Dresden e o Parque Nacional da Suíça Saxônica

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Demorou muito até eu finalmente tirar um tempo pra visitar Dresden. Capital da Saxônia, a cidade fica a três horas de Nuremberg. Um bate-volta no inverno é quase impossível, por isso reservamos dois dias pra visitar a cidade e arredores. Entre o bombardeio aliado que destruiu quase todo o seu centro na Segunda Guerra Mundial e os quase 50 anos de ocupação soviética durante a Guerra Fria, eu pensava que provavelmente não haveria muito mais com o que me impressionar. Mas a também chamada Florença do Elba, referência ao seu conjunto arquitetônico e ao rio que cruza a cidade, me provou neste último fim de semana o quanto eu estava errada a seu respeito. Dresden é sem dúvidas, uma das melhores cidades para se visitar na Alemanha. Imagine só a sensação de andar pelas ruas de uma cidade que durante a guerra foi praticamente reduzida a pó. Cerca de 90% do centro histórico de Dresden foi destruído e toneladas de bombas vitimaram mais de 25 mil pessoas. Intrigante é saber que o fim da guerra era só uma questão de tempo quando a cidade foi violentamente bombardeada. Dresden não era uma cidade industrial ou de importância estratégica, mas mesmo assim ela não foi poupada e todo um patrimônio foi transformado em ruínas .

Uma cidade que se reergueu das cinzas!

Eu fiquei totalmente boquiaberta observando todos aqueles prédios com arquitetura barroca fascinante ao passo que o Kilian (meu livro de história ambulante) me contava sobre os detalhes da devastação durante a guerra.

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A igreja da foto acima por exemplo, a Frauenkirche, ficou em ruínas e permaneceu no mesmo estado durante toda a ocupação soviética. Após o fim do regime comunista e da reunificação da Alemanha com a queda do muro de Berlim, deu-se início o seu processo de reconstrução, que foi financiado através de doações. O processo de recuperação levou 13 anos e só em 2005 foi concluído. O mais incrível é que pedaços originais da igreja foram guardados, catalogados e reutilizados na reconstrução!

As grandes atrações da cidade ficam no centro e é muito fácil visitar todas elas a pé. Não estou escrevendo sobre cada uma aqui porque eu sou uma péssima contadora de história. Além do mais, nós não fotografamos tudo. Eu confesso que fazer fotos em cidades lotadas de turistas não é a minha praia. Bom, quem me acompanha já sabe que o objetivo do blog não é apresentar roteiros de viagens, mas sim as nossas impressões sobre os lugares que visitamos! Além do centro, fizemos um passeio pelo Neustadt, que é a parte nova da cidade. Lá tem vários lugares legais, livrarias, cafés alternativos e uma atmosfera bem legal.

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Talvez vocês devam saber através das notícias que Dresden tem sido palco de demonstrações do PEGIDA (sigla para Patriotische Europäer gegen die Islamisierung des Abendlandes ou Europeus Patriotas contra à Islamização do Ocidente), uma organização xenofóbica que se opõe à imigração dos mulçumanos na Alemanha. Em meio à essa crise migratória, eu achava que o clima na cidade estaria um pouco tenso. Mas estava tudo tranquilo. Vimos duas pequenas manifestações a favor dos refugiados e muitos, muitos cartazes contendo “Refugees Welcome” espalhados pela cidade.

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No dia seguinte nós acordamos cedinho e pegamos a estrada até a região do Parque Nacional da Suíça Saxônica, já quase na fronteira com a República Tcheca. Eu já havia visitado essa região no verão do ano passado, mas o Kilian ainda não a conhecia. Então nós aproveitamos que ela fica somente a 30 km de Dresden e fomos passar o dia por lá. Estava uma manhã tão fria e um cenário tão inspirador que tivemos que parar no caminho pra fotografar!

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O Parque Nacional da Suíça Saxônica possui 79 km de extensão e uma natureza fenomenal. A origem das montanhas de arenito formadas acima do rio Elba, resultado de ações erosivas, é geologicamente bastante remota. A gente se sente até um pouco insignificante, como uma formiguinha, diante da grandiosidade de todas aquelas formações rochosas tão peculiares. Na foto abaixo a ponte Bastei (lê-se bastai). Foi tão bom ter ido cedinho, porque o lugar ainda estava vazio e deu pra caminhar e fotografar tranquilamente por lá. Os arredores do Bastei contém centenas de trilhas. Nós pegamos uma delas com duração de 3 horas, sempre beirando o rio Elba e fomos até o pico (à direita) da montanha que aparece na foto atrás do Bastei. Uma delícia de caminhada! Quando voltamos a ponte estava super lotada, impossível de transitar sobre ela. Ponto pra mim que fiz questão de acordar cedo!

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O Bastei é aberto o ano todo e a entrada é grátis. A forma mais acessível para se chegar lá é de carro, porém existem conexões de ônibus saindo de Dresden. Esse passeio é imperdível, não canso de recomendar! Imperdível também é sentar no Camondas, bem na frente da igreja Frauenkirche, pra tomar um delicioso chocolate quente. Provavelmente o melhor que já tomei na vida!