Flores para um dia cinza

Apesar da previsão, viva como se fosse primavera ― Lilly Pulitzer

Hoje é daqueles dias típicos do inverno alemão, aliás, a previsão promete mais dias assim para o resto da semana. T-u-d-o cinza. A impressão que tenho é que a noite já chegou desde as 9 da manhã. Eu até gosto de dias como esse. Eles me trazem uma certa calmaria. Mas sem querer desmerecê-los, acho que ser humano algum consegue manter um sorriso estampado no rosto durante uma semana inteiramente cinza. Me pergunto como o povo daqui aguenta a vida toda…vá saber. Talvez os dias na terra do sol tenham me deixado mal acostumada. Eu estou super ansiosa pela primavera! E enquanto ela não chega, fico por aqui apreciando o meu belo bouquet de tulipas que comprei hoje. Impressionante como flores têm o poder de mudar completamente o astral da gente. Me sinto muito mais feliz com elas!

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Ich verstehe kein Schwäbisch!

Aquele momento em que estou voltando pra casa, quase onze e meia da noite, entra uma vozinha no trem, me cutuca, pede pra sentar do meu lado e começa puxar assunto falando essa língua aqui:

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Eu até que, entre uma piscada e outra, tentei ser simpática com ela, dando aquele sorriso de “tô entendo bulhufas e queria mesmo era voltar a dormir”, quando de repente a velhinha percebe e pergunta: você entende alemão?

Ah! que bom, caiu a ficha dela que eu não tava entendendo, eu pensei. Daí eu respondo: sim, bastante. Mas não entendo nem um pingo de Schwäbisch.

Eu juro que não falei por mal, mas a vozinha levou pro pessoal. No mesmo instante eu achei que não tinha sido legal e até soltei um pedido de desculpa, mas ela se fechou, mudou de lugar e começou falar com a moça do lado.

Eu poderia ter pensado: que vozinha mais chata! Mas fiquei foi com dó. Fala sério, o que faz uma velhinha cheia de atadura nas pernas, no meio do mundo a essa hora da noite? Acho que ela só queria alguém pra conversar e viu que eu não tinha potencial pra levar um papo.

Sabe, me deixa triste ver tantos idosos vagando por aqui, alguns até com problemas mentais, completamente sozinhos. Ah, isso me parte o coração. Morri de pena por não ter dado atenção, mas eu realmente não entendo essa língua falada aqui.

Pra quem não sabe, Schwäbisch é o dialeto falado aqui em BW. É tão diferente que até os nativos que falam o alemão padrão (Hochdeutsch) tem dificuldades pra entender. E o povo aqui admite que é difícil, tanto que o lema do estado é:

bw-wir-koennen-alles-ausser-hochdeutsch
Nós podemos tudo. Exceto alemão padrão.

Cheguei à conclusão de que não importa quão bom o nosso alemão seja, a nossa compreensão da língua parece que nunca será boa o suficiente pra entender esses dialetos.

Na foto do banquinho acima (que fica na entrada de um restaurante famoso aqui em Tübingen) está escrito: aqui se sentam os que sempre se sentam aqui.

Em Schwäbisch: do hogged dia, dia emmer do hogged, o que em alemão seria: hier sitzen die, die immer hier sitzen. 

A semelhança aqui passa é longe!

Papo de mulherzinha

Todo mundo pensa que vida de expatriado é só glamour. Fotos na neve exibindo o casaco chique, fotos no parque cheio de flores, a foto do restaurante bacanérrimo que foi no final de semana. Quem curte as fotos no face pensa logo: que vida fácil, que vida linda! Mas fia, né assim não viu!

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nasci com o cabelo assim! só que não!

A primeira coisa que um expatriado tem que aprender a fazer aqui é se virar nos 30, em todos os sentidos. E quando o assunto é cuidar da beleza, tem muita coisa que a gente tem que acabar aprendendo sozinho. Como por exemplo: fazer unha, depilação, cuidar sozinha do cabelo, tirar sobrancelha e etc…

Sim, por que quem é que tem coragem de ir toda semana num salão de beleza aqui na Alemanha? Tou nazoropa mas não virei rica não! Eu não tenho. Custa muito dinheiro, amiga. Aqui em Tübingen, fazer as unhas no salão sai pela mera bagatela de 25 euros! Só mão, sem retirada de cutícula! E pra colocar unhas postiças é quase o dobro. Se unha custa caro, agora imagina fazer peeling facial! Além dos preços exorbitantes, tem a questão do “saber fazer”. Infelizmente eu já tive péssimas experiências com meu cabelo e sobrancelha aqui, por isso tenho o pé atrás, não só um, os dois. E aí, como a pessoa se vira? Metendo a cara. Fazendo sozinha. Porque tem que pelo menos tentar ficar sempre linda, né? Eu tenho os meus aliados de beleza por aqui. E hoje em dia, faço unha, tiro sobrancelha, faço minhas limpezas de pele, pinto cabelo, depilação e até me atrevo a refazer as camadas do cabelo.

Cuidando do cabelo

Desktop3-002Eu sou louca por shampoo! Passei bastante tempo usando o Bain de Force da Kérastase. No Brasil, o cabelo ficava lindo, cheio de vida. Depois que mudei pra cá, comecei a sentir meu cabelo muito pesado e rapidamente ficava oleoso. Acho que deve ser a combinação água calcária + shampoo super hidratante. Daí, um dia vi a dica da Sandra sobre o shampoo antikalk da Garnier. Li várias resenhas positivas e comprei. Desde então estou in love! Ele dá uma sensação ótima de limpeza e o cabelo fica realmente bem solto. Adorei a dica! Resolvi alternar o uso dos dois e estou vendo um efeito bem positivo.

Como meu cabelo é muito longo, preciso sempre usar um óleo ou reparador pras pontas, pra evitar que elas se partam. No Brasil, o meu favorito é o da Avonzona! Pra mim não tem melhor. Mas um ótimo substituto pra ele aqui é o Öl elixier da Schwarzkopf. Quando fiz a touca de gesso da Letícia, adicionei umas gotinhas e o cabelo ficou MARA. Por falar nisso, vocês já ouviram falar da touca de gesso? Não??? Então corre lá no blog da Lê, anota a receita e faz em casa. Sua vida vai mudar como num passe de mágica, eu te prometo!

Cuidando do pé e mão

Acho que uma das coisas que mais sinto falta é da minha manicure. Sexta era o meu dia de ir no salão fazer as unhas. Como eu tenho tendência a roer unhas, elas tem que estar sempre bem feitinhas, caso contrário, basta alguém fazer cara feia pra mim que já coloco as mãos na boca e começo roer. Então tenho que dar uma atenção toda especial pra elas.

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Eu sempre gostei de tirar a cutícula e alicate era um item indispensável pra mim. Só que ultimamente tenho tentado deixar ele de lado, pois descobri um produtinho genial. É um remover líquido de cutícula que você passa, deixa alguns segundos e depois é só empurrar e limpar. A cutícula fica tão molezinha que facilmente pode ser removida. Super baratinho e eficiente. Gosto muito dessa marca p2! Tem uma linha de produtos só pro cuidado das mãos e os preços são bem acessíveis.

Gosto de trazer esmaltes do Brasil. Sou fã da Risqué! Já comprei vários aqui, mas me decepcionei. Muitos deles descascam e perdem o brilho rapidinho. Porém, gosto muito dos esmaltes da Essie. São os únicos que duram uma semana inteira nas minhas unhas. Só não são tão baratos, mas são muito bons!

E o meu creme queridinho pros pés é o da Neutrogena. Gente, ele é magnífico e cumpre o que promete, deixar os pés hidratados por 24 horas. Eu não vivo um dia sem. Agora no verão, que podemos usar mais sandálias, é super importante estar com os pés bonitos. Confesso que no inverno dou só uma cuidada básica mesmo, mas o creme, pra ter sempre os pés hidratados não pode faltar, ainda mais porque no inverno a tendência é que eles fiquem cada vez mais ressecados.

E quando o problema é a depilação?

Desktop4-001Para quem tem coragem de fazer sozinha, um produto muito bom que recomendo é esse aqui da Veet. Essa cera é bem fácil de usar. É só esquentar (eu faço em banho-maria), medir a temperatura com o indicador e usar os papéis de depilação, ambos vem no kit. Depilar a virilha é um absurdo de caro, eu chuto 40 euros no mínimo. Mais absurda ainda é a ideia de algum dia eu ir num salão aqui só pra fazer isso. Depois de muito relutar, acabei criando coragem pra fazer sozinha e hoje sou quase uma profissional! hehehe, nada que duas taças de vinho não resolva, pra começar. Os papéis de depilação que vem no kit podem ser lavados e reutilizados, mas eu acho isso uma nojeira! Eu trago do Brasil, mas alguém saberia me informar onde posso comprar aqui?

E pra vocês, quais os produtos que são indispensáveis?

Vida expatriada: a lição de hoje

Eu gosto sempre de ler artigos em blogs ou fóruns de expatriados pra saber da opinião de alguns sobre como é viver “longe de casa”. Um dos pontos que mais vejo sendo discutido é a questão do idioma, de como as pessoas se esforçam para aprender o idioma local a fim de terem a chance de uma verdadeira aceitação no novo país. Afinal, para conseguir tirar o máximo de proveito do novo país com pouco estresse, é realmente importante entender o que acontece ao seu redor.

E isso eu tenho feito. Tenho tentado todos os dias entender mais e ser melhor entendida. Assisto televisão, leio cartazes nas ruas ou qualquer tipo de material de leitura que possa chegar nas minhas mãos, falo com meus inúmeros erros, tenho tentado deixar o inglês de lado e mesmo que na minha cabeça as frases se formem em inglês espontaneamente, ainda tento me expressar em alemão…mas como qualquer pessoa que vive como estrangeiro sabe, os nativos sempre estão esperando mais da gente, portanto aqui estou eu, tentando abraçar uma nova cultura e fazendo tudo o que posso pra me adaptar. Só que não é simples, mesmo com todo esforço.

O desânimo vem quando enfrentamos algumas situações chatas em meio a esse processo de integração, como hoje por exemplo, enquanto eu estava na fila do supermercado pra pagar. Bem no comecinho da minha jornada na Alemanha em 2009, eu sempre foquei nas coisas mais básicas e essenciais do cotidiano como uma forma de levar a vida mais facilmente, e uma delas foi aprender bem os números e a linguagem usada nos supermercados. De alguma forma eu me sentia segura de ir ao supermercado, pois somente com um pouco de lógica e meu entendimento super básico de alemão eu conseguia me virar fácil, sem precisar recorrer ao inglês ou ficar confusa.

No entanto, hoje foi um dos dias mais confusos que vivenciei aqui até agora. Eu peguei umas uvas, que vem dentro de um saco de papel, e como de costume fui pesar. Pesei e colei a etiqueta com o preço no saco. O saco acabou rasgando um pouco e rapidamente coloquei tudo dentro de um saco de plástico. Aí pensei, a pessoa do caixa vai reclamar porque o preço está por dentro, foi aí que tive a brilhante ideia de descolar a etiqueta do saco de papel e colocar no saco de plástico. Acontece que veio papel junto e a etiqueta ficou meio rasgada. Tudo bem, isso não é problema, a máquina vai conseguir ler o preço, eu pensei.

Quando fui passar minhas compras, a mulher do caixa olhou a etiqueta no saco de uvas e o levantou, como se estivesse verificando o peso. De repente ela me olhou com uma cara vermelha e começou a falar alto. O tom da voz dela me fazia acreditar que eu tinha feito algo absurdamente idiota e naquele momento gente, eu fiquei surda. Eu não conseguia entender uma simples letra que saía da boca daquela mulher. Eu só me perguntava o que diabos tinha de errado com o saco de uvas.

Foi aí que eu tentei, em alemão, explicar que não estava conseguindo entendê-la. Ela soltou aquele suspiro que expressava: “que idiota!” levantou e saiu. Eu entrei em pânico, fiquei com vontade de largar tudo lá e sair correndo pra bem longe daquele povo que me olhava.

Ela voltou com o saco, já com uma outra expressão no rosto. Ela pensou que tinha mais uva no saco do que o preço dizia e foi na balança conferir. Eu juro que nunca me senti mais fora de lugar e de certa forma humilhada como hoje. Ela não falou nada, apenas passou minhas coisas, me disse o total e paguei, com a garganta doendo de raiva, super envergonhada e me sentido um “Zé ninguém”.

Eu fui todo o caminho de volta pra casa pensando no acontecido e o fato de ela ter fingido que nada tinha acontecido só me fez ter certeza de que eu não sou nenhuma estúpida e nem inferior. Na verdade eu comecei a me sentir melhor e superior a ela, pois eu, em hipótese alguma, falaria com alguém que não fala a minha língua usando o tom de voz que ela usou comigo. E aquele povo me assistindo? Vou te contar! Se algum dia eu presenciasse uma situação similar, não sendo a vítima, eu sairia do meu lugar e tentaria ajudar.

A experiência foi negativa e super desmotivante, mas eu sou consciente de que momentos como esse irão sempre acontecer, comigo que moro aqui há pouco tempo e com quem já mora aqui há anos também. Aliás, situações assim podem acontecer em qualquer lugar. No entanto, eu acredito que tudo que acontece é para o  nosso crescimento. A gente aprende também com situações negativas! Agora me sinto ainda mais motivada a elevar meu nível a ponto de poder me defender corretamente e até xingar.

A minha lição de hoje é que jamais devo permitir que coisas assim me coloquem pra baixo. Pelo contrário, quero continuar focando nas coisas positivas que esse país tem a me oferecer. E isso serve pra todos nós, porque se focarmos mais nos pontos e experiências negativas a vida “longe de casa” acaba se tornando um fardo difícil de carregar…e eu um dia ainda quero poder chamar esse país de casa.

Tudo é uma questão de manter o foco!

Mudança e o jeito alemão de lavar louça

Em alguns meses esse blog mudará de cidade! Depois de morar em Mainz e de estar vivendo em Tübingen, chegou a hora de tomar outro rumo e dessa vez o destino é a Francônia, uma região situada no norte da Baviera.

O branquinho conseguiu emprego em Fürth, uma cidade que fica bem ao lado de Nürnberg, cerca de 8 km de distância. É lá que vamos começar nossa vida de casados. Ontem fui lá conhecer os dois apartamentos que ele selecionou dentre os dez que viu. Um deles é bem moderno, com uma varanda imensa e novo em folha. O problema é que não tem cozinha separada, na verdade é uma mini-cozinha junta com a sala de estar e jantar. O outro, que escolhemos, é super espaçoso e renovado, o único problema é que não tem máquina de lavar louça.

Tá, isso não pode ser considerado um problema, já que muita gente aqui vive sem. Acontece que fiquei mal acostumada nesse apartamento que vivo agora. Eu passei a minha vida toda lavando louça à mão, recebendo ordens da minha mãe mesmo ela sabendo que eu tinha acabado de fazer as unhas. Aí a pessoa vai morar numa casa que tem máquina de lavar louça e se encanta, joga tudo dentro, não lava mais nenhuma panela e vive com as unhas lindas…é o sonho de toda dona de casa!

My precious!

Exageros a parte, tem coisa sim que lavo à mão, querendo ou não sempre tem algo que não pode ir pra máquina. Mas aí eu lavo do meu jeito brasileiro, o jeito como minha mamis me ensinou e esse jeito meu povo, não agrada muita gente aqui não.

Acontece que o alemão tem uma maneira bastante peculiar de lavar louça. Eles fazem assim: enchem a pia com água, colocam detergente, jogam a louça dentro (tirando só o grosso), esfregam tudo com a esponja, colocam pra escorrer e ali mesmo já secam com o pano de prato – tudo cheio de bolinhas de sabão, sem enxaguar! Isso pra eles é uma maneira genial de economizar água. Eu, em prol de um consumo mais consciente até já tentei, mas não funcionou, eu tenho nojo! Pra mim louça bem lavada, assim como roupa, tem que tá completamente sem sabão. Fora que essa mesma água fica cheia de resto de comida. Eu já saquei que minha sogra não gosta que eu lave louça na casa dela, ela nunca disse que eu gasto muito água, claro, mas eu já vi ela me olhando como se fosse passar mal!!!

Aí acontece que o branquinho disse que para economizarmos água no apartamento novo eu vou ter que me acostumar a lavar louça do jeito alemão. E aí, comofas? Não tá bom já ter que reaprender a viver sem a máquina?

Não! Isso é uma coisa que eu nunca vou me acostumar aqui. Eu nem acho que encher a pia de água vai te fazer economizar uma quantidade significativa de água. Mas como tudo aqui é desculpa pra economizar, até tomar banho dia sim, dia não, não é considerado imundície, mas sim uma forma inteligente de racionar água.

Quem aí conseguiu se adaptar ou se adaptaria ao jeito alemão de lavar louça?

Lidando com dinheiro

É legal observar como viver na Alemanha tem mudado alguns dos meus hábitos pessoais e pontos de vista. Entre eles está o fato de como eu administro meu dinheiro aqui. Confesso que no Brasil eu não era muito boa em administrar minhas contas e muitas vezes eu me vi fora de controle, no vermelho mesmo. As coisas começaram a mudar pra mim desde quando precisei morar sozinha aqui em 2009. Eu tinha que pagar aluguel, comprar comida, umas roupinhas de vez em quando e ter meus momentos de diversão, tipo viajar, sair com amigos e etc. O espírito de responsabilidade teve que baixar sobre mim até eu aprender que ser shopaholic não era saudável. No Brasil eu tinha quem me ajudasse caso eu ficasse no vermelho, aqui não.

CONFESSIONS OF A SHOPAHOLIC
Foto do filme “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”

Minha mudança foi acontecendo por vários motivos. Primeiro de tudo, eu tive que me acostumar a levar muito mais dinheiro na carteira do que eu estava acostumada no Brasil. Isso porque muitas lojas e restaurantes não aceitam cartões de crédito, sai mais caro pra eles, o que nos faz usar dinheiro vivo ou um cartão EC (cartão de débito de banco). Levar mais dinheiro na carteira não significa que você vai gastar mais. De alguma forma eu passei a ter mais controle e isso me faz não gastar tanto. Passar o cartão de crédito é muito fácil, principalmente sabendo que você só pagará no mês que vem.

Não é qualquer Ana da vida que consegue tirar um cartão de crédito num banco alemão. É muito difícil conseguir crédito aqui. Os bancos são muito cuidadosos sobre a aprovação de créditos pessoais. Eu gosto disso. Enquanto no Brasil os cartões são distribuindo como doces (lembro que na universidade, no dia da matrícula dos novatos, fica cheio de gente te oferecendo cartão – o velho cartão universiOtário), a maioria dos cartões de crédito aqui (quando você consegue obtê-los) funcionam como cartões de débito. O banco desconta automaticamente o valor total da sua conta corrente. E pelo que sei, não existe esse negócio de parcelamento. Cheques em papel? Eu nunca ouvi falar que usassem. Os alemães não gostam de dever, isso é fato.

Enquanto que no Brasil muitas pessoas gastam mais do que ganham, a sociedade alemã é muito mais centrada em economizar. A concepção deles é que a renda deva ser maior do que as despesas, que é o modo como todos nós deveríamos pensar. Esta é definitivamente a mentalidade dos alemães e sob essa forte influência eu me encontro hoje poupando mais do que nunca. Eu me sinto muito mais leve pelo fato de não gastar tanto como antes. 🙂

A maneira de lidar com dinheiro é sem dúvidas uma decisão pessoal, mas eu acho super interessante mostrar como os princípios financeiros de uma outra sociedade podem realmente te influenciar sobre a forma como você pode gerenciar suas finanças.

Uma das palavras que mais gosto aqui é Angebot, que significa promoção. Esperar pelas promoções te faz economizar muito também! 🙂

Até a próxima!

 

Dando gorjeta na Alemanha

Pagar a conta aqui na Alemanha em um restaurante, bar ou cafeteria pode ser um pouco confuso se você é novo no país. No Brasil, normalmente se cobra uma gorjeta de 10% sobre a conta total. Em outros países é comum deixar a gorjeta na mesa juntamente com o valor da conta. Na Alemanha não. 

Aqui é de costume pagar a conta e deixar uma gorjeta – chamada de Trinkgeld – com o garçom expressando que você ficou satisfeito com o serviço e a hospitalidade. Não dar gorjeta é uma declaração de que você não ficou satisfeito com o atendimento. Normalmente o atendimento aqui é muito bom – eu pelo menos nunca tive a experiência de ser mal atendida. O garçom, por exemplo, muitas vezes irá te perguntar se a comida estava boa e se tudo ocorreu bem e pela atenção e preocupação com o bem-estar esse merece sim um dinheirinho extra. Mas se o garçom ou garçonete foi rude ou desatento e você ainda teve que esperar muito pra ser atendido é certo que você pode escolher em não dar gorjeta, por que deveria?

Quanto devo dar?

É prática comum na Alemanha dar de 5-10% do valor conta. Portanto, se você receber uma conta de 50 euros, você pode dar entre 2,50 a 5 euros. Caso a sua conta venha com valor quebrado, você pode arredondar a quantidade que tem a pagar. Isso facilita a vida do garçom, que normalmente anda com uma pochete de dinheiro para cuidar da “transação financeira”. Por exemplo, se a conta deu 9,20 euros você pode arredondar pra 10 euros. Se quiser ser um pouco mais generoso, poderá arredondar uma conta de 50 para 55 euros. Ou você expressa a sua satisfação dando alguns euros a mais ou não dá nada. Se você preferir não dar gorjeta, simplesmente entregue o dinheiro e não diga nada – isso geralmente resulta em um silêncio constrangedor, onde ele pode fazer uma breve pausa ou passar um tempinho procurando o troco na pochete e entregá-lo a você relutantemente antes de se afastar rapidamente.

Se você saiu com a turma e chegou a hora de pedir a conta saiba você pode pagar o que consumiu sem ter que ficar fazendo as continhas na calculadora do celular. O garçom vai vir e te perguntar: “Zusammen oder Getrennt?” (que significa ” tudo junto ou cada um paga a sua”), se você falar separado é só dizer o que consumiu e pagar sua parte, claro que ele vai esperar que a sua gorjeta seja inclusa! Ele vai fazer isso com cada um, independente do número de pessoas presentes na mesa. Mas não pense que isso leva tempo, eles normalmente são bem rápidos! Bem mais rápidos que no Brasil, onde o garçom demora pra trazer a conta e demora ainda mais pra trazer o troco. 

Eu adoro ser bem atendida e se for faço questão de sempre dar uma boa gorjeta. Se o atendimento foi decente, por favor, dê uma gorjeta decente! Nada de dar 20 centavos, ok?!

Onde raios ela foi parar?

Sem dúvidas, essa fase de elaboração da minha tese tem sido a mais solitária da minha vida. Quem já passou por isso sabe do que estou falando. Há um ano atrás eu fiz a qualificação do doutorado e me empenhei ao máximo pra fazer bonito, mas depois disso parece que minha energia acabou. Esses dias de clausura tem refletido nitidamente na minha pele, no meu ânimo, no convívio com meus amigos e familiares. É horrível estar sempre indisponível  e saber que embora eles aceitem um não como resposta, eles não entendem de fato o que se passa comigo. Embora já tenha escrito várias páginas, hoje estou naquela fase de sentar e ficar estática olhando pro cursor piscando naquele fundão branco, totalmente sem ideias pra seguir em frente e odiando o fato de TER que escrever. Daí eu me pergunto, onde raios foi parar minha motivação?

Falta tão pouco pra terminar, mas tem sempre algo que me puxa pra bem longe dela. Arrumar o guarda-roupa, abrir a geladeira pra pensar várias vezes ao longo do dia ou fazer coisas que não tem nada a ver com a tese (tipo escrever no blog!), são sempre mais interessantes que sentar a bunda na cadeira e encarar os fatos.

Dificuldades sempre vão aparecer quando estamos prestes a realizar um sonho e elas se erguem como paredes nos impedindo de dar passos mais largos. Infelizmente não posso simplesmente fugir (sim, o Supremo Tribunal Federal me faria devolver todas as bolsas que recebi ao longo dos 3 anos +  do tempo que estudei na Alemanha, o que daria, sem os demais auxílios, uns 130 mil reais! NOT!) ou fazer com que ela desapareça num passe de mágica (quem não gostaria de ter uma varinha de condão?!). Então o negócio é tocar o barco, superar essa solidão, deixar de “mimimi” e pensar nos frutos que ela vai me trazer. Ela vai, não vai???

Abraços,

Ana