33 semanas com meu pequeno buda

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Três semanas se passaram desde a minha ultrassom de 30 semanas. Nela a gente viu que o bebê estava na posição transversa, ou seja, a cabeça no lado direito, bundinha no lago esquerdo e os pés de alguma forma também no lado direito. Tudo bem, o médico disse que ainda era um pouco cedo pra se preocupar, mas não deixou de mencionar a tal da cesariana. Concordo que seja total ignorância minha, mas eu nem sabia que existiam tantas posições pra o bebê se acomodar dentro da barriga da mãe. Eu fiquei preocupada, obviamente. Escutar a palavra cesariana naquele dia foi como um banho de água fria. Quero deixar bem claro que não tenho nada contra o procedimento e que até entendo que ele numa situação de emergência pode salvar vidas. Só que uma cesariana nunca esteve nos meus planos.

Ontem na consulta de 33 semanas descobri que o bebê está agora sentadinho, exatamente como um pequeno buda. Super confortável! Eu na verdade já até suspeitava que ele não tivesse virado. Há dias eu podia sentir a cabeça dele pressionando as minhas costelas e uma pressão muito grande na bexiga devido aos pés dele.

Comecei loucamente a ocupar a minha cabeça com o assunto e de acordo com um artigo que li no site na maternidade de Nuremberg, cerca de 5% dos bebês não viram até a hora do parto. Isso me trouxe uma paz muito grande! Pensei: nós ainda temos uma grande chance de não fazermos parte desta percentagem! Só que vi também que entre as semanas 32 e 33 a grande maioria dos bebês já estão na posição cefálica. Infelizmente eu não vejo mais nenhum esforço dele pra tentar sair dessa posição. Desde que descobri que ele estava transverso, todos os meus esforços se voltaram para que o meu corpo pudesse ajudar esse bebê a virar de cabeça pra baixo. Comecei a nadar, fazer exercícios na bola de yoga, andar mais e dormir só do lado esquerdo. Três semanas se passaram e nada. Podem é me dizer e repetir que eu esteja exagerando, mas eu estou profundamente apreensiva. Há 8 meses tenho planejado um parto normal e até mesmo antes de engravidar, eu sempre soube que queria passar por esse momento que eu acredito ser uma verdadeira transformação física, emocional e espiritual. Me agarrei firme na ideia de que o parto natural seria um grande marco na minha vida. Estou tendo uma gravidez sem riscos e complicações e tudo caminhava para a realização desse sonho e agora a ideia de tirarem o meu filho de dentro de mim com data e hora marcada me deixa muito assustada.

Meu médico sugeriu esperar até a semana 36, repetir o exame e se for constatado que ele continua sentado, vai me encaminhar para o hospital para uma conversa com a equipe sobre o plano de parto. Tudo indica que a partir de 37 semanas fica improvável que um bebê se vire sozinho por causa do seu tamanho. Ele me sugere fazer a cesariana com 38 semanas. Eu e Kilian negamos a sugestão. Achamos 38 semanas muito cedo pra tirar ele daqui de dentro. A minha Hebamme (doula) ainda acredita que ele possa virar e me sugeriu começar a acupuntura. Ele não sugere fazer a versão cefálica externa e eu também não a faria de jeito nenhum. Li ontem também que a maternidade de Nuremberg realiza por ano uma média de 200 partos pélvicos. Eles acreditam que um bebê pélvico não é sentença para cesariana. Mas a ideia me parece um pouco absurda. De qualquer forma estou com vontade de visitar a maternidade só pra ter uma ideia de como seja isso, saber das vantagens e desvantagens em relação à cesariana.

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Bom, mas os últimos dias também tiveram o seu lado despreocupado. Eu já não sinto mais dor na lombar ao dormir e por três noites seguidas tenho dormido muito bem! Escrevo isso com uma felicidade imensa, porque as noites mal dormidas estavam me deixando muito rabugenta e desmotivada. Outra coisa é que o fato dele já estar grandão e sentado faz tudo ser muito mais real. Quando ele se estica e a cabeça sobe eu posso literalmente sentir os ossinhos dele. Passo a mão e parece que tô acariciando a cabeça dele fora da barriga. Com o bumbum é a mesma coisa. É muito louco! Pena que não consigo sentir os pezinhos dele, que estão ocupados chutando a minha bexiga.

As próximas semanas até a próxima consulta serão de espera pela tal da cambalhota e de planejamento também. Eu sei que não vou deixar de ser mais mãe se tiver que passar pela cesariana. Por isso estou tentando trabalhar a ideia internamente para que no fim (se for mesmo o nosso caso) o meu parto não seja um momento de frustração. Mas como que pode ser né? Acredito que a partir do momento em que uma mãe escuta o choro do filho, seja depois de um parto normal ou de uma cesariana, todo o resto passa a ser como se diz por aqui “völlig egal” (totalmente sem importância)!

Se alguém que acompanha o blog tiver passado pela experiência de ter um bebê pélvico ou da cesariana e quiser compartilhar comigo a sua experiência (seja boa ou ruim) eu ficarei muito grata!

No mais sigo na torcida #virathomas

 

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Bem-vindo 2017! Eu nunca estive tão ansiosa para um ano começar quanto agora. O dia de hoje marca para mim uma contagem regressiva até o dia do nascimento do Thomas. Se ele chegar na data prevista, dia 02 de março, ficam faltando exatamente 60 dias. Como não iniciar este ano já tão feliz?

O ano de 2016 foi um ano difícil pra nós, especialmente a sua primeira metade. Mas eu não quero mais tocar neste assunto. A segunda metade foi só alegria e tudo o que foi triste ficou literalmente pra trás. Muita coisa legal aconteceu no ano passado também. Nós fizemos juntos viagens fantásticas. Estivemos na Islândia, Suíça, França e Itália. Foi o ano que mais viajamos e para a minha vergonha, o que menos publiquei aqui no blog. Eu tinha tantos planos de escrever sobre os lugares por onde estivemos, mas terminei o ano cheia de posts no rascunho e sem disposição alguma pra escrever.

Em dezembro eu fiquei mais velha e comemorei os meus 34 anos com o cabelo mais curto e com um bebê de 29 semanas na barriga. Pode até parecer clichê demais dizer que ele foi o meu melhor presente. Mas foi mesmo! E digo o mesmo para meu presente de natal, de ano novo e de todos os outros dias que tenho pela frente.

Iniciamos o mês de janeiro na semana 32 da gestação e com um dia lindo! Ontem a noite o termômetro marcou -8 graus e amanheceu tudo congelado. Mas o frio não nos intimidou. Nos vestimos quentinhos e fomos respirar o ar gelado e fazer os primeiros registros do ano.

Minhas resoluções para 2017? Viver intensamente cada dia deste ano que será sem dúvidas o melhor da minha vida. O ano do nosso filho!

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O blog tem tomado um rumo diferente com todos esses posts sobre gravidez e futuramente sobre maternidade e talvez possa deixar de ser (ou já até tenha deixado de ser) interessante para algumas pessoas. Mas eu não quero e nem pretendo me limitar a escrever só o que poderia agradar a quem passa por aqui. Afinal eu não posso esquecer que, acima de tudo, eu escrevo neste blog para mim mesma e escrever sobre essa experiência maravilhosa tem me deixado muito viva, muito feliz. Aos que ficam, eu agradeço de coração pela amizade. Foi muito bom receber o carinho de vocês no ano passado!

Desejo um ano muito feliz para quem me acompanha. Muito, muito amor e paz na vida de vocês!

 

um resumo até as 25 semanas de gravidez

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Hoje completo 25 semanas de gravidez e olhando um pouco pra trás eu vejo como esses 175 dias foram intensos. Agradeço a cada minuto por ter conseguido chegar tão longe! Eufórica, eu quis escrever um post sobre cada marco alcançado, tinha tudo planejado na cabeça. Mas nem sempre a gente consegue colocar em prática o que idealizamos. Sei que cada dia de uma gravidez tem que ser celebrado, mas os marcos são os momentos mais especiais a serem lembrados e como até agora eu não consegui escrever nenhum diário de gravidez (eu não gosto dessa expressão :/) resolvi fazer um resuminho de como tem sido tudo desde o começo, enfatizando os momentos mais marcantes até agora.

O primeiro trimestre

As 13 primeiras semanas, que marcam o final do primeiro trimestre literalmente se arrastaram. Chegar a essa semana deve ser motivo de comemoração. Os três primeiros meses podem ser bastante complicados e para algumas mulheres uma fase bem difícil, pois o risco de um aborto espontâneo é ainda alto. É também a fase em que muitas passam mal e se sentem indispostas. Eu devo dizer que me sinto privilegiada por ter tido um início relativamente fácil. Tive cólicas fortíssimas logo quando descobri a gravidez e fiquei alguns dias de repouso. Mas não tive enjoos, azia, desejos, fome ou qualquer coisa do tipo. As vezes era até difícil de acreditar que eu estava realmente grávida porque eu não sentia absolutamente nada! Até que o sono excessivo e uns sonhos muito loucos apareceram e me fizeram acreditar que algo estava realmente em evolução dentro de mim. Eu que nunca fui de tirar soneca no meio da tarde cheguei no ponto em que poderia passar o dia inteiro dormindo se me deixassem. Eu me cuidei bem, repousei e confesso que me tornei até um pouco paranóica com as coisas que comia e com os movimentos que fazia. Tive muito, muito medo de perder esse bebê e não via a hora de chegar na bendita semana 13. Com 12 semanas o bebê já tinha forma, não era mais o amontoado de células que tínhamos visto no comecinho. Aqui é tudo muito diferente do Brasil. Eu por exemplo, não fiz nenhum exame de HCG e tive a minha gravidez confirmada pelo médico quando ainda não tinha nem saco gestacional dentro de mim. Mas como assim doutor? Não tem nada aí dentro e o senhor me confirma que eu tou grávida? Obviamente ele sabia o que tava dizendo, tanto que uma semana depois eu já tinha saco gestacional com bebê dentro. Por conta das cólicas, fiz ultrassonografias com 5, 6, 7 (quando vi o coraçãozinho dele batendo) e 12 semanas que confirmaram que a gravidez era viável. Ufa! Terminamos o primeiro trimestre um pouquinho preocupados com a minha pressão, que esteve alta por alguns dias. Tive que ficar em observação e controlando a pressão todos os dias por duas semanas. Felizmente ela baixou e estabilizou.

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17 semanas

Com 16 semanas e 6 dias nós descobrimos o sexo do bebê. Foi um momento muito especial, especialmente pra mim que estava super ansiosa pra saber. Eu contei aqui como foi. Notei que minha pele começou a melhorar. Antes de engravidar meu rosto e costas estavam tomados de espinhas. De repente elas sumiram! Eu estava pronta para viver o famoso momento “glow” dessa gravidez! Eu estava me sentindo muito bem. Super ativa e cheia de vida. Notei que meu cabelo também ficou melhor e crescia mais rápido. As unhas também. Thomas começou a me fazer um bem imensurável! Começamos a comprar algumas coisinhas pro bebê e o carrinho foi a nossa primeira aquisição.

19 semanas e 4 dias

Tivemos a nossa lua de mel da gravidez, bem do nosso jeito. Acampamos e fizemos três dias de hiking nas dolomitas. Aproveitei a disposição pra fazer o que tanto gosto. Um dia depois de retornar da Itália eu senti o bebê mexer! Exatamente com 19 semanas e 4 dias. Não foi nada de gases ou sensação de borboletas dentro da barriga como muitos dizem por aí. Foi um cutucão do lado mesmo! Muitas mulheres começam a sentir movimentos bem cedo e eu me perguntava o porquê de não senti-los já estando na metade da gravidez. Alguns dias depois descobri que tenho placenta anterior, ou seja, ela fica bem em cima do bebê e neste caso funciona como um amortecedor de impacto rs. Mexer ele mexia, disso eu não tinha dúvida. Nas ultrassonografias dava pra ver que ele era ativo. Eu só não conseguia sentir os movimentos por causa da localização da placenta. Depois desse dia os chutinhos ficaram ainda mais fortes e frequentes a ponto de fazer a minha barriga dar uns saltinhos. Senti-lo mexer pela primeira vez foi o momento mais mágico até agora!

20 semanas – a metade do caminho

Além da emoção de sentir o meu bebê mexer, essa semana foi muito especial também porque nela a minha barriga desandou a crescer. Fez um verdadeiro puft da noite pro dia! Com isso comecei a sentir dores nas costas, especialmente durante a noite. Comecei a sentir mais fome e meu apetite aumentou muito. Tudo o que eu comia me dava uma satisfação imensa. Aposentei as calças jeans e abracei o meu corpo grávido me presenteando com duas calças de gestante. Fiquei encantada com o conforto que elas me trouxeram. Comecei a comprar algumas roupinhas básicas pra ele, como bodies, calças e meias. Comprei também uns brinquedinhos fofos de madeira. Mas admito que não estou nada preocupada com o enxoval. Tenho feito tudo devagar porque sei que ainda tenho bastante tempo.

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22 a 24 semanas

Passei essas três semanas acompanhada de uma grande amiga de São Paulo que conheci em Mainz, durante o doutorado e sua filhinha. Desde os tempos de Mainz nós sempre damos um jeitinho de nos encontrarmos pelo menos uma vez no ano. E tem dado certo! A gente costuma dizer que a nossa amizade é cara. Mas sabemos que não há dinheiro no mundo que pague os momentos de felicidade que passamos juntas. Ela nos trouxe vários mimos, mas um deles é muito especial: o primeiro livro em português do Thomas! É um livro de 12 lendas brasileiras da Clarice Lispector, que vai contar muito sobre a outra metade dele. Fiz a ecografia morfológica e estive bem nervosa. Eu só queria ter a certeza de que estava tudo bem com ele. E está! Mediu-se todos os ossinhos, checou-se os órgãos, lábios, contou-se os dedinhos. Está tudo lá! Na ultrassom 3D eu vi ele se mexendo, levando a mão até o rostinho, brincando com o pezinho e bocejando. Foi emocionante!

Infelizmente minha imunidade baixou e eu tive conjuntivite seguida de um resfriado fortíssimo. Comecei também nesse período a sentir as contrações de treinamento. Essas contrações não chegam a doer, mas incomodam porque em certos momentos elas deixam a barriga bem dura. É um desconforto só.

Kilian começou a sentir os chutinhos também

Demorou um bocadinho até ele conseguir sentir o bebê colocando a mão na barriga. Foi exatamente semana passada, quando eu estava com 24 semanas. Agora tem sido diariamente e ele sempre fica super emocionado.

25 semanas

Já engordei 5 quilos! O meu apetite continua a mil, mas sigo sem desejos. Um dia desses comi chucrute (uma das coisas que mais detesto – ou detestava – comer na Alemanha) e só faltei lamber o prato. Muito bizarro! Já ouvi dizer que estou com cara de mãe e muitos estão se surpreendendo com o tamanho da minha barriga. Tem gente dizendo que ela está muito grande para o meu tempo de gestação. Pelo menos ainda não me perguntaram se tem dois dentro dela. Mas eu não me importo com os comentários. Mesmo. Pra falar a verdade, eu estou apaixonada pelo meu corpo e encantada com a transformação que ele está passando. Acho verdadeiramente bonito acordar e ver que ela está cada dia maior. Não me lembro nessa vida de estar tão satisfeita com a minha aparência como agora. Me sinto tão de bem comigo mesma que nem o comentário mais negativo é capaz de me colocar pra baixo. E não é só a questão da aparência não. Eu fico maravilhada sempre que olho no espelho e me dou conta do privilégio que estou tendo. O de carregar uma vida dentro de mim. Nenhum homem jamais vai saber o prazer disso. É um privilégio só nosso e eu me sinto poderosa, uma verdadeira heroína.

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Como o bebê está

Ontem mesmo tive consulta e o médico mediu a cabeça, a barriga e o fêmur novamente. De acordo com os cálculos ele já está pesando 760 gramas e mede cerca de 35 cm. O espaço que antes ele tinha pra se movimentar livremente está ficando pequeno. Ele já ouve a minha voz e até reage quando estou cantando. Enquanto ele continua explorando o seu mundinho, eu já noto alguns padrões no comportamento dele. Sei que ele acorda junto comigo e se mexe mais depois do almoço. Daí ele dorme novamente e acorda quando eu estou indo dormir. Os aplicativos que uso (Ovia e Gravidez +) dizem que nessa semana o cabelo do bebê começa a ficar mais grosso, que a pele dele já não é mais transparente e que ele já tem o senso de equilíbrio. Ele já entende que está de cabeça pra baixo ou virado pra cima, o que o ajudará a tomar a posição de nascimento. A memória primitiva dele também está começando a se desenvolver, ou seja, todas as músicas que eu canto pra ele deixarão uma marca no seu cérebro. Eu converso com ele, digo o quanto ele é amado e peço todos os dias pra que ele fique aqui dentro até o finalzinho. Que eu quero muito ver o rostinho dele, mas que eu sou paciente e vou esperar até que ele esteja pronto para o mundo. Sabe o que mais me apaixona nesse processo todo? Dizer tudo o que digo e ter a certeza de que ele me escuta!

Agora sinto que o tempo está voando. Faltam pouco mais de 100 dias para ele nascer!

 I grow a human. What’s your superpower?

amor que cresce

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Eu estava muito ansiosa pelo dia em que descobriríamos mais sobre você. Comi chocolate como sugerido por uma amiga, mas chegando lá descobri que a consulta seria só de controle. O médico só faria a revelação do gênero com 5 meses, ou seja, eu teria que esperar ainda mais 4 semanas pra te ver novamente. Como é que eu aguentaria? De fato não aguentei. Pedi no mesmo momento pra fazer uma ultrassonagrafia extra com a desculpa de que queria apenas ver o quanto você havia crescido. Sorte minha de ter comido o chocolate, você se mexia muito e deu pra ver nitidamente as tuas perninhas e bracinhos pra lá e pra cá. Até que o médico encontrou a posição que eu tanto esperava ver. Engraçado é que sempre me dirigi a ti usando “ele” enquanto todos apostavam que você seria a Anna Luisa, que sem dúvidas seria uma menininha amada com a mesma intensidade. Uma amiga me disse que era o meu instinto falando comigo, mas eu prefiro acreditar que era apenas a pontinha de esperança que eu ainda tinha que você fosse um menino. Eu não tive dúvida alguma do que vi e gritei chorando: é o nosso menino Kilian! O médico riu e acredito que sem muita boa vontade nos “confirmou”.

Pode parecer loucura mas você já fazia parte das nossas vidas desde a época em que eu e teu pai éramos casados mas morávamos em cidades separadas. Ele ainda em Mainz lutando pra terminar o doutorado e eu em Tübingen. Nossos familiares e amigos mais próximos, todos sabiam sobre você e te chamavam pelo nome, antes mesmo de você sequer existir. Naquele ano a vontade de ser tua mãe já existia, mas ela só se intensificou mesmo um ano depois, quando finalmente encontramos o nosso lar aqui em Fürth. Infelizmente eu tive que lutar um tempo contra ela. Era a língua pra aprender, trabalho numa cidade nova e sem perspectivas na minha área pra procurar e aquela chamada fase de curtir a vida a dois – e isso filho a gente fez direitinho. O tempo foi passando e essa vontade crescia descontroladamente. Eu não tive sossego na alma até o dia em que te descobri dentro de mim. E mesmo com toda a ansiedade da espera, te confesso hoje feliz que você veio no tempo certo. A notícia que você estava a caminho foi o presente de aniversário de 33 anos do teu pai. Ele não poderia ter recebido presente melhor. Eu te quis tanto, ambicionei tanto essa vida. Você que antes era apenas um sonho bom, um pedido pra Deus, agora é realidade. Meu Thomas, meu menino.

6on6 #die letzten drei Monate

6on6_augustEu andei sumida e quietinha, longe do blog e de qualquer rede social porque precisei de um tempo só pra nós. Um tempo pra viver intensamente cada segundo dos primeiros meses dessa coisa inexplicavelmente maravilhosa que é gerar uma vida. Um tempo também pra lutar contra os medos e incertezas que me acompanharam durante o começo. Eu sumi do blog, senti saudades, mas dessa vez não me sinto nem um pouco culpada ou tentada a pedir desculpas pelo sumiço como fiz várias outras vezes. Pelo contrário, acho que esse tempo serviu pra me mostrar o quanto eu amo este espaço, as pessoas que passam por aqui, as que levei pra vida real e as que futuramente irei conhecer. Por isso, nada mais justo que compartilhar aqui que baby Schuller está finalmente a caminho!

Eu achei que seria muito oportuno compartilhar essa novidade através das fotos do projeto 6on6. A partir de agora os temas são livres e poderemos escrever sobre coisas legais que acontecem durante os meses. Já peço desculpa a vocês meninas do 6on6 por estar fugindo um pouco à regra, mas mostrar apenas o mês de agosto em fotos sem falar dos dois meses anteriores é estar contando a missa pela metade. “Os últimos três meses” que é o título do meu post, estão resumidos nas seis fotos aqui postadas!

Há 15 semanas descobri que mais um coração batia dentro de mim e o turbilhão de sentimentos que tenho vivido desde o primeiro segundo que o vi bater é inexplicável. Nesse momento a ficha caiu! Eu estava realmente grávida (claro que eu ainda duvidada dos três testes de farmácia que tinha feito)! E a partir daí passei a sentir que não existe mais nenhum segundo do meu dia que eu me sinta sozinha. Eu ainda não sei se esse bebê é menino ou menina, mas já estou loucamente apaixonada e muito, muito feliz com o que quer que seja. Eu ainda não senti meu bebê mexer, mas sei que isso não vai demorar muito pra acontecer e esse momento será mais um milestone na nossa história. No entanto, sei que mesmo com todo o amor que tem inundado o meu coração, o dele(a) bate ainda mais forte que o meu.

Estou muito ansiosa pelos próximos meses e ainda tenho a sensação de que o tempo está se arrastando. O dia dois de março parece estar ainda muito longe.

Tenho lido diariamente sobre maternidade e o engraçado é que mesmo achando que já sabia de muita coisa, por ter visto e acompanhado de perto o crescimento dos meus sobrinhos, me dei conta de que esse mundo é muito mais complexo e fascinante do que eu imaginava. Esse livro foi a primeira coisa que comprei assim que descobri a gravidez. Ele ilustra e explica detalhadamente o processo da concepção desde o comecinho. Com ele eu acompanho o desenvolvimento do meu bebê a cada semana e claro, fico maravilhada com cada detalhe novo que descubro.

Tenho acompanhado e registrado também a evolução que o meu corpo está passando. É incrível observar que há duas semanas atrás eu não tinha nada pra mostrar e hoje já posso exibir orgulhosa a minha barriga de bebê, como diz o Kilian!

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Sendo uma do-it-yourselfer, tenho ocupado o tempo livre criando amigurumis fofos de crochê. Me agrada muito a ideia de presentear crianças com brinquedos feito à mão. Tem sido uma forma maravilhosa de relaxar a minha mente. Fico só sonhando com um quartinho decorado com coisinhas feitas por mim!

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Eu quero e vou escrever mais sobre a minha gravidez. Mas hoje eu só queria compartilhar essa novidade brevemente com vocês. Queria ressaltar também que engravidar sempre foi um sonho. Quem me acompanha sabe disso. E o caminho até aqui eu não posso dizer que foi fácil. Eu tenho vivido dias maravilhosos e procuro ver em tudo um motivo de alegria. Jamais quero me queixar se engordar mais do que deveria ou ficar depremida se minha barriga e seios ficarem marcados por estrias. Eu não tenho medo disso! O meu maior medo era de nunca conseguir realizar esse sonho. Infelizmente eu vejo tantas pessoas reclamando das suas gestações e odiando o fato de estarem grávidas e me deixa profundamente triste saber que muitas mulheres que não conseguem conceber um filho, por qualquer que seja a razão, dariam um olho para estar no lugar das insatisfeitas. Isso pra mim tem nome: falta de empatia. Foram 10 longos meses pra chegar até aqui. Sei que não é um tempo tão longo comparado com o que muitas mulheres que sonham com a maternidade tem que enfrentar. Mas talvez tenha sido o suficiente pra sentir um pouco na pele o quão doloroso é ter a realização desse sonho tão fora de alcance.

Eu agradeço a Deus por esse presente e continuo orando pelas minhas amigas para que elas também sejam abençoadas. Se vocês lerem esse post, quero que saibam que a minha felicidade só ficará ainda mais completa quando eu receber a notícia de que vocês também vão ser mamães!

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O mês de agosto da Taís (Irlanda) | Paula (Holanda) | Alê (Ucrânia) | Lolla(Inglaterra)