenho sempre a sensação de que meus órgãos estão soltos dentro do abdômen. Mas nada que se compare à dor do primeiro dia. Eu respeitei a decisão do meu filho e de fato, a cirurgia foi a melhor escolha pra nós dois. Com ele nasceu também uma mãe, uma nova mulher. E apesar de tudo ainda estar complicado e muito difícil nesse comecinho, essa fase de conhecer ele melhor também está sendo muito gratificante. Eu me sinto realizada e agradeço a Deus todos os dias pela vida que Ele me permitiu trazer ao mundo.

Cada vez que olho pro meu filho eu tenho mais certeza de que a forma como ele veio ao mundo não importa. O que importa mesmo é que ele está aqui e saiu de dentro de mim. E então eu tenho muito orgulho de mim mesma!

o pai do meu filho

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Nós somos químicos e fotografia é uma grande paixão. Temos o gosto musical ridiculamente parecido. Fazemos amizades com muita facilidade, somos abertos a pessoas de várias culturas e nos interessamos por elas. Gostamos especialmente de levar uma vida simples. Ele mostrou e ensinou a menina nascida e criada na praia a se apaixonar pelas montanhas, a querer explorar mais a natureza. Juntos já conhecemos lugares fantásticos, vivemos experiências que eu nunca imaginei na vida que algum dia viveria.

Essa coisa de que os opostos se atraem só é verdade na física. No nosso relacionamento o que conta mesmo são as nossas afinidades. E como elas são muitas!

Nos encontramos pela primeira vez em dezembro de 2009 durante a festa de natal no instituto onde trabalhamos. Pensar que duas simples mudanças de planos tiveram o poder de mudar completamente as nossas vidas. Manchester era o destino que eu havia escolhido pra estudar e pra onde eu iria. Já ele não tinha certeza alguma se seria aceito na vaga de doutorado. Bem, eu fui mandada de última hora pra Mainz e ele foi aceito. Dois destinos que foram traçados através das decisões dos nossos chefes! De repente eu estava na Alemanha, na minha primeira confraternização com novos colegas de trabalho, batendo o maior papo com o cara mais legal da festa. Recém-chegada na Alemanha e completamente perdida, ele foi uma das primeiras pessoas que conheci e consegui manter contato. Ele foi uma das poucas pessoas que sem esforço demonstrou ser gentil, amigável e pronto pra me ajudar a encontrar o meu espaço. Ele foi praticamente o meu primeiro amigo aqui na Alemanha. Dois meses depois, há exatamente 7 anos atrás, no dia de São Valentim, nos beijamos pela primeira vez em um baile de carnaval. Ele estava vestido de viking, com uma tinta azul no rosto. Foi realmente ali que tudo começou. Foi o dia que escolhemos mais tarde como nosso. Não posso admitir que foi amor à primeira vista. Ele também não. De fato, foi um relacionamento moldado pelo tempo e pela distância. Depois que deixei a Alemanha e voltei pro Brasil levei quase 2 anos pra terminar o meu doutorado. Acredito que esse tempo foi crucial pra que nós pudéssemos ter certeza dos nossos sentimentos. Foi um período muito difícil, com muitas idas e vindas e despedidas dolorosas. Mas um período que também nos fez bem. Com o passar dos meses vimos que não fazia sentido vivermos separados. Nós queríamos definitivamente ficar juntos.

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Há 7 anos atrás eu finalmente tive a sorte de encontrar o meu amor tranquilo e essa é uma parte da nossa história contada em poucas linhas. Ela pode não ser a mais bonita ou digna de páginas de livros de romance. Mas ela é nossa. E é única. Hoje celebramos 7 anos juntos. Em alguns dias celebraremos a chegada do nosso filho, fruto do amor que construímos juntos e pelo qual eu sou tão grata. O nosso bebê tão desejado, que já amamos tanto, tanto! Em alguns dias uma outra parte da nossa história começará a ser escrita e eu mal posso esperar por isso. Sei que vai ser tudo novo, desafiador e assustador também. Mas o fato de ter tido essa pessoa ao meu lado em todos os momentos que precisei, e especialmente agora nessa reta final que está sendo tão delicada emocionalmente pra mim, só me faz ter mais certeza no coração de que eu escolhi para o meu filho o melhor pai do mundo!

Fotos tiradas por nós dois na Penísula de Snæfellsnes, Islândia, em Maio de 2016.

6on6 #Januar

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Janeiro (lê-se Ianuar em alemão) foi um mês muito frio na Alemanha toda! Infelizmente caiu pouca neve aqui na minha cidade, mas tivemos dias com temperaturas que chegaram a -15 graus! Não me lembro de no ano passado ter chegado a isso. Ficou difícil sair de casa, mas mesmo assim continuei fazendo as minhas caminhadas diárias. Até que peguei um resfriado fortíssimo que durou duas semanas. Fiquei de cama e me tratei com muito descanso, chá e água. Ao longo do mês eu praticamente não peguei na câmera pra fotografar. O mês passou tão rápido e era tanta coisa ainda pra organizar que não me sobrou tempo pra pensar em fotos. Mas em compensação fizemos um ensaio com uma fotógrafa brasileira lá pertinho de Munique e pelo pouco que vi já fiquei super satisfeita. Tô aqui esperando ansiosa pelo resultado!

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foto 1: moody day. Nada melhor que meias quentinhas pra ficar em casa em dias de muito frio e resfriado. Uma foto de pé sem barriga? Difícil de fazer! 

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foto 2: o primeiro dia do ano. Ensolarado, frio, mas muito lindo! Mais fotos desse dia aqui nesse post.

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foto 3: nós dois e o pequeno buda. Terminei o mês no começo da semana 36 da gestação. Thomas ainda sentadinho e sem demonstrar nenhuma intenção de se virar. Aliás, hoje mesmo pela manhã tivemos que tomar uma decisão muito importante: escolher o dia do nascimento dele. Sim, do jeito que eu nunca imaginei ou sequer planejei. Coração está hoje assim oh 💔! Mas isso é assunto pra outro post.

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fotos 4, 5 e 6: o lago Brombachsee, que fica a uns 50 km daqui de casa congelou por completo. Eu nunca tinha visto um lago totalmente congelado na vida. O Kilian aproveitou pra patinar, eu só o acompanhei e fiz essas fotos e vídeos pro instastories. Não me atrevi a entrar com medo de escorregar e cair com a pança no gelo. Mas mesmo do lado de fora do lago foi uma coisa linda de se ver!

Bom, não tenho ideia de como será o 6 on 6 de fevereiro. Mas uma coisa eu já posso prometer: vai ter foto de bebê fresquinho que vai ter acabado de chegar ao mundo!

O mês de janeiro da Taís (Irlanda) | Paula (Holanda) | Alê (Ucrânia) | Lolla(Inglaterra)

Tre Cime di Lavaredo – Dolomitas italianas

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Viajar de carro pela região das Dolomitas (Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO) foi uma das experiências mais fantásticas que eu já vivi. Fazia tempo que eu admirava essa região por fotos no instagram e quando finalmente coloquei os pés lá eu quase não consegui acreditar que aquilo tudo existia de verdade. Para quem não sabe, foi lá onde nós passamos a nossa babymoon! Obviamente eu consultei o meu médico antes pra saber se realmente não tinha problema uma grávida estar acima de 2500 metros de altitude e ele me garantiu que eu poderia ir despreocupada, contanto que não fosse subir montanha nenhuma a pé. Mas isso não estava nos nossos planos! Eu estava com quase 19 semanas, o nível de ferro estava okay e eu estava me sentindo muito bem. Então não havia motivo algum para preocupação. Com o pouco tempo que tínhamos e o fato de eu não poder fazer trilhas longas e difíceis, tivemos que escolher cuidadosamente os nossos destinos. Um deles foi o Lago de Braies (ultimamente um dos posts mais visitados do blog!), o segundo foi Lavaredo (Drei Zinnen em alemão) e o terceiro a região de Val Gardena, que mostrarei no último post desta série.

Nós estávamos hospedados em Cortina d’Ampezzo e de lá levamos cerca de meia hora até chegarmos no Lago Misurina. A previsão do tempo não errou e logo cedo o céu já estava azulzinho. O dia prometia!

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Fazer trilha nos alpes é um tanto interessante. Não é só sair andando sem rumo não como muitos pensam. Existe sempre um objetivo. Seja ela o pico de uma montanha ou uma cabana (Hütte). Nós escolhemos esse percurso porque ele é em grande parte plano. A trilha começa a 2320 metros (Auronzo Hütte) e permanece praticamente nessa mesma altitude. Pra quem quer economizar forças e tempo subindo montanha acima por estes 2000 metros, existe a possibilidade de ir de carro até um estacionamento que custa 25 euros. Bastante caro né? Mas acredite, vale cada centavo!

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A trilha inteira demora no máximo 4 horas (ida e volta), mas nós planejamos passar o dia inteiro lá em cima. Levamos a nossa Vespern (normalmente o que um alemão leva dentro da mochila num dia de hiking, por exemplo: pão, fruta, tomate, água, barrinha de cereal e etc.) e caminhamos tranquilos, fizemos pausas e fotografamos sem nos preocupar com o tempo.

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Abaixo uma foto que mostra os três cumes (die Drei Zinnen) com suas respectivas altitudes. Eles são exuberantes de todos os ângulos, por isso não me assusto com o zilhão de fotos que tiramos. A imponência dessas montanhas é algo surreal. Eu quis MUITO fazer essa viagem e estar lá, carregando o meu bebê na barriga e com a minha melhor companhia foi simplesmente lindo! A realização de um sonho!

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nós três ❤

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Como se não bastasse o espetáculo que foi passar o dia rodeados por montanhas majestosas, no finalzinho da tarde quando estávamos voltando para o estacionamento nós ainda demos de cara com pôneis e cavalíneos lindos enfeitando a paisagem!

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Que dia! Nos despedimos de Lavaredo com um pôr-do-sol maravilhoso e com a certeza de que iremos voltar. E quem sabe até repetir a foto com o nosso Thomas, porque se depender do papai e da mamãe ele será tão aventureiro e apaixonado pela natureza quanto nós!

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33 semanas com meu pequeno buda

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Três semanas se passaram desde a minha ultrassom de 30 semanas. Nela a gente viu que o bebê estava na posição transversa, ou seja, a cabeça no lado direito, bundinha no lago esquerdo e os pés de alguma forma também no lado direito. Tudo bem, o médico disse que ainda era um pouco cedo pra se preocupar, mas não deixou de mencionar a tal da cesariana. Concordo que seja total ignorância minha, mas eu nem sabia que existiam tantas posições pra o bebê se acomodar dentro da barriga da mãe. Eu fiquei preocupada, obviamente. Escutar a palavra cesariana naquele dia foi como um banho de água fria. Quero deixar bem claro que não tenho nada contra o procedimento e que até entendo que ele numa situação de emergência pode salvar vidas. Só que uma cesariana nunca esteve nos meus planos.

Ontem na consulta de 33 semanas descobri que o bebê está agora sentadinho, exatamente como um pequeno buda. Super confortável! Eu na verdade já até suspeitava que ele não tivesse virado. Há dias eu podia sentir a cabeça dele pressionando as minhas costelas e uma pressão muito grande na bexiga devido aos pés dele.

Comecei loucamente a ocupar a minha cabeça com o assunto e de acordo com um artigo que li no site na maternidade de Nuremberg, cerca de 5% dos bebês não viram até a hora do parto. Isso me trouxe uma paz muito grande! Pensei: nós ainda temos uma grande chance de não fazermos parte desta percentagem! Só que vi também que entre as semanas 32 e 33 a grande maioria dos bebês já estão na posição cefálica. Infelizmente eu não vejo mais nenhum esforço dele pra tentar sair dessa posição. Desde que descobri que ele estava transverso, todos os meus esforços se voltaram para que o meu corpo pudesse ajudar esse bebê a virar de cabeça pra baixo. Comecei a nadar, fazer exercícios na bola de yoga, andar mais e dormir só do lado esquerdo. Três semanas se passaram e nada. Podem é me dizer e repetir que eu esteja exagerando, mas eu estou profundamente apreensiva. Há 8 meses tenho planejado um parto normal e até mesmo antes de engravidar, eu sempre soube que queria passar por esse momento que eu acredito ser uma verdadeira transformação física, emocional e espiritual. Me agarrei firme na ideia de que o parto natural seria um grande marco na minha vida. Estou tendo uma gravidez sem riscos e complicações e tudo caminhava para a realização desse sonho e agora a ideia de tirarem o meu filho de dentro de mim com data e hora marcada me deixa muito assustada.

Meu médico sugeriu esperar até a semana 36, repetir o exame e se for constatado que ele continua sentado, vai me encaminhar para o hospital para uma conversa com a equipe sobre o plano de parto. Tudo indica que a partir de 37 semanas fica improvável que um bebê se vire sozinho por causa do seu tamanho. Ele me sugere fazer a cesariana com 38 semanas. Eu e Kilian negamos a sugestão. Achamos 38 semanas muito cedo pra tirar ele daqui de dentro. A minha Hebamme (doula) ainda acredita que ele possa virar e me sugeriu começar a acupuntura. Ele não sugere fazer a versão cefálica externa e eu também não a faria de jeito nenhum. Li ontem também que a maternidade de Nuremberg realiza por ano uma média de 200 partos pélvicos. Eles acreditam que um bebê pélvico não é sentença para cesariana. Mas a ideia me parece um pouco absurda. De qualquer forma estou com vontade de visitar a maternidade só pra ter uma ideia de como seja isso, saber das vantagens e desvantagens em relação à cesariana.

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Bom, mas os últimos dias também tiveram o seu lado despreocupado. Eu já não sinto mais dor na lombar ao dormir e por três noites seguidas tenho dormido muito bem! Escrevo isso com uma felicidade imensa, porque as noites mal dormidas estavam me deixando muito rabugenta e desmotivada. Outra coisa é que o fato dele já estar grandão e sentado faz tudo ser muito mais real. Quando ele se estica e a cabeça sobe eu posso literalmente sentir os ossinhos dele. Passo a mão e parece que tô acariciando a cabeça dele fora da barriga. Com o bumbum é a mesma coisa. É muito louco! Pena que não consigo sentir os pezinhos dele, que estão ocupados chutando a minha bexiga.

As próximas semanas até a próxima consulta serão de espera pela tal da cambalhota e de planejamento também. Eu sei que não vou deixar de ser mais mãe se tiver que passar pela cesariana. Por isso estou tentando trabalhar a ideia internamente para que no fim (se for mesmo o nosso caso) o meu parto não seja um momento de frustração. Mas como que pode ser né? Acredito que a partir do momento em que uma mãe escuta o choro do filho, seja depois de um parto normal ou de uma cesariana, todo o resto passa a ser como se diz por aqui “völlig egal” (totalmente sem importância)!

Se alguém que acompanha o blog tiver passado pela experiência de ter um bebê pélvico ou da cesariana e quiser compartilhar comigo a sua experiência (seja boa ou ruim) eu ficarei muito grata!

No mais sigo na torcida #virathomas

 

Lago di Braies nas Dolomitas italianas

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Depois de termos visitado o Lago di Garda nós seguimos em direção as Dolomitas italianas, uma região montanhosa no norte da Itália (Südtirol) que de tão especial faz parte do Pratimônio da Humanidade pela UNESCO. Viajar de carro por essa região foi uma experiência inesquecível. É tanta coisa pra ver que fica muito difícil decidir quais destinos visitar. O Lago de Braies (em alemão Pragser Wildsee) não poderia ficar de fora do nosso roteiro. Braies é um lago alpino relativamente pequeno, mas a sua localização privilegiada no Vale di Braies em Bolzano o faz ser chamado de pérola das Dolomitas e um dos pontos turísticos mais procurados.

Chegamos lá por volta do meio dia e o sol estava ti-nin-do. Minha grande expectativa era fotografar esse lago com o reflexo das montanhas na água. Levamos tripé, filtro, tinha tudo na bolsa. Mas o vento forte não colaborou em nada. A água linda e clarinha do lago não estava calminha, tornando impossível fazer a minha foto tão idealizada. Não se engane, não é em qualquer condição que um fotógrafo faz fotos #phodas. Estar no lugar certo, na hora certa, com a luz e cenário certos te ajuda tipo 99%.

Mas isso não nos desmotivou em nada! O lugar é realmente tão fascinante que só o fato de estar lá já bastou. O tempo que tínhamos era aquele e nós o aproveitamos da melhor forma possível!

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Nós caminhamos ao redor do lago, o que levou cerca de 1 – 1,5 h, por um caminho super fácil. Não chega a ser uma trilha e sim um passeio agradável. Eu estava com quase 19 semanas e já me achando super grávida rs! Mas como se vê na foto abaixo o meu buchinho estava apenas começando a crescer.

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Desta casinha charmosa pode-se fazer passeios de barco pelo lago. É tudo muito encantador, mas não teve clima romântico algum que fizesse meu marido topar fazer o passeio comigo. O motivo foi o preço mesmo, 18 euros por hora. Eu disse que ele só serve pra fazer turismo dentro da Alemanha mesmo, onde ele acha tudo mais barato rs. Mas por um lado ele está certo. Ficamos um pouco chocados com os preços das atrações e restaurantes. Mas né, se pra tudo a gente for olhar só pro lado financeiro nem tiramos os pés de casa. Fazer turismo custa caro, ainda mais quando o lugar tem esse cenário privilegiado. Enfim, não fizemos o passeio e eu tive que me contentar em só observar quem fazia #xatiada!

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Saí de lá sem ter feito a foto que queria e sem fazer o passeio de barco. Mas mesmo assim valeu muito a pena! O dia e o tempo estavam maravilhosos. Ficamos hospedados em Cortina d’Ampezzo, não muito longe de Braies. Lá as cadeias de montanhas são ainda maiores e foi de lá que fizemos o passeio mais esperado da viagem: Tre Cime di Lavaredo. Conto como foi no próximo post!

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zweitausendsiebzehn

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Bem-vindo 2017! Eu nunca estive tão ansiosa para um ano começar quanto agora. O dia de hoje marca para mim uma contagem regressiva até o dia do nascimento do Thomas. Se ele chegar na data prevista, dia 02 de março, ficam faltando exatamente 60 dias. Como não iniciar este ano já tão feliz?

O ano de 2016 foi um ano difícil pra nós, especialmente a sua primeira metade. Mas eu não quero mais tocar neste assunto. A segunda metade foi só alegria e tudo o que foi triste ficou literalmente pra trás. Muita coisa legal aconteceu no ano passado também. Nós fizemos juntos viagens fantásticas. Estivemos na Islândia, Suíça, França e Itália. Foi o ano que mais viajamos e para a minha vergonha, o que menos publiquei aqui no blog. Eu tinha tantos planos de escrever sobre os lugares por onde estivemos, mas terminei o ano cheia de posts no rascunho e sem disposição alguma pra escrever.

Em dezembro eu fiquei mais velha e comemorei os meus 34 anos com o cabelo mais curto e com um bebê de 29 semanas na barriga. Pode até parecer clichê demais dizer que ele foi o meu melhor presente. Mas foi mesmo! E digo o mesmo para meu presente de natal, de ano novo e de todos os outros dias que tenho pela frente.

Iniciamos o mês de janeiro na semana 32 da gestação e com um dia lindo! Ontem a noite o termômetro marcou -8 graus e amanheceu tudo congelado. Mas o frio não nos intimidou. Nos vestimos quentinhos e fomos respirar o ar gelado e fazer os primeiros registros do ano.

Minhas resoluções para 2017? Viver intensamente cada dia deste ano que será sem dúvidas o melhor da minha vida. O ano do nosso filho!

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O blog tem tomado um rumo diferente com todos esses posts sobre gravidez e futuramente sobre maternidade e talvez possa deixar de ser (ou já até tenha deixado de ser) interessante para algumas pessoas. Mas eu não quero e nem pretendo me limitar a escrever só o que poderia agradar a quem passa por aqui. Afinal eu não posso esquecer que, acima de tudo, eu escrevo neste blog para mim mesma e escrever sobre essa experiência maravilhosa tem me deixado muito viva, muito feliz. Aos que ficam, eu agradeço de coração pela amizade. Foi muito bom receber o carinho de vocês no ano passado!

Desejo um ano muito feliz para quem me acompanha. Muito, muito amor e paz na vida de vocês!

 

6on6 #November

Eu sei que ultimamente só tem dado esse assunto aqui no blog. Mas I can’t help it! Principalmente agora que começamos a arrumar o quartinho dele. Novembro praticamente se resumiu a isso: várias visitas à loja de bebê, Ikea, montagem de móveis e muitas comprinhas. Pois é, eu até falei no post anterior que não estava preocupada com o enxoval. Mas nas duas últimas semanas me deu um siricutico e eu comecei a comprar feito louca. Mas claro, sem exageros! Dizem que mulher grávida cria um desejo irresistível por arrumação e limpeza (o famoso nesting) e eu acredito que isso seja mesmo verdade. O meu desejo não se resume só a criar um novo espaço para o bebê. Se antes eu gostava de manter a casa arrumadinha, agora eu tô até exagerando. Tenho uma vontade louca de comprar plantas novas, mudar coisas de lugar, limpar e olhar se cada cantinho da casa oferece segurança. É como se eu tivesse realmente preparando o meu ninho pra receber ele no ambiente mais bonito e seguro do mundo, o lugar certo para acomodar nossas novas vidas como uma família de três.

Se os hormônios da gravidez são em parte os responsáveis por este impulso eu os agradeço de coração! Está sendo maravilhoso passar horas contando e recontando bodies, pijaminhas e empilhando fraldinhas. Aos poucos e com muito zelo e simplicidade tudo está tomando forma. Vou confessar uma coisa: eu posso passar em frente ao quartinho dele mil vezes ao dia e mil vezes eu vou dar uma paradinha e olhar encantada para aquele cantinho que já é tão cheio de paz e amor!

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Por falar em colocar ordem nas coisas, eu resolvi colocar ordem também nas minhas redes sociais. Deletei uma das minhas contas no Instagram e fiz uma nova pra compartilhar mais coisas aqui do blog. A conta que deletei tinha muita gente estranha, muitos seguidores e gente que eu não queria que estivesse lá. Há tempos eu já não me sentia à vontade de compartilhar fotos por lá. Enfim, como número de seguidores e likes nunca foram um diferencial pra mim eu resolvi começar do zero. A nova conta é :@anaundkruemel e a outra @ana_schuller continua online também.

Foto 1: eucaliptos <3. Eu amo essa época do ano porque os mercados estão cheios deles; fotos 2 e 3: explorando a minha criatividade e pensando no pinguinho de gente que vai preencher logo mais esses lookinhos; foto 3: uma plantinha nova pro quarto dele; foto 4: um diy basiquinho pra deixar a casa mais verdinha; foto 6: um pedacinho do meu lugar preferido na casa <3.

Veja também como foi o mês de novembro da Taís (Irlanda) | Paula (Holanda) | Alê (Ucrânia) | Lolla(Inglaterra)

um resumo até as 25 semanas de gravidez

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Hoje completo 25 semanas de gravidez e olhando um pouco pra trás eu vejo como esses 175 dias foram intensos. Agradeço a cada minuto por ter conseguido chegar tão longe! Eufórica, eu quis escrever um post sobre cada marco alcançado, tinha tudo planejado na cabeça. Mas nem sempre a gente consegue colocar em prática o que idealizamos. Sei que cada dia de uma gravidez tem que ser celebrado, mas os marcos são os momentos mais especiais a serem lembrados e como até agora eu não consegui escrever nenhum diário de gravidez (eu não gosto dessa expressão :/) resolvi fazer um resuminho de como tem sido tudo desde o começo, enfatizando os momentos mais marcantes até agora.

O primeiro trimestre

As 13 primeiras semanas, que marcam o final do primeiro trimestre literalmente se arrastaram. Chegar a essa semana deve ser motivo de comemoração. Os três primeiros meses podem ser bastante complicados e para algumas mulheres uma fase bem difícil, pois o risco de um aborto espontâneo é ainda alto. É também a fase em que muitas passam mal e se sentem indispostas. Eu devo dizer que me sinto privilegiada por ter tido um início relativamente fácil. Tive cólicas fortíssimas logo quando descobri a gravidez e fiquei alguns dias de repouso. Mas não tive enjoos, azia, desejos, fome ou qualquer coisa do tipo. As vezes era até difícil de acreditar que eu estava realmente grávida porque eu não sentia absolutamente nada! Até que o sono excessivo e uns sonhos muito loucos apareceram e me fizeram acreditar que algo estava realmente em evolução dentro de mim. Eu que nunca fui de tirar soneca no meio da tarde cheguei no ponto em que poderia passar o dia inteiro dormindo se me deixassem. Eu me cuidei bem, repousei e confesso que me tornei até um pouco paranóica com as coisas que comia e com os movimentos que fazia. Tive muito, muito medo de perder esse bebê e não via a hora de chegar na bendita semana 13. Com 12 semanas o bebê já tinha forma, não era mais o amontoado de células que tínhamos visto no comecinho. Aqui é tudo muito diferente do Brasil. Eu por exemplo, não fiz nenhum exame de HCG e tive a minha gravidez confirmada pelo médico quando ainda não tinha nem saco gestacional dentro de mim. Mas como assim doutor? Não tem nada aí dentro e o senhor me confirma que eu tou grávida? Obviamente ele sabia o que tava dizendo, tanto que uma semana depois eu já tinha saco gestacional com bebê dentro. Por conta das cólicas, fiz ultrassonografias com 5, 6, 7 (quando vi o coraçãozinho dele batendo) e 12 semanas que confirmaram que a gravidez era viável. Ufa! Terminamos o primeiro trimestre um pouquinho preocupados com a minha pressão, que esteve alta por alguns dias. Tive que ficar em observação e controlando a pressão todos os dias por duas semanas. Felizmente ela baixou e estabilizou.

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17 semanas

Com 16 semanas e 6 dias nós descobrimos o sexo do bebê. Foi um momento muito especial, especialmente pra mim que estava super ansiosa pra saber. Eu contei aqui como foi. Notei que minha pele começou a melhorar. Antes de engravidar meu rosto e costas estavam tomados de espinhas. De repente elas sumiram! Eu estava pronta para viver o famoso momento “glow” dessa gravidez! Eu estava me sentindo muito bem. Super ativa e cheia de vida. Notei que meu cabelo também ficou melhor e crescia mais rápido. As unhas também. Thomas começou a me fazer um bem imensurável! Começamos a comprar algumas coisinhas pro bebê e o carrinho foi a nossa primeira aquisição.

19 semanas e 4 dias

Tivemos a nossa lua de mel da gravidez, bem do nosso jeito. Acampamos e fizemos três dias de hiking nas dolomitas. Aproveitei a disposição pra fazer o que tanto gosto. Um dia depois de retornar da Itália eu senti o bebê mexer! Exatamente com 19 semanas e 4 dias. Não foi nada de gases ou sensação de borboletas dentro da barriga como muitos dizem por aí. Foi um cutucão do lado mesmo! Muitas mulheres começam a sentir movimentos bem cedo e eu me perguntava o porquê de não senti-los já estando na metade da gravidez. Alguns dias depois descobri que tenho placenta anterior, ou seja, ela fica bem em cima do bebê e neste caso funciona como um amortecedor de impacto rs. Mexer ele mexia, disso eu não tinha dúvida. Nas ultrassonografias dava pra ver que ele era ativo. Eu só não conseguia sentir os movimentos por causa da localização da placenta. Depois desse dia os chutinhos ficaram ainda mais fortes e frequentes a ponto de fazer a minha barriga dar uns saltinhos. Senti-lo mexer pela primeira vez foi o momento mais mágico até agora!

20 semanas – a metade do caminho

Além da emoção de sentir o meu bebê mexer, essa semana foi muito especial também porque nela a minha barriga desandou a crescer. Fez um verdadeiro puft da noite pro dia! Com isso comecei a sentir dores nas costas, especialmente durante a noite. Comecei a sentir mais fome e meu apetite aumentou muito. Tudo o que eu comia me dava uma satisfação imensa. Aposentei as calças jeans e abracei o meu corpo grávido me presenteando com duas calças de gestante. Fiquei encantada com o conforto que elas me trouxeram. Comecei a comprar algumas roupinhas básicas pra ele, como bodies, calças e meias. Comprei também uns brinquedinhos fofos de madeira. Mas admito que não estou nada preocupada com o enxoval. Tenho feito tudo devagar porque sei que ainda tenho bastante tempo.

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22 a 24 semanas

Passei essas três semanas acompanhada de uma grande amiga de São Paulo que conheci em Mainz, durante o doutorado e sua filhinha. Desde os tempos de Mainz nós sempre damos um jeitinho de nos encontrarmos pelo menos uma vez no ano. E tem dado certo! A gente costuma dizer que a nossa amizade é cara. Mas sabemos que não há dinheiro no mundo que pague os momentos de felicidade que passamos juntas. Ela nos trouxe vários mimos, mas um deles é muito especial: o primeiro livro em português do Thomas! É um livro de 12 lendas brasileiras da Clarice Lispector, que vai contar muito sobre a outra metade dele. Fiz a ecografia morfológica e estive bem nervosa. Eu só queria ter a certeza de que estava tudo bem com ele. E está! Mediu-se todos os ossinhos, checou-se os órgãos, lábios, contou-se os dedinhos. Está tudo lá! Na ultrassom 3D eu vi ele se mexendo, levando a mão até o rostinho, brincando com o pezinho e bocejando. Foi emocionante!

Infelizmente minha imunidade baixou e eu tive conjuntivite seguida de um resfriado fortíssimo. Comecei também nesse período a sentir as contrações de treinamento. Essas contrações não chegam a doer, mas incomodam porque em certos momentos elas deixam a barriga bem dura. É um desconforto só.

Kilian começou a sentir os chutinhos também

Demorou um bocadinho até ele conseguir sentir o bebê colocando a mão na barriga. Foi exatamente semana passada, quando eu estava com 24 semanas. Agora tem sido diariamente e ele sempre fica super emocionado.

25 semanas

Já engordei 5 quilos! O meu apetite continua a mil, mas sigo sem desejos. Um dia desses comi chucrute (uma das coisas que mais detesto – ou detestava – comer na Alemanha) e só faltei lamber o prato. Muito bizarro! Já ouvi dizer que estou com cara de mãe e muitos estão se surpreendendo com o tamanho da minha barriga. Tem gente dizendo que ela está muito grande para o meu tempo de gestação. Pelo menos ainda não me perguntaram se tem dois dentro dela. Mas eu não me importo com os comentários. Mesmo. Pra falar a verdade, eu estou apaixonada pelo meu corpo e encantada com a transformação que ele está passando. Acho verdadeiramente bonito acordar e ver que ela está cada dia maior. Não me lembro nessa vida de estar tão satisfeita com a minha aparência como agora. Me sinto tão de bem comigo mesma que nem o comentário mais negativo é capaz de me colocar pra baixo. E não é só a questão da aparência não. Eu fico maravilhada sempre que olho no espelho e me dou conta do privilégio que estou tendo. O de carregar uma vida dentro de mim. Nenhum homem jamais vai saber o prazer disso. É um privilégio só nosso e eu me sinto poderosa, uma verdadeira heroína.

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Como o bebê está

Ontem mesmo tive consulta e o médico mediu a cabeça, a barriga e o fêmur novamente. De acordo com os cálculos ele já está pesando 760 gramas e mede cerca de 35 cm. O espaço que antes ele tinha pra se movimentar livremente está ficando pequeno. Ele já ouve a minha voz e até reage quando estou cantando. Enquanto ele continua explorando o seu mundinho, eu já noto alguns padrões no comportamento dele. Sei que ele acorda junto comigo e se mexe mais depois do almoço. Daí ele dorme novamente e acorda quando eu estou indo dormir. Os aplicativos que uso (Ovia e Gravidez +) dizem que nessa semana o cabelo do bebê começa a ficar mais grosso, que a pele dele já não é mais transparente e que ele já tem o senso de equilíbrio. Ele já entende que está de cabeça pra baixo ou virado pra cima, o que o ajudará a tomar a posição de nascimento. A memória primitiva dele também está começando a se desenvolver, ou seja, todas as músicas que eu canto pra ele deixarão uma marca no seu cérebro. Eu converso com ele, digo o quanto ele é amado e peço todos os dias pra que ele fique aqui dentro até o finalzinho. Que eu quero muito ver o rostinho dele, mas que eu sou paciente e vou esperar até que ele esteja pronto para o mundo. Sabe o que mais me apaixona nesse processo todo? Dizer tudo o que digo e ter a certeza de que ele me escuta!

Agora sinto que o tempo está voando. Faltam pouco mais de 100 dias para ele nascer!

 I grow a human. What’s your superpower?

6on6 #Oktober

Eu mal consigo acreditar que já faz um ano que escrevi este post aqui falando de como o mês de outubro é especial pra mim. Mas diferente dos outros anos que eu sempre ficava assustada nessa época porque o ano já caminhava para reta final, neste outono eu só me alegro de ver o tempo correr dessa forma. Cada semana que fica pra trás me deixa ainda mais perto do dia de ter o baby Thomas nos meus braços.

Como em todos os meus anos de Alemanha, outubro deu novamente um show de tempo bom apesar de alguns dias chuvosos. Foi um mês super corrido pra gente e eu não parei quieta em casa. Logo no comecinho do mês estivemos na região das Dolomitas fazendo as últimas trilhas do ano, no meio tivemos a visita de um casal que conhecemos lá na Islândia (sim, eu faço amigos por onde passo!) e no fim de outubro fui para Berlim passar os últimos dias do mês com minha grande amiga Ju (do meu tempo de doutorado) e sua filhinha, que ainda estão por aqui trazendo ainda mais alegria para os meus dias.

Por aqui teve muita sopa de abóbora, passeio na floresta e paparicação dessa barriga que tá ficando cada dia maior e mais redondinha! Outubro foi lindo e eu já sonho acordada com o próximo outono – o nosso primeiro a três <3.

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fotos 1,3: plantação de abóboras em Fürth; foto 2: céu de outono; foto 4: Nuremberg linda com as cores do outono, foto 5: passeio na floresta em Crailsheim; foto 6: Tre Cime di Lavaredo, Itália.

Veja também como foi o mês de outubro da Taís (Irlanda) | Paula (Holanda) | Alê (Ucrânia) | Lolla(Inglaterra)