Sob o sol de Jeri

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Schatzi e eu nunca estivemos tão longe um do outro. Nesse momento ele está em algum lugar em Taiwan e eu aqui em Fortaleza. A minha vinda foi espontânea, decidida depois que ele recebeu uma proposta do trabalho para visitar algumas instalações da empresa por lá. Para mim foi uma ótima oportunidade, não só para rever a família – especialmente as crianças – e amigos queridos, como também para desopilar um pouco da saga da procura de emprego. E está sendo muito bom aqui! Já fiz várias coisas que gosto, comi quase todas as comidinhas que adoro, fui para um cover dos Beatles, fui na minha livraria favorita, revi bons amigos e até tive a chance de fotografar um noivado na praia. Passei também alguns dias em Jericoacoara com minha irmã do meio. Para quem não sabe, Jeri – como é chamada carinhosamente – é uma praia situada num parque ecológico nacional a 300 km de Fortaleza e já foi até eleita há alguns anos atrás, como uma das praias mais bonitas do mundo. Para chegar na vila, é preciso atravessar dunas, o que só pode ser feito com veículos 4×4.

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Jeri é realmente linda, rústica e por lá tem-se a sensação de que o tempo não passa. As ruas são todas de areia, as casinhas são coloridas e tudo é decorado com muito bom gosto. Antigamente era conhecida por ser apenas uma vila de pescadores isolada por dunas. Acredito que hoje seja o destino mais procurado no  estado do Ceará. Eu adoro uma praia, mas o que mais adoro por lá são as lagoas. Existem várias, cada uma mais linda que a outra. Elas ficam especialmente lindas e clarinhas quando chove bastante nos meses de maio e junho. Fotos: lagoa do paraíso e lagoa azul.

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Além do passeio para as lagoas,  eu adoro fazer a caminhada até a pedra furada. Nos meses de julho e agosto o sol se põe exatamente na fenda da pedra. Então muita gente vai até lá só para apreciar esse fenômeno.

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 A caminhada é uma delícia e a paisagem então, é de tirar o fôlego!

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Por causa da multidão que se forma em frente à pedra furada, eu gosto de contemplar o pôr do sol do morro do serrote. E não me canso nunca de apreciar momentos como esse! Jeri tem sem dúvida o pôr do sol mais bonito que já vi na vida!

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Outro lugar ainda mais especial para assistir ao espetáculo, é na duna do pôr do sol. Primeira parada obrigatória para quem chega em Jeri no finalzinho da tarde. Em termos de localização, Jeri é muito privilegiada. É um dos poucos lugares no mundo onde o sol se põe dentro do mar. Esse espetáculo se repete e é aplaudido todos os dias. Subir a duna do pôr do sol para contemplar o crepúsculo é praticamente um ritual.

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Mesmo com toda a movimentação de turistas eu considero Jeri um lugar seguro e tranquilo. No meu último dia, acordei cedinho para ver o sol nascer. Caminhei pela praia, fiz várias fotos, conversei com pescadores enquanto esperava o momento em que o sol apareceria entre os coqueiros. Andei todos os dias com a câmera na mão e não me senti insegura em momento algum. Uma realidade bem diferente da que estamos acostumados nas cidades grandes. Ter essa sensação de tranquilidade dentro do Brasil é algo impagável. Espero que a violência e as inúmeras atrocidades que acontecem todos os dias em Fortaleza nunca cheguem a perturbar a paz de Jericoacoara.

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Saudades de quando visitei esse paraíso com o Kilian. Ele adorou tanto quanto eu! Depois desses dias em Jeri, sinto que voltarei pra casa mais tranquila e revigorada!

Os dias na terra do sol (I)

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Ir ao Brasil pelo menos uma vez por ano é para mim um evento especial. Conhece aquele ditado que diz que a gente só sente falta de alguma coisa quando não a tem mais por perto? Ele se aplica muito na minha vida. Só depois de morar tão longe do Brasil é que passei a realmente dar mais valor a certas coisas. Eu que tanto reclamava dos dias quentes e ensolarados da minha cidade natal, hoje sinto na pele (e no coração) a falta que ele faz por aqui. Sabe que mesmo tendo morado a minha vida toda perto do mar, eu nunca tinha tido o interesse de acordar cedo pra ver o sol nascer? O branquinho chegou no Brasil duas semanas depois de mim. Logo no dia seguinte fomos para a praia do Cumbuco, que fica a uns 30 km da capital e lá passamos três dias bem sossegados. Moramos bem de frente para o mar e foi maravilhoso relembrar como é bom dormir ouvindo o barulho das ondas. Combinamos de acordar cedinho na manhã seguinte para registrar o amanhecer. As cinco já estávamos sentadinhos na beira da praia esperando o astro rei. Achei que seríamos os únicos a estar acordados naquela hora, mas que nada, os pescadores da vila já estavam se preparando para ganhar o mar. A platéia era minúscula diante daquele espetáculo digno de multidão. Mas nos sentimos muito felizes e privilegiados. O show foi feito praticamente só pra nós dois!

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Seria tolice voltar pra cama. Resolvemos então aproveitar a manhã mais fresquinha pra caminhar pela praia. Caminhamos por duas horas e por um bom trecho até tivemos companhia 🙂

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O Cumbuco é uma praia linda, muito conhecida por suas dunas e pela prática do kitesurf. É super prático chegar lá a partir de Fortaleza. Ficamos hospedados no hotel Duro Beach, que recomendo facilmente. A televisão não funcionava e a internet tinha o sinal péssimo…mas né, quem precisa de tv e internet quando se tem a imensidão do mar diretamente à sua frente?

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Um conselho para a vida: acorde cedo para ver o sol nascer. As coisas mais simples da vida são sem dúvida as mais significativas! #livethelittlethings

Isto aqui ô ô…

é um pouquinho do Brasil iá iá…

Se eu pudesse contaria tim-tim por tim-tim dos meus dias no Brasil, mas como passei bastante tempo por lá, eu teria que escrever em muitas postagens. Por isso resolvi compartilhar só algumas fotos. Para vocês talvez sejam apenas belas imagens, mas pra mim, elas carregam grandes emoções de dias de muita alegria e calor humano.

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P.S. desculpa pelo sumiço, mas estou realmente precisando organizar a vida…

A diferença está nos detalhes

Esses dias ganhei novos leitores aqui no blog (eba!!!) que deixaram alguns comentários super carinhosos. Fico tão feliz com isso, vocês nem imaginam o quanto! Um muito obrigada de coração a todos que me acompanham aqui! E por causa disso, mesmo estando de férias, cheguei a conclusão de que não consigo ficar longe daqui. É mais forte que eu!!! E só pra atualizar quem chegou por aqui agora, eu adoro tirar fotos e tenho uma vontade incontrolável de compartilhá-las. Há uns meses atrás comecei com a série “foto friday”, uma coisa meio portenglish mesmo, porque né “foto sexta” não ficaria legal, mas descontinuei, porque na verdade os meus textos normalmente já são bem carregados de fotos.

Dias atrás estive pela primeira vez em Florianópolis. Que cidade linda, gente! Depois vou fazer um post mostrando como foi por lá. Mas hoje, queria apenas compartilhar uma imagem que tirou o meu fôlego. Estava eu passeando por uma vila de pescadores muito charmosinha, chamada Santo Antônio de Lisboa, quando me deparei com a linda imagem de uma moça sentada num banquinho observando o mar calmo. Pá, fotografei, duas vezes. A primeira foto ficou clara demais, diminuí o ISO da câmera rápido e morrendo de medo que ela notasse, fiz a segunda foto. Sei que não é legal tirar fotos de desconhecidos por aí, mas só fiz porque ela estava de costas. Na minha opinião, essa é uma das fotos mais lindas que tenho. Para mim, ela parece estar tão tranquila, despreocupada e leve, bem leve. Fui andando e na volta ela já não estava mais lá. Eu amo fotos de bancos solitários e acabei fotografando somente o banquinho. Depois que passei as fotos pro computador e dei uma melhorada nas cores, vi que a foto sem a moça ficou sei lá, apagada. A moça linda da foto fez toda a diferença, não acham? Se eu tivesse a chance de vê-la novamente, daria essa foto pra ela de presente, mesmo correndo o risco de ser processada por roubo de imagem! 🙂

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P.S. tive problemas com minha conta anterior do Instagram, não consegui mais acessá-la e ela simplesmente sumiu sem eu ter feito ou postado nada impróprio!!! Pode?! Fiz outra há alguns dias atrás, quem quiser acompanhar os meus cliques por lá, o link de acesso está do lado direito aqui do blog.

Bom fim de semana procês!

Amor

Eu gosto de uma frase que diz: “Ser tia é amar uma pessoinha que não é sua, mas a quem você pertence”. Quem é titia ou titio sabe bem o que ela significa. Eu sou tia de quatro, dois meninos e duas meninas. O primogênito foi o meu primeiro grande amor e depois que os outros vieram, me assumi como uma tia enlouquecida de paixão. Realmente, o meu amor é sem controle! Eu amo até os filhos dos outros, que nem meus sobrinhos são! Sou uma verdadeira titia de muitas crianças, e é assim que muitos me chamam.

Amo meus sobrinhos igualmente, sem menos e nem mais, independente dos que já são mais velhos serem uns chatos de vez em quando. Mas uma criança pequena tem todo um encanto especial. Quando fui embora do Brasil no ano passado, minha pequena Gabi tinha apenas alguns meses de vida e Deus sabe como foi doloroso. Comecei a ver o crescimento dela pelo Skype, mas claro que nunca é a mesma coisa, eu sentia que estava perdendo tudo, o nascimento dos dentinhos, as primeiras engatinhadas, os primeiros passinhos. Não acompanhei nada disso de perto, assim como acompanhei dos outros três. Ela cresceu e sempre me olhava pelo Skype, mas não tinha nem ideia de quem eu era. Antes de vir visitar minha mãe, fiquei morrendo de medo que ela não me reconhecesse. Ela reconheceu, mas me ignorou nos primeiros dias. Me observava muito com os olhos grandes e expressivos que ela tem. E eu fui tentando aos poucos me aproximar. Tentei até comprá-la com presentes, mas nem isso funcionou! 🙂

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O bom é que depois de todos esses dias, ficamos super amigas! Ela é vaidosa como a tia e adora me observar. Sempre que me apronto ela olha pra roupa e diz: Linda! Eu me derreto toda! As vezes pede pra eu pintar somente uma unha da mão, e eu pinto! Coisas que só uma tia louca é capaz de fazer. Adora se olhar no espelho e vive ajeitando a franjinha que a deixa ainda mais com rostinho de boneca. Agora ela sabe que sou a titia dela e estou por perto, tanto que quando ela me procura e não me encontra ela diz: cadê titia, acabou…e isso acaba comigo. Em alguns dias estarei voltando pra casa e me parte o coração saber que ela vai me procurar e não vai me encontrar. Na verdade, voltarei para dentro do computador. Como fazê-la entender isso?!

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Sobre os encontros bons da vida

Quem já clicou no link sobre aqui do blog, viu na descrição que eu sou Química. Escolhi essa profissão por causa de dois grandes professores do ensino médio que me fizeram gostar muito da matéria. Em 2001 entrei na uni, me formei, fiz mestrado, doutorado e pós-doutorado. É, fui bem longe! A decisão de fazer o doutorado foi simplesmente por um único objetivo, o de ser professora. Atualmente, para ser professor nas universidades e centros tecnológicos, um dos requisitos é ter esse título. Mas antes de ingressar no curso de doutorado, eu fui professora da rede estadual. Lecionei física e química em dois colégios, sendo um deles, localizado em uma das regiões mais pobres e perigosas de fortal. Tive aluno de todo tipo, dos que apareciam drogados aos que queriam me enfrentar. Muitos deles não me respeitavam pela minha idade. Tá, não vou entrar em detalhes. Mesmo assim, foi um ótimo período da minha vida.

Na época, eu tive um aluno do segundo ano que era simplesmente excepcional. Ele era muito inteligente e desenrolava todos os problemas que eu passava com muita facilidade. Eu lembro que fazia desafios com questões mais complicadas e ele sempre chegava com o resultado correto. Eu via no rapaz um grande potencial e vez por outra, o incentivava a se preparar para o vestibular. A resposta dele era sempre a mesma, que não podia, porque tinha que arranjar um emprego pra ajudar em casa, já que ele era o único homem da casa. O objetivo dele era terminar o segundo grau, encontrar um emprego e ganhar o suficiente para ajudar à mãe. A irmã dele também foi minha aluna, mas desistiu dos estudos depois que se envolveu com drogas. Deixei a escola antes do final do semestre, depois que um aluno, que não era meu, me assaltou e espancou. Ele era menor e me aconselharam a não ir fazer reconhecimento, pois a consequência mais tarde seria pior. Fiquei com medo, saí do colégio e nunca mais tive notícias do F.

A vida é dura mas também é cheia de boas surpresas…

Nunca, nunquinha me passou pela cabeça, encontrar o meu ex-aluno exatamente no lugar onde passei os dez anos mais bem vividos da minha vida. Ele me reconheceu e de longe fez um sinal com a mão de “me espera que to indo aí”. Perguntei o que ele andava fazendo na uni e ele respondeu: estudando Física! Gente, física não é pra qualquer ser humano…acho que é o departamento que concentra o maior número de nerds da capital. Fiquei tão emocionada, tão realizada, que me faltaram palavras e meus olhos lacrimejaram. Por fim, ele me disse que também vai fazer mestrado e seguir a carreira acadêmica. É sempre assim, a vida sempre nos dá boas recompensas pelas boas sementes que plantamos! Eu nunca senti tanto orgulho de uma pessoa. Também senti orgulho de mim, depois que ele falou que eu fui um grande exemplo de incentivo pra ele. Orgulho de ter ajudado de alguma forma a deixar esse rapaz de fora das estatísticas desse mundão de violência. Tenho certeza que ele será admirado e considerado um grande exemplo para muitos outros quando contar sobre trajetória que o fez ir tão longe também.

***

É MUITO TRISTE ver a situação das escolas brasileiras. As escolas públicas se sustentam hoje mais pela boa vontade e solidariedade dos educadores do que pelas políticas públicas que deveriam fazê-las funcionar como deveriam. Eu tenho visto na tv que a violência tomou uma proporção tão grande, que algumas até pararam de funcionar por não aguentarem mais tantos furtos. Além de todo o descaso com a alimentação, material didático e infraestrutura decadente, a violência é agora mais um outro agravante. Quem nesse mundo consegue dormir tranquilo depois de roubar merenda escolar??! Eu e o F. fazemos parte da grande minoria que conseguiu vencer muitas barreiras sociais (sim, eu também sempre estudei na rede pública!). Mas o desafio principal é vencer a chamada síndrome da autoexclusão, ou seja, aquela que faz o aluno pensar que não é bom o suficiente, que não tem capacidade para ingressar numa universidade por causa que a escola é pública e ruim ou que o tão sonhado curso tem o nível muito alto. Esse é um desafio próprio, que deve ser combatido com muito esforço, empenho e muito incentivo. O F. conseguiu e está aí como prova de que é possível sim! Eu também. 🙂

Home

Tem certas coisas que tocam meu coração a ponto de ficarem marcadas. Música é uma delas. A minha vida tem trilha sonora e gosto muito de associar música a pessoas e momentos.

Um dia escrevi aqui no blog um post muito tristinho onde eu falava sobre algumas amizades, em como andava me sentindo meio que abandonada por alguns amigos no Brasil. Para minha surpresa, recebi dois emails de duas leitoras (e amigas) que me tocaram muito. Uma delas quase exitou em clicar enviar por não saber como eu reagiria. Desse pequeno clique nasceu uma amizade. A outra querida, me enviou uma mensagem linda e citava o trecho de uma música, em que ela enfatizou a frase:

Every road is a slippery slope. There is always a hand that you can hold on to. Looking deeper through the telescope, you can see that your home’s inside of you.

93 Million Miles – Jason Mraz

Desde então, essa música passou a ter um profundo significado pra mim, não só por falar de um assunto que ainda mexe muito comigo, mas também por eu sempre associá-la com essas duas pessoas pelo carinho de terem me escrito. Eu me surpreendo muito com o ser humano!

Estar de volta ao Brasil pela primeira vez após firmar residência na Alemanha tem sido confuso. Tem uma mistura muito louca de sentimentos dentro de mim. A Alemanha agora é meu lar. Mas no fundo, eu quero que aqui também permaneça sendo o meu canto. Quero poder me sentir acolhida sempre que puder voltar. Mas voltar, apesar de toda a alegria de reencontrar aqueles que amo, não é fácil. A mesma distância que fez o meu amor e amizade pelo meu Kilian se fortalecerem, fez o oposto com algumas pessoas. Algumas relações foram enfraquecendo e mágoas foram se acumulando. O tempo, por definição, muda as coisas. O que aliás, pode ser bom. Quantas pessoas que você conhece, que se perguntadas se gostariam de ser exatamente como há dois anos atrás diriam que sim? Provavelmente poucas. Cheguei fechada e com receio de encontrar alguns amigos antigos, pois tive medo de receber abraços frouxos e ver sorrisos forçados.

Voltar para casa não é fácil, porque gerir expectativas é difícil. Pessoas mudam e consequentemente as relações também mudam. Alguns lugares que antes você ocupava foram preenchidos, talvez com novos melhores amigos, novos interesses, uma nova dinâmica social. Você olha para trás e pensa que vai poder continuar do ponto em que parou, quando na realidade você se dá conta de que está cada vez mais longe desse lugar. Sua família não é perfeita. A gente se dá conta também que sempre teremos diferenças com nossos irmãos, que o teu irmão mais novo continua o mesmo mimado de sempre. Não é fácil voltar a conviver 24/7 e ver que eles continuam acordando de mau humor e que irritantemente continuam falando com a boca cheia. Voltar para casa é difícil porque terá situação em que você terá que responder perguntas idiotas de pessoas que não pensam antes de falar. Vão te chamar de gorda ou de esquelética. Na verdade, algumas pessoas querem apenas um motivo pra falar e você nunca estará bem o suficiente pra elas. Alguns te pedirão pra contar histórias e demonstrarão interesse na sua vida, enquanto outros fecharão os ouvidos alegando que não aguentam mais te ouvir falar desse tal lugar perfeito em que você mora. Você terá tantas coisas pra contar, há tanto pra ser dito, fotos a serem compartilhadas, mas apenas alguns estarão particularmente interessados. E assim como eu, você se sentirá rejeitado, negligenciado e mal interpretado. Alguns vão notar que eles não foram os únicos que mudaram. Vão te achar mais sério, ou fechado, ou mais antiquado pela tua vestimenta. Você vai parar pra pensar e concluir que sim, o tempo também te mudou. Alguns, porém, são imunes à passagem do tempo e continuam na mesmice de outrora. E esses, esses são os que mais vão te azucrinar com piadas e comentários infelizes.

Mas mesmo diante de tudo isso, voltar pra casa também pode ser maravilhoso. Apesar de todos os abraços frouxos que você receberá, terá aquele que vai tirar teu fôlego. Terá alguém que vai soltar lágrimas por te ver novamente. Sempre, sempre existirá alguém que te receberá com braços abertos e fraternos. Estar em casa, significa comer as comidinhas boas da mamãe. Significa almoçar juntos aos domingos, mesmo com todas as diferenças entre você e seus irmãos, afinal, vocês se amam. Significa crianças lindas e choronas correndo pelo casa e trazendo mais alegria ou o vizinho que vai fazer cara de espanto ao te ver e te dizer com o coração cheio de alegria: seja bem-vindo!

Quanto as amizades, parece que algumas realmente foram desfeitas com o tempo…enquanto outros sorrisos, continuam adoráveis e os abraços também, independente da vida que segue. E são esses sorrisos e abraços que quero ver e sentir enquanto estiver aqui.

Quer saber o que eu sou? Uma pessoa de muita sorte! Pois tenho pessoas que me amam me esperando em dois países diferentes. Eu tenho dois lugares pra chamar de casa e sempre que chegar, sei que encontrarei uma cama arrumadinha e um travesseiro com a fronha fresquinha à minha espera! Minha casa está dentro de mim! 

Resolvi escrever porque me deu saudade daqui e também porque tinha tudo isso passando na minha cabeça ultimamente…