Hiking em Berchtesgaden – Eiskapelle

Uma das coisas que mais gostamos de fazer é explorar regiões montanhosas. No comecinho do ano nós fomos até o Zugspitze, a montanha mais alta da Alemanha e agora no outono, passamos uma semana fazendo hiking na região dos alpes de Berchtesgaden, uma das minhas favoritas na Baviera. Lá encontra-se a segunda maior montanha da Alemanha, o Watzmann (2713 m). Mas diferentemente do Zugsptize, o seu acesso já não é tão fácil. Não existem trens ou bondinhos que levam até o topo, mas sim trilhas e escaladas. Bem, eu estou bem longe (ainda) de chegar ao pico do Watzmann a pé. Comecei subindo montanhas menores durante toda a semana e o Watzmann deixarei para o dia em que eu estiver super bem preparada. Um dia eu chego lá!

Nós então exploramos os arredores da montanha. Na sua parede leste encontra-se a Eiskapelle, uma geleira formada por ação de avalanches durante os períodos mais quentes do ano. O lugar é chamado assim porque muitos dizem que se parece com a entrada de uma capela. No entanto, a entrada é tudo o que tem pra ver, porque o perigo extremo e a possibilidade de morte são as únicas recompensas para quem cruzar o limiar. Nós que somos aventureiros, mas não loucos, respeitamos os sinais de perigo e permanecemos só na entradinha mesmo.

Como chegar: do ponto de informação em St. Bartholomä, a trilha plana de 446 metros leva à capela de St. Johann und Paul. 

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Em seguida, a trilha continua de forma bem mais acentuada, sempre subindo pelo meio da floresta até atingir um vale gigantesco com muitas pedras. A trilha sinalizada termina neste ponto. O vale é simplesmente um espetáculo! O dia estava chuvoso e a névoa trouxe um ar bem moody para o local, que eu adoro. Já falei aqui no blog que amo o outono por isso?

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De lá já se pode avistar a parede leste do Watzmann. Schatzi está de frente pra ela.
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E finalmente nos aproximamos da entrada da geleira. Neste dia não vimos mais ninguém fazendo esse percurso. Nós éramos os únicos nesse lugar maravilhoso!

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Acho que uma das coisas que mais amei nesse dia, foi ver uma família inteira de camurças, coisa que eu nunca tinha visto na vida. Sem querer perturbá-las, nós ficamos admirando só de longe e com a lente errada, claro! Não consegui fazer uma foto de perto. Vocês conseguem ver?

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Extensão da trilha: 6 km (ida e volta)

Diferença de altitude: 250 m

Duração: 1 1/2 h (subida)

Nível de dificuldade: fácil, mas com sapatos apropriados!

Dica: o tamanho e formato da Eiskapelle mudam ao longo das estações. Prestar atenção aos sinais de perigo é essencial, partes da geleira podem desabar a qualquer momento.

Esse é o primeiro post dessa série e vem muito mais aventura por aí. Gente, caminhar é tudo de bom!

Castelo Eltz no vale do rio Mosel

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No comecinho do outono nós estivemos por alguns dias em Mainz, cidade onde moramos em 2010 e aproveitamos a viagem para visitar um castelo que há tempos estava na minha lista de lugares a conhecer na Alemanha. Nós fomos até o vale do rio Mosel para ver de perto o fantástico Burg Eltz, um castelo medieval situado nas colinas bem acima do Mosel. Essa região é por sinal uma das mais encantadoras e turísticas da Alemanha. Quem gosta de visitar ruínas, castelos medievais e vilarejos pitorescos rodeados por vinícolas, essa região oferece tudo isso.

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Mais do que um castelo dos contos de fadas, o castelo Eltz é um exemplo de residência fortificada. Aqui, há quase mil anos atrás, a família Eltz construiu seu castelo em um pequeno pedaço de rocha cercada por um estreitamento do rio Elsbach. Ele continua sendo propriedade da família Eltz desde essa época e apesar do grande número de guerras que varreram a região por muitos anos, o castelo sobreviveu intacto. Uma verdadeira preciosidade!

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O acesso ao castelo é feito a pé a partir do estacionamento, que fica a uns 15-20 minutos do castelo. É uma caminhada deliciosa por dentro da floresta e nada cansativa. A vista de longe do castelo é simplesmente surreal!

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Foi um dia maravilhoso! Nós conhecemos os arredores do castelo  e no caminho de volta para Mainz, fizemos várias paradas ao longo do Rio Reno. Incrível foi ver como ele estava seco, deu até pra entrar e caminhar pelos bancos de areia.

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Quem tiver a oportunidade de visitar essas regiões (Mosel e Reno), não pode deixar de conhecer os maravilhosos castelos e ruínas ao longo dos rios. Inclusive eu já escrevi aqui sobre alguns castelos que visitamos, bem no comecinho do blog. Mas o castelo Eltz, este sim merece uma visita especial! Eu simplesmente adoro essa região e sinto muita muita saudade de morar lá!

No topo da Alemanha: Zugspitze

Dois dias antes de eu viajar pro Brasil, nós fomos conhecer o ponto mais alto da Alemanha. Os Alpes ficam apenas a algumas horas de distância de Fürth, de carro ou de trem. Lá está o Zugspitze – precisamente com 2962 metros acima do nível do mar, a montanha mais alta e o maior resort de esqui do país. Do seu topo em um dia claro, pode-se ver os picos das montanhas em quatro países (Alemanha, Áustria, Suíça e Itália). É uma beleza que parece não ter fim!

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No inverno a previsão do tempo pode ser muito falha na região dos alpes e fica muito difícil planejar alguma viagem com uma semana de antecedência, pois tudo é muito incerto e muda super rápido. Decidimos então fazer do jeito brazuca, ou seja, espontâneamente. Chequei a previsão no dia anterior da viagem, que estava prometendo um dia de sol no topo do Zugspitze. No dia seguinte, acordei às 5 e comprovei que nada havia mudado. Foi aí que rapidinho a gente se arrumou e pegou a estrada. Antes das nove da manhã já estávamos na cidade de Garmisch-Partenkirchen. Detalhe, esse foi o único dia da semana que fez sol por lá! Pura sorte ou tinha que ser aquele dia mesmo? 🙂

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Não tínhamos planos definidos, só a certeza de que finalmente chegaríamos até o topo da Alemanha. O dia estava bonito mas muito frio. Assim que chegamos na estação de trem que nos levaria até lá, vimos que a temperatura no topo já estava em torno de -15. Daí resolvemos que seria melhor passar somente umas três horas lá em cima e aproveitar a manhã para caminhar ao longo do Eibsee, um lago espetacular que fica no pé das montanhas. O trajeto de 6,5 km nos tomou quase a manhã toda, com paradas para tirar fotos e apreciar a beleza singular do lugar.

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Do lago, a viagem até o glacial pode ser feita de trem ou de teleférico. Há teleféricos partindo tanto na Alemanha como na Áustria, uma vez que a montanha fica bem na fronteira. Nós subimos de trem, o que levou mais de 40 minutos (parte do trajeto é feita por um túnel) e descemos de bondinho. Acho que subir e descer de bondinho é bem mais interessante e o trajeto é feito em apenas 10 minutos. Há uma plataforma de observação no topo, com o Biergarten mais alto Alemanha. Tem também um restaurante com preço super bom, mas a comida deixou muito a desejar.

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O ponto mais alto é sinalizado com uma cruz. Pra chegar até lá só tem um jeito: escalando. Nós preferimos não arriscar e apreciamos o ponto só do terraço mesmo.

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No topo também se encontra uma estação de pesquisa que ajuda a monitorar as mudanças climáticas.

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Nós tiramos muitas fotos, mas acreditem, tudo num sufoco muito grande. Eu nunca tinha tido a experiência de fotografar com essa tempertatura. Doía tudo. Era eu tirar as luvas que em questão de segundos os meus dedos congelavam. Mas sem dúvidas, foi uma experiência única e linda na minha vida. Ficamos lá no topo até o pôr-do-sol e de quebra, na descida ainda fomos presenteados com um lindo crepúsculo! Quem ficou com vontade de conhecer o Zugspitze levanta a mão! \o/

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Mais informações sobre o lugar, preços e tickets: http://zugspitze.de

Explorando o Danúbio em Kelheim

Esse ano o verão perdeu muito feio! Os meses de setembro e outubro deram um espetáculo – como nunca tinha visto antes – e novembro, embora um pouco mais chuvoso, permanece ainda com temperaturas super agradáveis. Com o tempo praticamente sempre bom nos fins de semana, nós conseguimos fazer passeios bem legais aqui pela região. O último que fizemos foi para conhecer o Mosteiro de Weltenburg (Kloster Weltenburg – na cidade de Kelheim, pertinho de Regensburg) privilegiada por sua localização, numa longa curva à margem do rio Danúbio. Dirigimos pouco mais de 120 km até esse fabuloso destino turístico.

No mosteiro funciona uma cervejaria, que segundo alguns, é a mais antiga cervejaria de mosteiro do mundo. A mesma já recebeu vários prêmios por ter a cerveja escura mais saborosa do mundo. Nós comprovamos e aprovamos!

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Mas o nosso passeio não foi só para apreciar a deliciosa cerveja local. Nós queríamos explorar um pouco a região e contemplar exatamente essa vista maravilhosa da abadia que só pode ser obtida de um penhasco do outro lado do rio. Para isso tivemos que seguir uma das rotas sugeridas a partir da cidade de Kelheim. A rota tem uns 12 km de ida e volta. Na ida percorremos um caminho pela floresta embelezada com as cores do outono e na volta seguimos um caminho de tirar o fôlego à margem do Danúbio. Para quem não é muito fã de seguir rotas, existem barcos em Kelheim que oferecem esse passeio até o mosteiro.

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Completamos o percurso de 12 km em quatro horas. Paramos em vários lugares para fotografar, descansar ou para simplesmente desfrutar da grandiosa beleza dessa região. Esse é um passeio que super indico para quem tem interesse de fazer a rota da cerveja e gosta de fazer hiking. Acredito que o lugar é lindo em qualquer época do ano, mas na minha opinião, as cores do outono dão uma caprichada extra na beleza!

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 Até mais! ♥