O mês dos morangos na Alemanha

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O que eu mais gosto sobre o mês de junho é que ele é o mês da colheita de morangos! Uma atividade que já virou tradição aqui em casa. Funciona mais ou menos como nos campos de flores que escrevi aqui recentemente. Você colhe o quanto quiser e enquanto isso pode também se deliciar à vontade com morangos fresquinhos, bio e enormes. No final paga-se só o que colheu :).

Aproveitamos que fez um solzinho no fim de semana e fomos visitar uma plantação que descobri aqui pertinho casa. Colhemos três quilos para fazer geléia, mas já comemos mais da metade rs! O bom é que a plantação é aberta diariamente até as 18 horas e dá pra voltar lá rapidinho. Ano passado testei uma receita que deu super certo e quem provou da geléia aprovou! Eu sempre tenho uns potinhos sobrando aqui em casa porque acho que é uma ótima forma de presentear meus amigos. Eu acredito que uma lembrancinha feita e decorada por mim mesma tem o potencial de agradar muito mais do que algo comprado só por comprar. Se tiver interesse na receita, é só clicar aqui para ler o post.

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Se acontecer de você visitar a Alemanha em junho, tente colocar na sua programação visitar uma plantação de morangos. Você terá a oportunidade de fazer algo totalmente diferente e eu garanto que é muito divertido, principalmente para crianças!

Pra quem mora na região e acompanha o blog, essa plantação chama Lecker von Decker e fica em Cadolzburg, pertinho de Fürth.

Boa semana pra vocês ❤

o lado verdadeiramente “Bonn” de se ter um blog

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É definitivamente conhecer pessoas!

No mês de abril eu consegui fazer uma viagem que há tempos planejava. Fui até Bonn! Cidade linda e muito digna de uma visita! Mas o que me fez mesmo pegar o busão e encarar cinco horas de estrada, foi o fato da Pâmela – a Panela Européia – morar lá. A Pam e eu nos comunicamos já faz uns dois anos. Na época que eu descobri o blog dela, deixei um comentário super acanhada. Mal sabia que de lá pra cá a gente estaria tão presente na vida uma da outra. O mais legal é que os laços da nossa amizade foram se estreitando de uma forma muito simples e natural. Desde o ano passado combinávamos o nosso primeiro e grande encontro, mas sempre uma coisa ou outra acontecia e jogava um banho de gelo nos nossos planos. Daí que eu tive uma pausa entre os intensivos de alemão e finalmente consegui ir até lá. Infelizmente, a minha visita foi muito rápida. Era tanto papo, tantas coisas em comum que poxa, bem que poderia ter durado mais um bocadinho! Os nossos gostos, similaridades e modo como levamos a vida só me fizeram ter mais certeza de todas as boas impressões que eu tinha criado mesmo antes de conhecê-la. Como não amar uma pessoa que curte The Smiths com você? ❤

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No dia em que cheguei, nós passamos uma tarde muito gostosa em Colônia e jogamos conversa fora por horas, exatamente como fazem boas amigas que moram distantes uma da outra e se encontram por um final de semana. Já no dia seguinte, ela me mostrou os lugares lindos de Bonn. Fiquei completamente encantada com a cidade, que estava toda enfeitada com as magnólias e cerejeiras.

Eu claro que aproveitei toda aquela beleza (que perdia feio comparada com a beleza estonteante da Pam) e fotografei os dois, a Pam e o Limão (o maridão), numa tarde linda de primavera!

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Esses dois eu guardei com muito carinho no coração! Sou muito grata pela hospitalidade, pelos sorrisos que demos juntos, pelos momentos lindos que passamos juntos! Momentos só nossos, que vez por outra me fazem pensar com aquele semblante de felicidade: ah, como foi bom estar com eles!

dos fins de tarde que amamos

Peço desculpas pelo spam de fotos primaveris. Mas é que os dias andam tão lindos que me fazem querer registrar cada detalhe por onde passo. O mês de abril, que costuma ser um dos mais estranhos do ano, tem sido ensolarado e quentinho. Tivemos temperaturas de verão até. Coisa boa é que agora a gente pode curtir os fins de tarde juntinhos depois do trabalho dele, já que só fica escuro lá pelas oito da noite. Os fins de tarde têm sido banhados por uma luz dourada e uma brisa suave, o que me traz uma sensação de paz muito grande. Eu adoro observar esses detalhes, mesmo sabendo que eles se repetem todos os anos. Pra mim de uma maneira singular. Essa já é a minha quinta primavera na Alemanha e me dá uma alegria imensa saber que eu ainda poderei vivenciar muitas outras! Bom fim de semana! ❤

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sobre os últimos dias

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Eu sumi por um mês. E acho que nem adianta mais eu prometer pra mim mesma que vou ser mais ativa nesse blog. Embora eu tente me enganar dizendo que não tenho nada de novo pra escrever ou que ando muito ocupada, no fundo eu sei que nada do que tem acontecido ultimamente é motivo pra eu deixar o blog de lado. Mas sabe, por mais que eu tente evitá-lo, ele ocupa sempre um espaço considerável nos meus pensamentos. Não posso negar que eu gosto muito daqui e das pessoas que frequentemente aparecem pra dizer oi. Eu gostaria muito, mas não…eu nunca vou ser aquela blogueira cheia de criatividade que consegue ter assunto pra postar quase todo dia. Acho até que prefiro a nossa relação assim, sem cobranças. Eu sei que ele é uma parte importante da minha vida, mas não me sinto na obrigação de atualizá-lo com frequência.

Enfim, a vida anda mesmo muito corrida. Estamos reformando um lindo apartamento que iremos morar em algumas semanas e descobri que é muito legal aprender algo novo, como pintar paredes, trocar piso, montar e desmontar móveis. Voltei pro curso de alemão, embora eu tenha batido o pé dizendo que não voltaria mais tão cedo (eu tava muito de saco cheio das professoras e dos Besserwisser- vulgo sabidões de plantão). Sorte que de última hora consegui uma vaga pra começar o C1. Uma das coisas que mais detesto na minha vida aqui é ficar em casa o dia todo e o curso querendo ou não acaba sendo um escape pra mim. Em paralelo tenho estudado bastante pra prova teórica de habilitação. A minha do Brasil não vale mais aqui já faz um tempo. Fiz minha primeira entrevista de emprego em alemão e inglês. Não consegui a vaga, mas sobrevivi e a oportunidade me mostrou que sou capaz de manter a calma e que falar errado em alemão durante uma entrevista não é vergonhoso e nem o fim do mundo. Tenho me ocupado procurando vagas aqui na região e me frustrado muito com o fato de que pode levar bastante tempo até eu conseguir entrar no mercado de trabalho. Isso vindo de mim, uma pessoa que está caminhando para os 33 e com muitos anos de estudo nas costas, acredite…não é nada fácil de admitir. Ultimamente tenho também ponderado muito sobre a minha vontade incontrolável de ser mãe. Por várias vezes tive que tapar os ouvidos pra não escutar o meu corpo dizendo que estou pronta, simplesmente por medo de que uma gravidez e uma criança apenas possam dificultar ainda mais o processo de busca de emprego. Como a vida prega peças! Há alguns anos atrás a minha maior preocupação era conseguir terminar um doutorado e como recompensa pelos vários anos ralando na universidade ter um bom trabalho. Hoje me encontro na idade em que meu útero implora por um filho e ainda não consegui o bom trabalho que tanto almejava. Can we really have it all?

Mas nem por isso eu acho a vida ruim ou vivo reclamando. Por vezes fico triste, claro. E não tenho vergonha de dizer isso. Acredito que muito em breve uma das duas coisas vai acabar acontecendo. Ideal seria se o emprego viesse logo e depois um filho. Mas se não, paciência. Não adianta mesmo fazer tantos planos…a vida está sempre nos mostrando que a gente não sabe nada sobre ela. Por isso, eu faço questão de continuar a minha caminhada assim… sorrindo!

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Um ano bom!

Amanhã finalmente é Natal! Ho! Ho! Ho! Gente, eu tenho a impressão de que esse ano voou e vocês? O Natal aqui vai ser molhado! A neve que eu tanto espero ainda não chegou e nem sei se vai chegar até a data da minha ida do Brasil. Pois é! Estou indo visitar minha família no comecinho de janeiro e já estou contando os minutos pra isso. Bom, pelo menos aqui no blog já tem um pouquinho de neve caindo! 🙂

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Eu gostei MUITO desse ano, mesmo não tendo avançado em nada na luta árdua de entrar no mercado de trabalho. Pra falar a verdade, estou é muito feliz pelo progresso que fiz em falar alemão. Isso é mais que importante nesse momento da minha vida. Graças ao tempo relativamente livre que tive, acabei fazendo um grande progresso como fotógrafa. E por isso agradeço muito a vocês que me acompanham, por todas as palavras de incentivo e apoio. O blog teve um papel muito importante esse ano na minha vida. Através dele “desvirtualizei” algumas pessoas super queridas que passam por aqui. Conheci em Nuremberg a fofa da Carla, do blog lindo e inspirador The Blue Post e passamos dois dias super legais juntas! Quase que deu certo encontrar com a minha amiga querida Pam, mas alguns imprevistos aconteceram e o nosso tão sonhado e idealizado encontro vai ficar pra quando eu voltar do Brasil. Conheci também outras leitoras que não são blogueiras. Adorei todo mundo e se pudesse sairia por aí atrás de cada uma de vocês que me visitam!

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Através de um email de contato do blog tive a grande oportunidade de conhecer uma moça muito doce e fotografar o casamento dela! Pra mim, esse foi um dos momentos mais especiais desse ano!

Vou confessar uma coisa: eu gostaria de ser uma pessoa mais ativa aqui no blog. Por essa certa inatividade, esse ano eu pensei várias vezes em parar de escrever, mas daí parei, sentei e considerei tudo o que eu iria perder. Se eu parasse de escrever, com certeza eu iria perder esse momento maravilhoso que é sentar em frente ao computador e escrever sobre a minha vida na Alemanha. Eu definitivamente iria sentir falta disso! Eu iria perder em deixar de ler os blogs que tanto adoro e de me enriquecer com lindas histórias, de conhecer novos lugares sem arredar o pé de casa. Eu perderia a grande chance de conhecer mais pessoas e trocar mais experiências de vida. Meu esposo é o primeiro a se opor quando eu venho com esse assunto de abandonar o blog. Ele tá certo em dizer que esse lugar aqui só me trouxe coisas boas. Acho que se eu parasse de escrever ele também sentiria falta, já que conhece muitas de vocês pelo nome. De fato gente, não tem nada de ruim que eu possa me lembrar. E isso é tão gratificante! As vezes me pego pensando em todas as pessoas que tiraram um tempo valioso pra sentar e me escrever emails com palavras super carinhosas e puxa, eu fico maravilhada! Bate uma vontade de sair desse plano virtual e encontrar com essas pessoas.

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Eu tenho muito a agradecer e nada melhor que fazer isso no Natal! Eu quero agradecer a vocês, pessoas lindas que me visitam e gostam do meu humilde blog, por me acompanharem, pelos comentários, pela troca de experiências e acima de tudo, pela amizade!

Quero agradecer a todos que me presentearam ao longo desse ano com palavras de incentivo. E neste ponto, existe uma pessoa mais que especial no meu caminho. Eu já escrevi sobre ela aqui e volto a escrever hoje. A Claudia é uma grande companheira e amiga e ela ama o que faz! Para quem não a conhece, ela é a autora e realizadora da revista online Brasileiros Mundo Afora. Uma revista gratuita e de conteúdo excelente. Mais uma vez tive a grande honra de participar da nova edição contando um pouco sobre minha paixão pela fotografia, ao lado de outras duas fotógrafas maravilhosas que atuam na Alemanha. Para quem tiver interesse em ler a revista é só clicar aqui ou no link com a capa da revista, na barra lateral direita do blog. Eu apareço na página 52, mas aconselho a leitura completa! Muito obrigada mais uma vez Claudia, por todo o carinho, amizade e divulgação do que faço!

E um muito obrigada cheio de gratidão a todas as pessoas que estiveram de frente pra minha câmera! Foram grandes oportunidades que eu tive de aprender mais sobre fotografia, de conhecer novas pessoas e em alguns casos, de testemunhar verdadeiras histórias de amor!

Eu desejo um lindo Natal e um ano novo cheio de felicidades para cada um de vocês! Muita saúde e muito amor! Ficarei imensamente feliz se vocês continurem por aqui comigo! Que Deus abençoe os nossos dias e desejo o mesmo que o ano passado: que 2015 seja doce! Um beijo, queridos!

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juntos fazemos o melhor

Além do gosto pela química (sim, branquinho também é químico) existem várias outras coisinhas que mostram o quão similar nós dois somos. Fotografia é uma delas. Schatzi e eu adoramos também explorar novos lugares, especialmente agora que moramos em uma região super privilegiada. Não tão privilegiada quanto os alpes (que eu amo), mas muito interessante também. Moramos próximo da chamada Fränkische Schweiz –  a Francônia Suíça.

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Essa região é famosa por suas formações rochosas e ruínas medievais, por suas 1000 cavernas repletas de colunas de calcário formadas ao longo de milhões de anos, com suas estalactites e estalagmites de todas formas e tamanhos. É também a região com a maior densidade de cervejarias artesanais do mundo: são 74 com mais de 100 tipos diferentes de cerveja. A cerveja tem uma papel super importante nessa região. Eu prometo que falo mais sobre isso em outra ocasião!

A Fränkische Schweiz tem sido um destino frequente pra gente. Adoramos caminhar pela região e ir floresta adentro. Domingo passado estava um dia tão quentinho e bonito que a preguiça típica de domingo nem cantou de galo. Pegamos nossas coisas e fomos pra lá. Schatzi me fotografou, eu fotografei ele, nós nos fotogramos e registramos momentos lindos de uma linda tarde de outono!

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No fim do dia presenciamos uma das coisas que mais gosto de ver no céu, aqui chamado de Abendrot. A última foto foi tirada de dentro do carro enquanto voltávamos pra casa. Uma verdadeira sorte esse momento! Pra mim, o mais bonito de tudo é saber que por trás de toda essa beleza existe um grande Criador! Bom fim de semana pra quem passa por aqui! ♥

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Outono, tu és tão bem-vindo!

Eu amo enlouquecidamente o mês de Outubro! Pra mim, ele é o mês mais bonito do ano. Hoje me peguei pensando em como o tempo passa rápido. Já faz um ano que deixei o meu lindo apartamento em Tübingen e vim morar em Fürth com o Schatzi. Muita coisa mudou nesse tempo, especialmente o meu modo de ver e capturar as coisas.

Estou um pouco doente. Uma gripe que me nocauteou e me fez ficar um dia de cama. Mas como eu adoro fazer estripulias, hoje resolvi lutar literalmente contra a dor no meu corpo. Tudo isso porque não consegui conter a felicidade de ver o homem dos correios na porta de casa com a caixa que eu tanto esperava desde sexta. Dentro dela tinha o meu mais novo investimento. Fruto de alguns trocadinhos que andei ganhando.

Comprei uma nova objetiva! Uma lente de verdade! Rapidinho esqueci os espirros e nariz entupido e fui fotografar o outono nesse tempo chuvoso. Ele está lindo e tão tão charmoso que dá vontade de ficar o dia todo do lado de fora!

Um ano se passou e eu continuo a mesma sonhadora…apenas com o olhar um pouquinho mais apurado. Curioso pra saber o porquê? É só clicar aqui!

Para ver mais fotos, me acompanhe no instagram (ana_schr) ou no meu outro blog (a life in photographs)! 🙂

Fotos feitas com minha também nova Canon 7D e com a lente 85mm 1.8.

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Sobre despedidas e união

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da esquerda pra direita: minha mana, Lillian (amiga de Fortal), Ju (amiga de sampa dos tempos de Mainz), Kili, eu, logo abaixo Clara (amiga de Fortal), Fernanda e Vitor (amigos dos tempos de Mainz)

Alguns dias atrás tive que dizer adeus para minha mãe, irmã e amigos, depois de dias maravilhosos juntos. Mãe saiu com lágrimas nos olhos, procrastinando com as últimas palavras e conselhos de sabedoria. E eu, bem, eu estou me tornando uma profissional nessa brincadeira de dizer adeus. Acenei feito uma louca, o que me salvou de algumas lágrimas, até elas desaparecerem da minha vista. Momento em que fui tomada por um total desânimo. Ao longo desses quase cinco anos de história com a Alemanha, grande parte entre idas e vindas, despedida no aeroporto não se tornou algo trivial e até acho que nunca será. É ainda muito, muito difícil pra mim, embora eu hoje consiga segurar as emoções até o último instante. A verdade é que despedidas nunca se tornam mais fáceis, não importa quantas vezes você as ensaia. E de todo expatriado, é exigido nesse momento, nervos de aço e uma força emocional significativa.

A primeira vez que eu disse adeus foi terrível. A segunda também. Lembro com pesar do choro da minha mãe e amigos em 2009, tão triste quanto o choro do branquinho ao me deixar em Frankfurt em 2010. A gente até tenta amenizar o sofrimento trocando o adeus por um “a gente se vê em breve”, mesmo sabendo que esse “em breve” pode durar muitos meses. A realidade é que não adianta…a dor da despedida será sempre a mesma. Pelo menos pra mim.

Duro também é saber que despedidas não estão limitadas apenas à família e amigos do nosso local de origem. A vida expatriada significa também que estaremos sempre mergulhando em um mar de novos amigos e conhecidos que vêm e vão constantemente, assim como a maré. Quantas pessoas do meu tempo de estudos em Mainz eu gostaria que ainda estivessem por perto! Pra minha sorte, muitas amizades desse período se tornaram especialmente intensas (legenda da foto ♥).

Mas sabe, apesar de toda essa agitação emocional, há um valioso benefício a ser obtido dessas despedidas eternas. Dizer adeus com frequência para os meus familiares e para os bons amigos que fiz como expatriada, tem tornado o meu casamento mais forte do que nunca. É ele e somente ele que me ajuda a lidar com tudo isso mais facilmente. Quando minha mãe, irmã e amigos foram embora, abracei meu marido com força e a sensação de desânimo que apertava meu peito naquele instante foi desaparecendo, sendo substituída aos poucos pela esperança de um próximo reencontro. Quanto mais eu vivo longe do Brasil, mais percebo a importância da vida que estamos construindo juntos. Todas as despedidas nos fazem lembrar de que, onde quer que estejamos nesse mundo, nós sempre teremos um ao outro. Com ele mesmo diz: nós dois somos um grande time!

Du ou Sie? Eis a questão!

Todo mundo que estuda a língua alemã deve estar familiarizado com o fato de que existem duas formas diferentes de lidar com pessoas, os benditos Du e Sie, as formas informal e formal em alemão do nosso “você, tu” e “senhor(a)”, respectivamente. Quem nunca passou por alguma situação embaraçosa ao trocar o Sie pelo Du? Essas duas palavrinhas são osso duro de roer e dependem inteiramente da situação que você se encontra. Acredite, até o alemães podem se confundir.

Para quem não está por dentro, a regra é clara: se você está falando com uma autoridade, pessoas do seu trabalho ou estranhos, deve-se usar a forma Sie. Entre amigos, conhecido, crianças, a forma informal Du prevalece. Parece fácil né? Mas na prática, a coisa é bem diferente e eu diria até um pouco confusa. Eu explico.

sieduEsses dias eu estava voltando pra casa e sentei do lado de uma moça que eu diria ter a minha idade  A moça se ajeita e eu percebo que ela vai descer. Antes que eu me mexesse ela pergunta: Werden Sie auch aussteigen? (A senhora também vai descer?). Parece estranho pra você também ou só pra mim? Eu ainda fico na expectativa de que pessoas mais jovens ou da minha idade se dirijam a mim por Du e não por Sie. Na nossa língua também temos os nossos pronomes de tratamento e até os respeitamos. Ninguém vai sair por dizendo “senhor” pra uma criança e nem “tu ou você, para uma pessoa mais velha, mas aqui a coisa é ainda um pouco mais restrita e eu ainda acho muito difícil me acostumar com o fato de chamar por Sie uma pessoa da mesma idade que eu. Eu nunca gostei que me chamassem de senhora no Brasil. :/

Imagina só: você sai pra encontrar com um amigo e alguns outros amigos do seu amigo, que você não conhece, aparecem e todos decidem passar algum tempo juntos batendo um papo. Será que se deve já de cara ir tratando os amigos do seu amigo por Du? Melhor não. Parece estranho, mas eu ainda me sinto muito desconfortável com isso e por isso nunca hesito em perguntar se a pessoa se importa de ser tratada por Du. No entanto, há, é claro, situações em que eu devo tratar as pessoas com o “Sie” em vez do “Du“. Por exemplo, eu não me atrevo a dizer “Du” para os vendedores de loja, velhinhos, funcionários públicos ou desconhecidos. Mas ainda acho estranho, por exemplo, tratar o vovozinho do meu marido por Du. É como seu eu tivesse chamando o meu avô de tu. Seria inimaginável se ele ainda estivesse vivo.

Eu acho tudo isso muito confuso e ainda vivo trocando os pronomes e passando vexame. Já falei dentro do elevador com um chefe do departamento onde trabalhei em Tübingen chamando o senhorzinho de Du. Já me dirigi com Du aos pais de um amigo do Kili, durante uma festa de aniversário onde todo mundo também se tratava por Du e recebi uma resposta com um Sie bem grandão na minha cara. Eu já tinha visto o casal umas duas vezes, mas nunca tinha realmente conversado com os dois. Só que vendo todo mundo na festa se tratando por Du, resolvi ficar mais à vontade. Humm…bad idea! O problema é que se você “Siezt” (usar o Sie, como se fala por aqui) alguém por muito tempo, você pode ser encarado como duro e não amigável. Por outro lado, se você “Duzt “alguém muito rapidamente, corre o risco de soar indelicado e desrespeitoso. Pra mim isso não só é confuso como também pode parecer uma barreira, determinando o quão próxima uma pessoa pode chegar de você.

comofas pra se chegar no Du? Em geral, apenas uma pessoa mais velha ou mais experiente pode oferecer o “Du” para você. Se oferece, significa que ela considera você como um amigo ou conhecido querido, alguém confiável ou está procurando te conhecer em um nível mais pessoal. Peraí, então se o meu chefe é mais jovem que eu, eu vou estar em um beco sem saída?! haha sim! Eu sou mais velha, mas meu chefe é mais experiente, então é ele que deve me oferecer o bendito Du!!!

Tem alemão que acha isso, assim como eu, uma coisa meio nonsense e encara essa regra com menos rigidez. Outros são mais metódicos e preferem preservar a respeitosa forma de tratamento do discurso alemão. Por exemplo, no novo curso, eu tenho duas professoras. Uma é bem jovem, está na casa dos 40 e a outra, eu diria, é uns 20 anos mais velha. A mais velha, logo no primeiro dia de aula nos perguntou se poderia nos tratar por Du e vice-versa. Claro que todo mundo concordou e achou isso bem legal da parte dela. A mais jovem, por outro lado, não “nos ofereceu o Du” e pelo jeito dela, vai continuar tratando todo mundo por Sie até o final do curso. O garoto mais novo da sala tem somente 17 anos e será chamado de senhor até o último dia. Será que isso significa que a primeira professora quer ser amiga de todos nós? Acho que não! Ela apenas está no grupo de pessoas que são mais flexíveis nesse ponto. No entanto, a segunda, prefere manter a sua certa distância. Bom, vá entender. Quem sou eu pra questionar?! Eu só acho que respeito pode ser imposto mesmo durante um discurso informal. Pra mim, é o seu comportamento, é o que você diz e não o pronome que usa que determina isso.

Foto daqui

Coisa simples, mas que faz um bem danado!

Essa semana foi super puxada! O curso de alemão começou há uma semana e lá tenho passado todas as minhas manhãs. As pessoas são muito legais e tem até uma brasileira no grupo. No geral, estou gostando muito das duas professoras e da turma, que tem um nível ótimo! Estudo mais duas horas à tarde e daí tem casa, roupa e as coisas do casamento pra cuidar. Acaba não me sobrando muito tempo, mas pelo menos tenho feito minhas caminhadas pelo parque ao fim dos dias. Foi uma semana ensolarada e eu me senti muito ativa. É impressionante o poder que o sol tem na minha vida. Hoje foi o dia mais quente da semana. Acreditem se quiser, depois do almoço olhei pela janela e vi um homem pedalando uma bicicleta só de calção de banho. Bom, pra ele 18 graus estava quente o suficiente! Eu ri muito sozinha! E para terminar bem essa semana muito proveitosa, eu e branquinho tiramos as bicicletas do porão e fomos pedalar. Eu simplesmente amo essa sensação de sentir o vento geladinho no rosto e admirar a luz do fim de tarde, que para mim, é a coisa mais linda que Deus fez. Ah, como eu me maravilho com essas pequenas coisas! Elas sim acrescentam mais doçura aos meus dias.

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Essa foi a foto escolhida da semana para o meu Projeto 52, que pode ser visto aqui e aqui. Não canso de admirar a beleza da Amélie!
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Desejo um fim de semana muito abençoado para todos!