Caminhando na primavera

Uma das coisas que mais gostamos de fazer nos finais de semana é sair pra caminhar. E quando os dias estão ensolarados, não tem nada que nos prenda em casa. Muitas vezes caminhamos sem rumo e acabamos por conhecer lugares simplesmente fantásticos. O monte Walberla é um deles. Fica situado nos arredores de Forchheim, na Fränkische Schweiz, cerca de 40 km de Fürth, e é conhecido como o portão de entrada da região. A primeira vez que fomos lá foi no inverno do ano passado, enquanto eu procurava um cenário para fotografar um belo casal, cuja moça me encontrou através do This German Life. Voltamos agora na primavera e o local está completamente diferente. Cerejeiras estão enfeitando toda a região, que de fato é uma das maiores áreas na Alemanha em plantação de cerejas. Existem várias trilhas que levam ao topo, nada muito cansativo, na verdade elas oferecem um passeio bem relaxante. Lá em cima tem uma capela muito charmosa e uma vasta área onde as pessoas aproveitam pra passar um tempo desfrutando do sol. A simplicidade e beleza desse lugar me encantam! Confira!

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Uma prisão da Idade Média

Mais um módulo de alemão concluído! Foi um mês muito puxado mas que me fez aprender um bocadão. Adorei a VHS de Nürnberg e vou continuar por lá. No fim desse mês começa o novo nível: avante B2! No último dia de aula fizemos um passeio em Nuremberg acompanhados de uma das professoras. Fomos conhecer uma prisão da Idade Média, onde pudemos aprender um pouco sobre como eram os castigos aos crimes cometidos naquela época.

O Lochgefängnis, nome que se dá ao local, é bastante sombrio e tem um clima bem pesadinho. As masmorras foram criadas no século 14 e serviram com celas para os presos que aguardavam julgamento ou estavam sob custódia até sua execução. Durante a Idade Média, havia pouca oportunidade para uma pessoa acusada de um crime poder se defender. Na verdade, o sistema de justiça envolvia em grande parte os reis e realeza que tinham o poder de infligir castigos terríveis sobre os criminosos. E não precisava só cometer um crime grave não, muitas pessoas foram jogadas na prisão, simplesmente por serem incapazes de pagar suas próprias dívidas. A pena de morte já existia na Alemanha naquela época e em muitas partes do país, os crimes mais graves, como assassinato, eram sentenciados automaticamente à pena de morte.

São doze celas pequenas equipadas com uma cama, um banco e uma mesinha, tudo de madeira. Existiam também as celas especias, para incendiários e caluniadores, essas eram marcadas como especiais. Os castigos poderiam ser diferentes, dependendo de onde a pessoa viveu ou do seu status social. O lugar chamado “capela” era a sala de tortura da época, usada para extrair confissões. Alguns dos métodos de tortura que eram utilizados:

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Uma forma horrível de execução era o aquartelamento (será que faz sentido essa palavra?), que funcionava mais ou menos assim: os braços e pernas de uma pessoa eram amarrados a barras ligadas a quatro cavalos diferentes. Quando os cavalos corriam em direções distintas, a pessoa que tinha sido amarrada morria quase que repentinamente. Mas também acontecia de os cavalos não correrem imediatamente em direções distintas e a pessoa levava horas pra morrer. Uma verdadeira agonia pra quem tava amarrado, hein? Não gosto nem de pensar :/

Infelizmente, essa e outras formas de execução eram muito comuns na Idade Média, uma vez que era muito menos dispendioso executar uma pessoa do que mantê-la viva numa cela dando pão e água.

O nosso amigo mexicano como prisioneiro. 🙂

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Lochgefängnis fica localizado no antigo Rathaus de Nuremberg e a visita custa 3,5 euros por pessoa. O lugar é meio creepy, mas acho que vale a pena fazer uma visita se você estiver de passeio por aqui. O grande inconveniente é que a visita guiada é só em alemão. Se quiser se aventurar em entender um pouco de Fränkisch, o lugar é aqui mesmo! 🙂

Uma obra e tanto

Há alguns anos atrás, bem antes de vir morar na Alemanha, eu vi uma foto no facebook de um navio que navegava por cima de uma ponte e fiquei de queixo caído me perguntando do porquê daquilo existir e fascinada com a grandeza daquela obra. Na época, dei uma lida sobre a história da construção do projeto, sem nem passar pela minha cabeça que alguns anos mais tarde, o destino me levaria para morar a exatamente 6 km do local da foto.

Rhine–Main–Danube Na sexta passada fui conhecer um lugar muito legal aqui em Fürth, chamado Solarberg, uma região montanhosa nas redondezas onde se tem uma pequena instalação de células solares e de quebra oferece uma vista magnífica de Fürth, se estendendo até Nuremberg e Erlangen, as duas cidades vizinhas. Lá também fica parte do trecho de 171 km do canal que conecta 10 países europeus (linha vermelha no mapa). O canal Reno-Meno-Danúbio, faz a conexão com os rios Danúbio e Meno ligando ambos ao rio Reno. E graças a ele, é possível desde 1992 o transporte fluvial desde o mar do Norte, nos Países Baixos até o mar Negro em Constança, na Romênia.

E não é que tivemos a sorte de ver uma embarcação passando no exato momento? 🙂

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Só de imaginar a infraestrutura necessária para vencer as altitudes que separam essas duas bacias fluviais, do Reno e do Danúbio, fico com um nó na cabeça diante de tamanha complexidade. Esse longo caminho a ser percorrido, desde a Romênia até os Países Baixos, não é plano! Agora imaginem como as embarcações fazem para subir e descer em altitudes diferentes? Através de um sistema de sequências de escadas d’água! Quando uma embarcação tem que subir montanha acima, por exemplo, a mesma entra numa espécie de reservatório onde mais água é bombeada para dentro, elevando assim o nível de água e consequentemente fazendo com que a embarcação suba. Para descer o contrário é feito, água é retirada do reservatório fazendo com que a embarcação desça. Fantástico, não acham? Essa foi a forma bem grosseira que achei de explicar, porque né, sou leiga no assunto e nem sou engenheira. Parece até ser uma coisa bem simples! Mas de simples, essa grande obra não tem nada.

Aproveitamos que o tempo estava bonito e ficamos por lá até o anoitecer para contemplar o pôr do sol. IMG_8234

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Bom, o lugar nem é turístico. Só quis escrever mesmo por achar interessante morar tão pertinho de um lugar que há alguns anos atrás chamou tanto minha atenção. Com certeza, é um lugar onde levarei familiares e amigos que futuramente possam vir me visitar. 🙂

Boa semana pra todos!