hoje acordei com saudades…

“…saudades de tudo que marcou a minha vida. Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto a voz ♥, quando me lembro do passado, eu sinto saudades…

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei. Sinto saudades do futuro, que se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser. Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei.
Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos, de experiências. Sinto saudade das coisas que vivi…

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades em japonês, em russo, em italiano, em inglês…mas que minha saudade, por eu ter nascido no Brasil, só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.  Dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, espontaneamente quando estamos desesperados, para contar dinheiro, fazer amor, declarar sentimentos fortes…seja lá em que lugar do mundo estejamos. Eu acredito que um simples “I miss you” ou seja lá como possamos traduzir saudade em outra língua, nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha. Talvez não exprima corretamente a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades…porque “tenho” uma palavra para usar todas as vezes em que sinto este aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso, mas que funciona melhor do que um sinal vital quando se quer falar de vida e de sentimentos.”

Trechos de “Saudades” by Clarice Lispector

Falta pouco!

Onde raios ela foi parar?

Sem dúvidas, essa fase de elaboração da minha tese tem sido a mais solitária da minha vida. Quem já passou por isso sabe do que estou falando. Há um ano atrás eu fiz a qualificação do doutorado e me empenhei ao máximo pra fazer bonito, mas depois disso parece que minha energia acabou. Esses dias de clausura tem refletido nitidamente na minha pele, no meu ânimo, no convívio com meus amigos e familiares. É horrível estar sempre indisponível  e saber que embora eles aceitem um não como resposta, eles não entendem de fato o que se passa comigo. Embora já tenha escrito várias páginas, hoje estou naquela fase de sentar e ficar estática olhando pro cursor piscando naquele fundão branco, totalmente sem ideias pra seguir em frente e odiando o fato de TER que escrever. Daí eu me pergunto, onde raios foi parar minha motivação?

Falta tão pouco pra terminar, mas tem sempre algo que me puxa pra bem longe dela. Arrumar o guarda-roupa, abrir a geladeira pra pensar várias vezes ao longo do dia ou fazer coisas que não tem nada a ver com a tese (tipo escrever no blog!), são sempre mais interessantes que sentar a bunda na cadeira e encarar os fatos.

Dificuldades sempre vão aparecer quando estamos prestes a realizar um sonho e elas se erguem como paredes nos impedindo de dar passos mais largos. Infelizmente não posso simplesmente fugir (sim, o Supremo Tribunal Federal me faria devolver todas as bolsas que recebi ao longo dos 3 anos +  do tempo que estudei na Alemanha, o que daria, sem os demais auxílios, uns 130 mil reais! NOT!) ou fazer com que ela desapareça num passe de mágica (quem não gostaria de ter uma varinha de condão?!). Então o negócio é tocar o barco, superar essa solidão, deixar de “mimimi” e pensar nos frutos que ela vai me trazer. Ela vai, não vai???

Abraços,

Ana