Três lagos alpinos na Baviera para visitar no outono

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Igreja de St. Sebastian em Ramsau bei Berchtesgaden

Acho que nunca vou cansar de falar da região do Parque Nacional de Berchtesgaden aqui no blog. A Alemanha tem vários lugares incríveis, mas pra mim é exatamente lá aonde a Alemanha é mais bonita. O próprio viajante e naturalista alemão Alexander von Humboldt já a classificou como “uma das mais belas da terra”. Acredite, ele não exagerou! Quando amigos me perguntam qual região ir na Alemanha eu sempre recomendo Berchtesgaden. Até para quem não gosta de trilhas existem várias outras coisas interessantes para se fazer por lá. Visitar o Ninho da Águia é uma delas, por exemplo. Além disso, o parque fica na fronteira com a Áustria, apenas 20 km de Salzburg. Então visitar Berchtesgaden é poder visitar dois países ao mesmo tempo.

Na quinta, dia 22 de Setembro, começa oficialmente o outono por aqui e o post é pra celebrar a chegada dessa época do ano que eu adoro. Claro que os alpes são lindos em qualquer época do ano. Mas sei lá, acho que no outono tudo fica mais intenso e as paisagens se tornam especialmente mais bonitas. Abaixo estão os três lagos que visitamos no outono do ano passado. Ainda tô assustada com o fato desse ano estar quase acabando, vocês também?

Hintersee

Esse lago fica pertinho de Ramsau, vilarejo situado a 10 km de Berchtesgaden. A foto acima é um dos cartões postais mais conhecidos da Baviera. Duas horas são necessárias para andar tranquilamente ao redor do lago por um caminho que já inspirou pintores e artistas (Malerweg). É lá também que está situada a Zauberwald ou floresta encantada, onde há uma trilha linda e super fácil, mas sapatos apropriados são imprescindíveis.

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Königssee 

Um passeio de barco nos leva até à capela de St. Bartholomä, símbolo do Königssee, de onde já fizemos uma trilha maravilhosa até uma caverna de gelo.

O Königssee tem uns 8 km de extensão e uma água tão cristalina que é considerada uma das mais puras da Alemanha. O passeio ao longo do lago é feito em barcos de propulsão elétrica, que são bem silenciosos e preservam a limpeza do local. Tem um guia que explica durante o percurso algumas curiosidades e em um ponto onde o lago fica mais estreito, o barco pára em frente a um paredão rochoso e o guia toca com um trompete uma melodia para que possamos ouvir o eco vindo das montanhas, chamado de Eco do Königssee. Eu já fiz esse passeio três vezes e sempre fico emocionada.

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Obersee

Mas a melhor parte do passeio é continuar no barco por mais uns 30 minutos, onde se chega ao começo da trilha que leva até o lago Obersee. Essa é a forma mais fácil de chegar lá. A mais difícil e longa é seguindo trilhas de nível elevado pelas montanhas. O caminho que fizemos com a ajuda do barco é bem fácil e quem não está acostumado com hiking não terá dificuldade alguma. Esse trecho é na verdade muito frequentado por famílias e até à cabana das fotos abaixo é possível ir com carrinho de bebê. O restante do caminho até o fim do lago já é um pouquinho mais difícil. Sapatos de hiking são essenciais.

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Nós gostamos tanto de visitar os alpes no outono (especialmente porque detesto fazer trilha no calor) que na próxima semana já estaremos a caminho da nossa próxima aventura, dessa vez na Itália: as Dolomitas! Um bom comecinho de outono pra quem mora pras bandas de cá!

Kehlsteinhaus – o presente não desejado de Hitler

Kehlsteinhaus – o presente não desejado de Hitler

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Eu não exagero quando afirmo que o sul da Alemanha é rico de lugares fantásticos e muita história. Um lugar muito visitado por turistas do mundo todo é o Ninho da Águia (Kehlsteinhaus), uma construção da época do Terceiro Reich, no topo da montanha Kehlstein (1834 metros) na região de Berchtesgaden. Hitler amava essa região e possuiu uma casa de férias, o Berghof em Obersalzberg, perto de Berchtesgaden.

O que faz esse lugar ser a atração mais famosa de Berchtesgaden é o fato do Kehlsteinhaus ter sido contruído para Hitler como presente de aniversário dos seus 50 anos. A construção desse edifício foi um projeto muito ambicioso, mas o partido nazista não poupou moedas para tentar impressionar o Führer ao contratar engenheiros de ponta para a obra, considerada brilhante para a época. Uma estrada teve de ser construída nas encostas íngremes da montanha e logo abaixo da casa, um túnel foi cavado dentro da montanha onde um elevador foi construído para levar o Führer (e demais hóspedes) até lá. O próprio elevador com detalhes de bronze e coberto por espelhos, de início revela a grandeza do que foi feito. Ele te leva por mais 124 metros em apenas 41 segundos!

Essa relíquia do Terceiro Reich sobreviveu intacta aos ataques de bomba durante as últimas semanas da guerra na região e hoje é um dos poucos edifícios na Baviera do período nazista que ainda permanecem e podem ser vistos mais ou menos na sua condição original. No entanto, para a decepção do idealizador do projeto, Hitler não esteve muitas vezes no seu “chalé das montanhas”. Parece que o Führer (além de toda a sua insanidade) era claustrofóbico e tinha aversão à altura e nunca se sentiu à vontade no lugar. Difícil agradar o ditador hein?!

O acesso ao local pode ser feito a pé (2 horas de trilha) ou de ônibus, que te leva até o estacionamento onde se pega o elevador. Se o tempo colaborar com o passeio, tem-se um panorama simplesmente espetacular. No dia que fomos o céu estava tão claro que deu até para avistar a cidade de Salzburgo, na Áustria.

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O edifício em si não me impressionou. Tanto é que não tirei nenhuma foto lá de dentro, onde funciona um restaurante e fiz pouquíssimas fotos do lado de fora. Tinha muita gente por todos os lados e eu fiquei super sem paciência. Mas a visita valeu a pena somente por causa da vista lá de cima, que é realmente linda. Durante a semana que passamos em Berchtesgaden, esse foi o único dia que não fizemos trilha. Estávamos esgotados e já era o nosso último dia por lá. Fomos de ônibus e compramos o ticket de visita de duas horas, pois achamos que seria tempo suficiente pra ficar lá em cima. Duas dicas que eu posso dar para quem pensa em algum dia visitar esse lugar: (1) só vá em um dia claro, porque com névoa não dá pra ver nada e (2) tente ir o mais cedo possível se você, assim como eu, tem pavor de lugares abarrotados.

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Porém, o que mais gostei desse dia foi a voltinha que fizemos pelos arredores de Berchtesgaden antes da volta pra casa. Subimos até um lugar que dava pra ter uma vista linda da cidade. A montanha da segunda foto, com dois picos peculiares é o Watzmann, a segunda maior montanha da Alemanha. Eu sou apaixonada por essa montanha e foi lá nos arredores dela que fizemos a maioria das nossas trilhas, que eu ainda pretendo escrever sobre aqui no blog. Quem não viu o post sobre a caverna de gelo, clica aqui.

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O cenário dessa pequena esquina da região da Baviera é sempre assim, inspirador – em qualquer época do ano! O coração da Ana das Montanhas agradece satisfeito quando vê tamanha beleza!

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Aproveito pra desejar um bom final de semana procês!

Berchtesgaden

Nosso último passeio pelos Alpes foi na cidade de Berchtesgaden. É nas proximidades de Berchtesgaden que foi construído, com dinheiro do partido nazista, o Kehlsteinhaus ou “ninho da águia”, a 1834 m de altura. O Kehlsteinhaus foi construído como presente para Hitler em seu aniversário de 50 anos, mas o tio apareceu por lá poucas vezes. A casa foi poupada da destruição depois da segunda guerra e hoje alberga um restaurante que serve pratos tradicionais da Baviera. Infelizmente, não foi dessa vez que fomos visitar o lugar. Os ônibus não estavam subindo até lá devido à grande quantidade de neve que ainda tinha no meio do caminho. Vai ficar pra próxima viagem!

Fizemos então um passeio na vila e aproveitamos para tirar fotos de um evento que estava acontecendo. Maio é a época em que a primavera começa a exibir as suas cores mais exuberantes. Os dias mais longos aparecem e a temperatura  mais amena causa grandes mudanças, aumentando consideravelmente o bom humor das pessoas. Por isso que Maio  é um mês de grande importância para os alemães e as festividades começam no primeiro dia do mês quando é colocada na praça central das cidades, a Maibaum ou Árvore de Maio, que dá as boas vindas à primavera. Os bávaros, fiéis as suas tradições, estavam vestidos a caráter. Os homens com suas Lederhosen (bermudas masculinas de couro) e as mulheres com Dirndl (aquele típico vestido da Oktoberfest), tudo regado a muita cerveja e músicas! Eu não sei como eles conseguiram levantar a árvore, pois já estavam nitidamente bêbados.

Acho que a coisa mais fantástica que vi durante a minha estadia nos Alpes, foi um jardim que fica bem no centro da vila, o Kurgarten. Muitas árvores de cerejeira dando um verdadeiro espetáculo da natureza e de demonstração do poder da criação divina. Eu sou completamente apaixonada pela cerejeira e lembro saudosamente desse dia, em que mal pude controlar minha emoção de ver tamanha beleza.

A cerejeira simboliza renovação e esperança, uma vez que marca o fim do inverno e o início da primavera. A árvore permanece florida por pouco tempo e as suas flores representam a fragilidade da vida. Muitos associam o florescer dessa árvore à lição de viver o presente, é uma lembrança de que a vida é passageira e de que devemos apreciar cada momento intensamente.  Que bela lição!

Watzmann ao fundo!

A belíssima flor da cerejeira!

Na volta para Schönau, tive que parar no meio da estrada para registrar esse momento. O monte Watzmann visto ao entardecer. Tem uma lenda local que conta que os picos do Watzmann representam uma família real muito perversa que foi transformada em rocha por Deus como punição. O pico à direita seria o pai (Watzmann – 2713m), à esquerda a mãe (Watzmannfrau) e os filhos seriam os picos situados entre os dois mais altos, que não podem ser vistos nessa foto.

Que região maravilhosa, hein?

Abraços,

Ana

Schönau am Königssee (II)

O dia em que fomos no topo de Jenner foi emoção pura! A montanha tem 1874 m de altura! A vista lá de cima é de tirar o fôlego! Imaginem a minha emoção! Eu nunca tinha subido no topo de uma montanha antes!

Pegamos o bondinho (acho que custou 19 euros) que sai da estação em Schönau e chegamos lá em 20 minutos. Ainda tinha muita neve no caminho e para chegar ao topo, onde tem uma cruz, foi um pouco complicado. Mas nada que impedisse as pessoas de chegarem lá.

Restaurante no Jenner!

De lá pode-se ver o Watzmann, a segunda montanha mais alta da Alemanha!

Eu e branquinho no topo do Jenner!

Schönau vista de cima do Jenner!

O caminho de volta fizemos a pé! Mais aventura e muita vontade de andar! Mas antes fomos até o topo do Kleiner Jenner.

A subida não foi tão ruim, mas não tive coragem de ficar em pé lá em cima!

O caminho de volta!

Essa foto foi tirada no caminho de volta ao hotel. Vocês conseguem ver a montanha com formato de uma bruxa deitada? Essa montanha é chamada de Schlafende Hexe ou bruxa dormente. Nosso hotel ficava bem de frente pra ela!

Abraços,

Ana

Schönau am Königssee (I)

Recentemente fui ao paraíso! Ele existe e fica nos Alpes da baviera, na região de Berchtesgaden, no extremo sul da Alemanha. Não conheço a Alemanha de ponta a ponta, mas posso dizer que esse foi o lugar mais encantador que já visitei. O fato de ter ido na primavera foi fantástico, pois ainda tinha muita neve no topo das montanhas e lá embaixo estava tudo muito verde e florido.  Nós sortudos que somos,  tivemos lindos dias ensolarados e com temperatura super agradável! Com 8 km de extensão e 1,2 km de largura, o Königssee tem um tom verde-esmeralda e a água é absolutamente cristalina. Só vendo para crer!

O passeio ao longo do Königssee é feito em barcos de propulsão elétrica, que são bem silenciosos e preservam a limpeza do local. Custa cerca de 15 euros ida e volta, a viagem dura pouco mais de 1 hora e os barcos saem a cada 30 minutos. Tem um guia que explica durante o percurso algumas curiosidades e peculiaridades do local. Num ponto onde o lago fica mais estreito, o barco pára em frente a um paredão rochoso e o guia toca com um trompete uma melodia maravilhosa para que possamos ouvir o eco vindo das montanhas, chamado de Eco do Königssee. Me emocionei muito, confesso! Optamos por ir até o final do lago e desembarcar em São Bartolomeu somente na volta, pois queríamos fazer hiking pelas redondezas. Andando por cerca de 30 minutos, chegamos ao Obersee. O caminho é bem fácil e quem não é acostumado com hiking não terá dificuldades. 

Não me controlei e tive que por os pés naquela água gelada!

Na volta paramos na capela de São Bartolomeu. Além da capela, tem um restaurante onde comemos um peixe defumado delicioso! Vale a pena conferir!

 

Por sua beleza estonteante, essa região também é palco de muito romantismo. É o lugar ideal para se passar uma lua de mel!

Próximo post tem muito mais sobre Schönau!

Abraços,

Ana